Blind Guardian – 04-09-2011 – Rio de Janeiro – RJ (Fundição Progresso)

Texto por Rodrigo Gonçalves
Fotos por Bruno Prado

Veteranos de duas apresentações no Rio de Janeiro, os alemães do Blind Guardian desembarcaram na cidade maravilhosa dispostos a mostrar que, apesar dos trabalhos de estúdio mais recentes não terem caído no gosto do público, eles ainda estão no topo do power metal mundial.

Ao chegar à Fundição Progresso, confesso que fiquei assustado com o que vi. Uma fila gigantesca se formava do lado de fora da casa de shows localizada na Lapa, algo totalmente inesperado, principalmente se levarmos em conta que esse foi o último show da turnê a ser marcado e os cariocas não tiveram muito tempo para comprar ingressos.

Já comentei sobre isso antes nesse espaço, no Rio de Janeiro, afora os grandes nomes do heavy metal mundial, apenas bandas como Helloween, Stratovarius e Blind Guardian conseguem arrastar grandes públicos para os seus shows. Não sei exatamente porque isso acontece, mas a própria experiência dos bardos com o rio de janeiro nos mostra isso.

O show que estava marcado para começar às 21 horas em ponto, teve de ser atrasado um pouco, por conta da lenta entrada do grande público que estava do lado de fora. Nessas horas eu acho que falta um pouco de sensibilidade e inteligência a quem organiza eventos desse tipo, em qualquer lugar do país, que fique bem claro. Diante da fila e da comoção que o show causou nos fãs, por que não abrir a casa um pouco antes do combinado e dessa maneira garantir que todos entrem sem sustos e de maneira mais tranqüila? Mas o bom é que isso não diminuiu a empolgação do público, que do lado de dentro agitava ao som de grandes sucessos do rock e heavy e os que estavam do lado de fora conseguiram entrar numa boa, sem qualquer tipo de incidente.

Foi quando, as 21h30, portanto, meia hora após o horário previamente marcado para o início da apresentação, Frederik Ehmke, Michael Schüren, Oliver Holzwarth, André Olbrich, Marcus Siepen e, por último, Hansi Kürsch, um a um entraram no palco para começar aquela que tinha tudo para ser uma grande noite. Depois de uma breve introdução, de cara a banda sai detonando a música “Sacred Words”, do novo álbum de estúdio da banda, “At The Edge of Time”, lançado no ano passado. “Welcome To Dying” e “Nightfall” levaram o público de volta para o passado glorioso da banda, enquanto “Fly”, do disco “Twist In The Myth”, mostrou que o material mais novo realmente não caiu nas graças do público. “Time Stands Still (at the Iron Hill)” e “Traveler in Time” fizeram os cariocas cantarem a plenos pulmões, enquanto “Morder’s Song” e “Tanelorn (Into the Void)” foram responsáveis por dar uma acalmada nos ânimos.

“Lord of the Rings” e “Valhalla”, trouxeram a Fundição Progresso abaixo e “Imaginations From The Other Side” foi anunciada como a música derradeira da noite, após um breve discurso de auto piedade feito pelo vocalista, onde comentou que, infelizmente, aquela seria a última música da noite e que só aparecem aqui de quatro em quatro anos. Além de dizer que ele sempre mente para nós, dizendo que vão voltar antes, mas nunca cumprem com a promessa. A banda saiu do palco se despedindo, mas todos, até a minha afilhada de 11 meses sabiam que aquele ainda não era o fim da apresentação.

Uma breve pausa para o bis e o excelente público presente a Fundição Progresso praticamente trouxe a banda de volta ao palco na base do grito. Pedido feito, pedido atendido e os músicos voltaram tocando a cansativa “Wheel of Time”, mostrando mais uma vez que o material mais recente não foi bem recebido pelos fãs. Seja porque eles não conhecem, ou apenas porque não gostaram, o fato é que o desinteresse pelo material mais novo era gritante. Mas, para alegria geral da nação, as duas últimas músicas da noite deixaram os fãs com um enorme sorriso no rosto. Dois bancos e dois violões foram colocados pelos roadies no palco e isso só poderia significar uma coisa: “The Bard’s Song” foi cantada do começo ao fim, até mesmo as partes instrumentais. “Mirror Mirror” ficou encarregada de encerrar uma apresentação que até aquele momento tinha saldo positivo, mas os fãs ainda teriam uma agradável surpresa.

A sintonia entre banda e público era tão grande, mas tão grande, que durante os agradecimentos finais e a tradicional foto de todos os músicos reunidos saudando o público, o vocalista Hansi foi interrompido pelos pedidos alucinados pela música “Majesty”. Em uma atitude que há muito tempo não via, o cantor visivelmente emocionado, disse que não sabia se podia fazer isso, pois iriam estourar o tempo disponível para a apresentação, e por isso aqueles que estavam trabalhando no espetáculo teriam de ser recompensados com pagamento de hora extra. Foi então que Kurschi sugeriu que cada fã deixasse um real na saída para terem seu pedido atendido. Um boa noite e “Majesty” foi tocada na íntegra. Totalmente surpreendente, um presente maravilhoso para os fãs cariocas.

No geral foi um bom show. Mas, para quem viu as apresentações de 2002 e 2007, sabe que poderia ter sido muito melhor. Talvez o fator cansaço tenha sido o fiel da balança (a banda fez show na Argentina um dia antes), já que em alguns momentos o simpático e comunicativo vocalista Hansi Kürsch deu mostras de estar sentindo bastante a rotina pesada de shows, seja quando a sua voz falhou no começo do show, ou as várias conversas com o público, algo diferente para ele. Teve até espaço para mão nas cadeiras enquanto tentava agitar o público. Mas pergunta se alguém liga? Os fãs deixaram a casa de shows tão empolgados quanto chegaram, ainda extasiados com a surpresa feita com “Majesty” e cantando grandes sucessos da carreira da banda. Nada mal para quem quase ficou de fora da turnê…

Set list: Intro / Sacred Worlds / Welcome To Dying / Nightfall / Fly / Time Stands Still (at the Iron Hill) / Traveler in Time / Mordred’s Song / Tanelorn (Into the Void) / Lord of the Rings / Valhalla / Imaginations From the Other Side / Wheel of Time / The Bard’s Song – In The Forest / Mirror Mirror / Majesty

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