Nightwish – Endless Forms Most Beautiful

Nightwish - 2015 album

Nightwish – Endless Forms Most Beautiful
CD – Nuclear Blast (2015)

Texto por Sara Ferrer – o conteúdo expresso reflete a opinião do autor, é de inteira responsabilidade deste
Edição por André Luiz

Um dos lançamentos mais aguardados do ano foi o oitavo disco de trabalho, de um dos nomes mais importantes e consolidados mundialmente no Metal Sinfônico, a banda finlandesa Nightwish. Mas para começar a falar deste disco, temos que voltar um pouco no tempo: a banda tem exatos 19 anos de carreira e despontou mundialmente sob o comando de sua primeira e notável vocalista, Tarja Turunen, com quem gravou cinco álbuns, e estourou nas paradas de sucesso, principalmente depois de ‘Once’ ser lançado em 2005. Após a saída de Tarja, um choque para os fãs, a sueca Anette Olzon foi a escolhida para integrar à banda, assumindo os vocais; assim foram gravados ‘Dark Passion Play’ em 2007, o qual apresentava uma sonoridade mais voltada ao “pop metal” do que a pegada sinfônica operística produzida pelo grupo desde seu começo; e ‘Imaginaerum’ de 2011, retornando à vertente melódica com orquestrações, mas até então, sem a presença de vocais líricos – uma vez que Anette é adepta do canto popular/soprano – que marcaram a carreira da banda.

O público foi surpreendido pela saída repentina de Anette Olzon, pouco depois do lançamento de ‘Imaginaerum’. A banda estava com vários shows marcados, e optaram por não cancelá-los, mas sim, buscar por uma nova voz. Não tardou muito para que fosse informado quem excursionaria em turnê com o Nightwish: a vocalista holandesa Floor Jansen, conhecida mundialmente por ter sido frontwoman da extinta banda After Forever, e atualmente no ReVamp – banda que mantém em paralelo ao Nightwish. Jansen possui vocal liríco, uma soprano em abundância com potente alcance. A notícia agradou e muito grande parte do público, além de agregar novos fãs ao Nightwish. Eis a pergunta que não queria calar: como será o novo disco do Nightwish com Floor assumindo o vocal? A resposta veio em março de 2015, com ‘Endless Forms Most Beautiful’, o qual trouxe outras novidades além da voz de Jansen: o trabalho conta com Troy Donockley, responsável pela gaita de fole, flauta e toda a ‘pegada’ Folk nas composições do grupo, e infelizmente sem a presença do baterista Jukka Nevalainen, que afastou-se das atividades devido à problemas de insônia; as baquetas ficaram a cargo de Kai Hahto (Wintersun e Swallow the Sun).

Nas composições, ciência e razão caminham juntas, fortemente influenciadas por livros de Charles Darwin e Richard Dawkins, sendo que este último fez uma participação especial, cedendo sua voz grave às citações da faixa de abertura “Shudder Before The Beautiful”, que nos convida a desfrutar do disco, com rítmo forte e cadenciado, munido dos riffs enérgicos do guitarrista Emppu Vurinen. “Weak Fantasy” e “Yours Is An Empty Hope” disparam em peso, sendo que Floor nos mostra toda versatilidade de sua voz – que por vezes lembra as equalizações vocais de nossa Rainha do Metal Doro Pesch – em um duelo agressivo com o baixista e vocalista Marco Hietala. “Élan” foi uma das faixas singles escolhidas para apresentar ‘Endless Forms Most Beautiful’ ao mundo, faixa que transmite uma singeleza indescritível. O coral infantil que precede a delicada “Our Decades In The Sun” é de deixar qualquer um arrepiado, a fragilidade e tamanho decoro na voz de Jansen marcam, esta música é uma homenagem aos pais dos membros do Nightwish. A canção homônima “Endless Forms Most Beautiful” é o segundo hit de trabalho, para o qual também foi gravado um lyric video, conta com ritmo cadenciado, empolgante e um refrão fácil.

A adição de Troy Donockley, e todo seu talento com a gaita de fole e a flauta, representam com maestria o elemento Folk, que aparece sutilmente durante todo o disco, e ganha força em “My Walden”, “Edema Ruh” e “Alpenglow”. “The Eyes Of Sharbat Gula” é um instrumental, acompanhado por coral infantil que foi inspirado na foto de Sharbat Gula*. A canção de encerramento “The Greatest Show On Earth”, é uma verdadeira obra-prima e sem dúvida uma das inovações de Holopainen neste disco; sendo uma faixa longa e sublime, que chama atenção não apenas pela duração – 24 minutos – mas também porque nos presenteia com diversas passagens melódicas, divididas em cinco capítulos, capaz de nos transportar para trilha sonora de filmes épicos como “O Senhor dos Aneis” e “Harry Potter”, além de conter os vocais sopranos de Floor em certo momento da música, e ainda com a vibrante voz de Dawkins fazendo a citação de despedida. A orquestra ficou a cargo do maestro Pip Williams e sua equipe, enriquecendo o estilo Nightwish de fazer grandes composições. Mr. Holopainen, fundador, tecladista e principal compositor, comanda sua trupe com apreço musical, repleto de técnicas e qualidade ímpar.

‘Endless Forms Most Beautiful’ é formidável entre peso, estilo, melodia e identidade. Muitos fãs sentiram falta da veia operístico do grupo, em especial pelo tipo vocal de Floor Jansen neste disco, mas todo artista procura inovar entre um álbum e outro, e aqui está claro que a alma do Nightwish continua viva, e vai permanecer indestrutível entre o clássico e o Heavy Metal por um bom tempo, independente de quem assumir os vocais.

*Sharbat Gula – nome da criança de 12 anos de idade, que perdeu seus pais na guerra do Afeganistão, e ficou conhecida por sua foto intrínseca figurar na capa da revista National Geographic, em 1984.

Integrantes:
Floor Jansen – vocal
Marco Hietala – baixo e vocal
Emppu Vuorinen – guitarra
Tuomas Holopainen – teclado
Troy Donockley – gaita de fole, flautas e vocal
Kai Hahto – bateria
Jukka Nevalainen – bateria

Faixas:
01- Shudder Before The Beautiful
02- Weak Fantasy
03- Élan
04- Yours Is An Empty Hope
05- Our Decades In The Sun
06- My Walden
07- Endless Forms Most Beautiful
08- Edema Ruh
09- Alpenglow
10- The Eyes Of Sharbat Gula
11- The Greatest Show On Earth

Confira abaixo lyric vídeo para a faixa título e vídeo clipe de “Élan”: