The Ocean: o mundo conceitual de Robin Staps – entrevista exclusiva

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Entrevista por Leko Soares – Tradução por Rodrigo Gonçalves – Imagens por divulgação – Edição por André Luiz

Conceitos e temáticas filosóficas, ciência, religião, um metal progressivo obscuramente intricado e intelectual, mas que pode ser apreciado no bar regado a uma cerveja gelada. Difícil à compreensão? Não para Robin Staps, o guitarrista, compositor e ‘dono’ da banda alemã The Ocean Collective, ou simplesmente The Ocean. Ao longo de 16 anos frente a banda, com inúmeras alterações de line up, o grupo trouxe ao mundo obras primas como o full lenght ‘Pelagial’ de 2013 – uma ‘peça única’ com 53 minutos de duração –  e a dobradinha conceitual ‘Heliocentric’ e ‘Anthropocentric’ de 2010, três dos melhores álbuns do metal progressivo nesta década,

Há dias de se apresentar no Epic Metal Fest ao lado de Loïc Rossetti (vocal), Damian ‘Damo’ Murdoch (guitarra), Mattias Hägerstrand (baixo) e Paul Seidel (bateria), o músico Robin Staps – em entrevista exclusiva para o Portal Metal Revolution – literalmente divaga sobre os temas que circundam o conceito dos últimos álbuns da The Ocean, a idéia de Split EP’s por selo próprio como o ‘Transcedental’ ao lado dos japoneses do Mono, o debut no Brasil em apresentação única na cidade de São Paulo, entre outros temas. (ENGLISH VERSION BELOW).

Equipe MR – Primeiramente, obrigado pela entrevista. Em 2015 vocês lançaram a faixa “The Quiet Observer” no EP ‘Transcendental’ em conjunto com a banda Mono (Split EP). Qual foi a motivação para essa iniciativa em conjunto? Podemos esperar mais lançamentos neste formato no futuro?
Robin Staps –
A faixa não é efetivamente uma colaboração, foi simplesmente uma música do Ocean que apareceu num EP split que fizemos junto com o Mono. Nós já excursionamos ao lado deles várias vezes e as duas bandas queriam lançar material novo antes da turnê, por isso decidimos nos juntar. Eu tenho muito respeito pelo Mono como músicos e pessoas, e também os contratei para o meu selo Pelagic Records, portanto, isso foi uma grande oportunidade.

O EP ‘Transcendental’ foi o primeiro de uma série de lançamentos no formato Split EP que eu comecei a lançar pelo meu próprio selo, a Pelagic Records. A segunda parte foi um Split EP com o Cult Of Luna e a minha outra banda, The Old Wind; e a terceira parte foi um EP da banda de post rock sueca EF e outra de postrock psicodélico de Israel chamada Tiny Fingers. Mais edições da série “Pelagic split” estão sendo planejadas.

Equipe MR – Falando da música em si, a temática de “The Quiet Observer” me parece um tanto obscura e a cadência adotada ao longo dos 12m43s ainda que com inúmeras variações, se torna totalmente consoante ao aspecto lírico abordado. Qual a mensagem ou mesmo o conjunto de sensações que a banda pretendeu abordar com esta belíssima faixa?
Robin –
A música “The Quiet Observer” foi inspirada no controverso filme “Enter The Void”. O filme conta a história de um traficante de drogas que é baleado em um banheiro em Tóquio enquanto estava drogado, e entrando no que é referido como “um estado intermediário”, de acordo com o “Bardo Thodol, O Livro Tibetano dos Mortos”. O livro – que há anos serve como fonte de inspiração para muitos escritores, artistas e músicos de John Lennon à Aldous Huxley – descreve o estado imediato após a morte de uma pessoa, quando o intelecto da pessoa morta deve encarar suas próprias ilusões, na forma de divindades pacíficas e ferozes, em uma experiência psicodélica prolongada. Somente se consegue expor esses disfarces horripilantes como produtos de sua própria imaginação, ele pode escapar do eterno ciclo de renascimento, e, eventualmente, entrar no nirvana.

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Equipe MR – ‘Pelagial’, o último full-lenght lançado por vocês é com certeza um dos mais relevantes trabalhos de música progressiva que vieram ao mundo nesta década. Passados três anos do lançamento do álbum, que balanço você faz referente a repercussão do álbum? O trabalho atendeu às expectativas da banda?
Robin –
Obrigado. Nós temos excursionado sem parar desde que o álbum foi lançado, portanto acho que ele foi bem aceito. Nós estivemos tão ocupados com a turnê que não conseguimos achar tempo para gravar um novo álbum, o que geralmente é algo muito bom. A recepção tem excedido as minhas expectativas, acho que ganhamos muitos fãs novos com esse álbum. Mas agora estamos num ponto em que tocamos esse álbum na íntegra tantas vezes que estamos ansiosos por fazer algo novo.

Equipe MR – Historicamente, a discografia do The Ocean é marcada por densos álbuns conceituais. Ainda que ‘Pelagial’ se mantenha como um trabalho consistentemente temático, notadamente existem mudanças em relação aos anteriores. Que diferenças você pode apontar na estrutura estética dele em comparação aos álbuns anteriores?
Robin –
A principal diferença para os álbuns anteriores é que, com ‘Pelagial’, o conceito para o álbum já estava lá antes de eu começar a escrever as músicas, e que foi escrito como uma peça contínua de música, ao invés de uma coleção de faixas mais ou menos aleatórias. A ideia era fazer um álbum que é uma espécie de jornada da superfície até o fundo do mar – e eu queria que a música enfatizasse isso: começar com algo light, com sons que remetem à superfície, e ficando progressivamente mais obscuro, pesado e com afinação mais baixa, conforme você vai se aproximando do fundo e do “chão” do mar. Nos álbuns anteriores, a música foi escrita primeiro, e o conceito foi apenas desenvolvido no aspecto lírico.

Equipe MR – Tendo sido concebido como uma peça única de 53 minutos, vocês chegaram a executar o álbum na íntegra durante a tour de divulgação? Existiu algum projeto de integração ao vivo do álbum com outros elementos artísticos (teatrais, visuais) no sentido de ampliar a experiência do público em relação ao conceito da obra?
Robin –
Sim, nós sempre tocamos os nossos álbuns na íntegra ao vivo, do começo ao fim. Foi dessa maneira que o álbum foi escrito, as músicas estão numa certa ordem por uma razão, e não faria sentido trocá-las de ordem, ou tocar apenas metade do disco.

O lado visual da nossa performance – as projeções em vídeo, jogo de luzes e fogos de artifício – sempre foram muito importantes. Eu olho de uma forma holística – obviamente, para nós, a música é o nosso território principal, mas se você quer criar uma certa atmosfera, então, a luz, por exemplo, é algo extremamente importante. Você não seria capaz de criar algo denso se tiver uma grande luz rosa brilhando na sua face.

As projeções em vídeo adicionam uma outra dimensão à nossa performance. ‘Pelagial’ foi lançado em um DVD separado junto com um filme criado por Craig Murray. Foi um projeto ridículo, na verdade. Tanto eu quanto Craig Murray não sabíamos direito qual o rumo que esse projeto eventualmente poderia tomar quando começamos a trabalhar nele há mais de um ano, mas é meio óbvio que fazer um vídeo de 50 minutos é mais difícil que um videoclipe de 5 minutos de música… o Craig estava praticamente vivendo no seu saco de dormir no chão do seu estúdio nos últimos meses.

O filme obviamente tem bastante imagens embaixo d’água’, mas tem também uma protagonista feminina, que ironicamente se chama Arielle 🙂 Ela passa por diferentes estágios de emoção durante o filme: alegria, medo, dor, raiva, terror, enquanto vai afundando no abismo do fundo do mar, além do abismo de sua própria mente… O filme é bastante abstrato, o que foi algo intencional, visto que não queríamos ter um enredo. Nós queríamos manter o espectro de interpretações mais aberto possível, para que os espectadores do filme pudessem preenchê-lo com experiências relevantes à suas próprias vidas.

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Equipe MR – Voltando um pouco mais atrás na discografia da banda encontramos os magistrais ‘Heliocentric’ e ‘Anthropocentric’, ambos lançados em 2010. A temática, explorando a linha histórica que se inicia no momento em que Galileu “arranca” a Terra do centro do Universo e seguindo a partir da criação do Darwinismo com a publicação do Tratado sobre “A Origem das Espécies”, apresenta uma obra crítica e questionadora em relação ao Cristianismo e Criacionismo. Por se tratar de dois álbuns musicalmente distintos, mas liricamente complementares, é correto apontá-los como o conjunto mais denso e intelectualmente desafiador da discografia do The Ocean até o momento?
Robin –
Eu concordo, o tópico nesse álbum é bem mais intelectual do que o que perseguimos em ‘Pelagial’. Eu gosto de escolher um tópico temático – pode chamar de conceito – como uma espécie de guia para o álbum. Isso dá uma coerência temática ao álbum, faz com que seja menos aleatório e guia o trabalho de arte em uma direção específica. Eu sempre gostei de bandas que fazem isso. ‘Heliocentric’ e ‘Anthropocentric’ foram álbuns que lidaram com o legado do cristianismo. Eu estudei filosofia e passei um bom tempo ponderando sobre questões religiosas e o nosso legado cultural ocidental, que é baseado em crenças cristãs, mitologia e paradigmas morais – e até mesmo nas nossas sociedades seculares modernas e esclarecidas, esses conceitos ainda estão bem vivos em todos os aspectos. Portanto, criar esse álbum foi uma forma de expressar muita coisa que vinha pensando há alguns anos. ‘Heliocentric’ aborda o tópico de um ponto de vista histórico-cronológico, começando com o gênesis bíblico e indo via Copérnico e Galileu até a teoria da evolução de Darwin e seus efeitos na crença cristã e concluindo com o ateísmo moderno de Richard Dawkins. Já ‘Anthropocentric’ explora uma rota um pouco diferente do mesmo tópico, e se inspira principalmente nos trabalhos de Nietzche e Dostoyevski. O tema central é a contradição do problema do mal: se Deus existe e têm três atributos principais que os cristãos querem que ele tenha – onipresença, onipotência e bondade – então não deveria haver mau no mundo. Se você concorda que o mal existe, então é tão difícil fazer alguém admitir que, ao menos um desses três atributos não pode ser verdadeiro: porque se Ele fosse benigno, Ele não toleraria o mau. Se Ele fosse onipotente, Ele teria o poder de não tolerar o mal e seria capaz de mudá-lo… O álbum orbita ao redor desse problema, a relação entre o homem/razão e Deus.

Equipe MR – Sobre a participação da banda no Epic Metal Fest, festival que acontecerá em São Paulo, o que os fãs podem esperar em relação ao material selecionado pela banda para o concerto e o que vocês esperam dos fãs brasileiros?
Robin –
Não quero adiantar muita coisa, mas o foco será no álbum ‘Pelagial’. Não faço ideia do que esperar desse show, já que nunca estivemos no Brasil… Mas isso só faz tudo ser ainda mais empolgante! Espero que consiga conhecer pessoas legais nos dias que passaremos no país, estamos felizes de fazer parte desse festival e nos sentimos honrados por termos sido convidados pelos organizadores.

Equipe MR – Em sua opinião, qual importância tem a parte lírica das obras da banda, em relação à compreensão da sonoridade explorada por vocês, uma vez que, em poucos dias o The Ocean tocará em São Paulo para um público que não necessariamente conhecerá detalhes sobre os temas abordados nas músicas?
Robin –
Embora eu obviamente ache o aspecto lírico bastante importante, a nossa música tem um lado muito primário, não intelectual, que se sustenta sozinho. Você não precisa ler ou entender ou até mesmo apreciar Nietzsche ou Dostoyevsky para apreciar a nossa música. Nós não estamos forçando nossas letras nas pessoas, nós simplesmente estamos oferecendo algo. Você pode escolher aceitar ou não. Você pode ler nossas letras e pensar nas coisas que estamos falando, e se você descobrir novas ideias ou artistas através das referências contidas em nossas letras, isso é ótimo. Mas você também é bem-vindo a apenas beber uma cerveja, balançar a cabeça e se deixar levar pelo poder da nossa música… Você não precisa do lado intelectual para isso.

Para mim, pessoalmente, eu sempre me senti intrigado pelos artistas que de certa forma te recompensam se você for um pouco mais à fundo… Que tem algo a mais para oferecer, que abrem novas portas e lugares para você. Se você deixar se envolver por isso, pode abrir uma nova dimensão de apreciação pela arte. Quando eu gosto muito das músicas de uma banda, e leio as letras, pode acontecer duas coisas: me fazer apreciar ainda mais a música ou estragar a experiência… Às vezes, claramente, a ignorância é uma benção, haha…

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Equipe MR – Musicalmente falando, a banda apresenta mudanças visíveis de álbum para álbum, sempre acrescentando novas cores e elementos às composições. É notável, por exemplo, que ‘Pelagial’ soe menos intrincado, mais atmosférico e surpreendentemente ainda com mais variações se comparado ao ‘Centrics’ em sua totalidade. Essas mudanças são pensadas antes do início do processo de composição ou saem naturalmente à medida que as músicas estão sendo escritas?
Robin –
Eu não concordo que ‘Pelagial’ seja menos intrincado – pelo menos do ponto de vista lírico –, esse é o álbum mais intricado que já fizemos. É um desafio completamente diferente escrever um álbum que é basicamente uma peça de música de 60 minutos, ao contrário de escrever algumas músicas e agrupá-las de forma mais ou menos aleatória. ‘Pelagial’ é o álbum com mais camadas que já fizemos, com passagens, pequenas partes eletrônicas e instrumentos como cordas e pianos desempenhando um papel mais importante. Mas eu acho que o resultado final é de certa forma mais acessível. Isso tem a ver com uma mudança na forma como eu vejo os desafios enquanto compositor. Há alguns anos eu queria escrever músicas que fossem o mais complicadas possível. Hoje em dia, eu acho mais desafiador escrever uma música que seja mais simples e reduzida, para criar uma certa vibração ou atmosfera, ao invés de tentar alcançar isso com mudanças de tempo e assinaturas de tempo intrincadas.

Equipe MR – Excluindo ‘Transcedental’, o último trabalho da banda já completa 3 anos. Pergunta de fã: podemos esperar material novo para um futuro breve? Será outro álbum conceitual, mais pesado, mais progressivo?  Existe algo em mente que você possa nos adiantar?
Robin –
No próximo ano. Isso é tudo que posso te dizer por enquanto.

Equipe MR – Por fim, uma mensagem para os felizardos brasileiros que já conhecem o trabalho do The Ocean e para aqueles que virão a conhecer a partir desta entrevista. Muito obrigado pela conversa e nos vemos em São Paulo, no Epic Metal Fest.
Robin –
Nós nunca estivemos na América do Sul com a banda, portanto não sei ao certo o que esperar, para ser honesto… Mas isso é bom, porque significa que teremos bastante espaço para surpresas! Por favor, venha dizer um “oi” após o show, nós adoramos conhecer pessoas, e teremos um dia de folga, portanto ficaríamos bem felizes se vocês puderem nos levar a bares ou locais legais em São Paulo. 🙂

Muito obrigado pelo seu tempo!

Agradecimentos à Costábile Jr. pelo contato para realização desta entrevista.

ENGLISH VERSION

MR Crew – First, thanks for the interview. Last year, the band released the track “The Quiet Observer” on the ‘Transcendental’ EP. It was a collaboration with the band Mono. What was the motivation behind this project? Can the fans expect more releases like this in the future?
Robin Staps – The track was not an actual collaboration, it was simply an Ocean track that appeared on a split EP we did with Mono. We toured with them last year in Europe, and both bands wanted to release new material in time for the tour, so we decided to team up. I have a lot of respect for Mono as musicians and people, and I also have them signed to my label Pelagic Records, so this was a great opportunity.

The EP ‘Transcendental’ was the first part of a series of split Eps that I have started to release on my own label Pelagic Records. The second part was a split EP with Cult Of Luna and my other band, The Old Wind; and the 3rd part was an EP of Swedish post rock band EF and Israel’s psychedelic postrock band Tiny Fingers. More editions of the “Pelagic split Series” are planned.

MR Crew – Talking about the music itself, the theme behind “The Quiet Obsever” seems (at least to me) to be a bit obscure, with a sort of cadence that complements very well the lyrical aspect. What was the message or set of sensations that the band was trying to provoke when composed and recorded this beatiful track?
Robin – The Quiet Observer” was inspired by Gaspard Noe’s controversial movie “Enter The Void”. The movie tells the story of a drug dealer getting shot in a Tokyo toilet while tripping on DMT, and entering what is referred to as the “intermediate state“ according to the “Bardo Thodol, the Tibetan Book Of The Dead”. The book, which has been a source of inspiration for many writers, artists and musicians from John Lennon to Aldous Huxley, describes a state immediately after a person’s death, when the intellect of the dead person must face its own illusions, in the form of peaceful and wrathful deities, in a protracted psychedelic experience. Only if it manages to expose these horrifying guises as products of its own imagination, can it escape the eternal cycle of rebirth, and eventually enter nirvana.

MR Crew – ‘Pelagial’, your last full lenght album is in my opinion one the best progressive music releases of the decade. Three years since the album was released, what kind of reactions the band got and still get from the fans? Has it been meeting your own expectations?
Robin – Thank you. We have been touring pretty much non-stop since the release of ‘Pelagial’, so the album has definitely struck a nerve. We have been too busy touring to find the time to record a new album, and that is generally a great thing. The reception has exceeded my expectations, I think we have won a lot of new fans with this album. But now we’re at a point where we have played the album in its entirey so many times that we are really looking forward to do something new!

MR Crew – Historically, the band’s discography is known for conceptual albums. Even though ‘Pelagial’ is a conceptual album, there are some changes in comparison with earlier releases. What kind of differences can you point out in the album’s aesthetic structure in comparison with the earlier work?
Robin – The main difference to previous albums was that with ‘Pelagial’, the concept for the album was there before I started writing the music, and that it was written as one continuous piece of music, as opposed to a collection of more or less random songs. The idea was to make an album that is a journey from the surface to the bottom of the sea – and I wanted the music to emphasize that: starting out with light, major-dominated “surface sounds”, and getting progressively darker, heavier and lower in tuning, as you are approaching the deep sea and the seafloor. For the previous albums, the music was written first, and the concept was only happening in the lyrical realm.

MR Crew – Being designed as a one piece with 53 minutes of duration, did the band perform ‘Pelagial’ in its entirety? Was there ever a project of integration of the music with other artistic elements such as theatrical and visual with the intent of amplify the fans experience?
Robin – Yes, we have always played the album in its entire, from the beginning to the end. This is how the album was written, the songs are in a certain order for a reason, and it wouldn’t make sense to swap them around, or to only play half of the record.

The visual side of our performance – video projections and lighting and artworks — has always been very important, from the beginning. I look at art in a holistic way – obviously for us the music is our prime territory, but if you want to create a certain atmosphere, then lighting for example is extremely important. You won’t be able to create something dark, if you have bright pink lights shining into your face.

The video projections add another dimension to the performance. ‘Pelagial’ was released along with a movie by Craig Murray on a  separate DVD. It’s been a bit of a ridiculous project, really. Neither Craig Murray nor me knew which extents this project would eventually assume when we started working on it more than a year ago… but yeah it’s kind of obvious that making a 50 minute music video takes more time than a 5 minutes music video… Craig was pretty much living in his sleeping bag on his studio floor the past few months.

The movie obviously has lots of underwater imagery, but there is also a female protagonist, who ironically goes by the name Arielle in real life 🙂 She is going through different stages of emotions throughout the movie; joy, fear, pain, anger, terror, while she is sinking into the abysses of the deep, and into the abysses of her own mind… the movie is pretty abstract at times, which was an intentional choice, as we did not want to have a plot. We wanted to keep the spectrum of possible interpretations as wide as possible, so that the viewers can fill it with meaning that has relevance to their own lives.

MR Crew – Going back in time on the band’s discography we see the excellent ‘Heliocentric’ and ‘Anthropocentric’ albums, both released in 2010. The theme, which begins on the moment that Galileu “pulls” the Earth from it’s center and goes forth when Darwinism is created with the publication of “The Origin of The Species”, we see a work that is very critic e questioning of Christianity and Creationism. Being two separate music, but lyric complementing albums, it’s correct to say that they are the most dense and intellectualizing challenge works of The Ocean’s discography so far?
Robin – I would agree, the topic at hand here is a lot more intellectual then the topic we pursued with ‘Pelagial’. I like to choose a thematic topic – call it concept – as a guideline for a record. It gives the album thematic coherence, makes it less random and guides the artwork into a specific direction. I have always liked bands who do this. “Heliocentric” and “Anthropocentric” were albums that dealt with the legacy of Christianity. I have studied philosophy and spent a great deal of time thinking about religious questions, and our occidental cultural legacy, which is based on Christian beliefs, mythology and moral paradigms – and even in our enlightened and secular modern days’ societies, these still live on in almost every aspect of life. So making these albums was just an outlet for a lot of thinking I had been doing in previous years. Heliocentric approaches the topic in a historical-chronological way, starting with the biblical genesis and going via Copernicus and Galilei towards Darwin’s theory of evolution and its effects on Christian belief and concluding in Richard Dawkins’ modern atheism. “Anthropocentric” takes a bit of a different route towards the same topic, and mainly takes inspiration from Nietzsche’s and Dostoyevski’s thinking about the subject matter. The central question is the contradiction of the theodicy-problem: if God exists and has the 3 main attributes that Christians want Him to have: omniscient, omnipotent and benign, then there could be no evil in the world. If you agree that there is evil, which is not too hard to get anyone to admit I guess, than at least one of those 3 attributes cannot be true: for if He was benign, he would not tolerate evil. And if He was omnipotent, he would have the power not to tolerate evil and be able to change it… the album orbits around this problem, the relation between man/reason and God.

MR Crew – About the band’s participation on the Epic Metal Fest in São Paulo, what can the fans expect regarding the set list and what does the band expect to encounter from the Brazilians fans?
Robin – I don’t want to give too much ahead, but the focus will be on ‘Pelagial’. I have no idea what to expect from this show, as we have never been to Brazil before… but that makes it even more exciting! I hope we get to meet some cool people in the few days we are in the country, and we are stoked to be part of this festival and honoured to have been invited by the organizers.

MR Crew – In your opinion, what is the importance of the lyrics in the band’s work in comparison to the sonority, given that in a few days The Ocean will play in São Paulo to an audience that doesn’t have English as a primary language and not necessarily know the concept of your music?
Robin – While I obviously do find lyrics very important, our music has a very primal, “unintellectual” quality to it, which stands on its own. You don’t need to read or understand or appreciate the thinking of Nietzsche or Dostoyevsky to appreciate our music. We’re not forcing our lyrics onto anyone, we are simply making offers. You can take them, or not. You can read our lyrics and think about the stuff we’re talking about, and if you discover new ideas or new artists through the references and themes in our lyrics, that’s great. But you’re also welcome to just drink a beer, bang your head and get sweeped off your socks by the sheer power of the music… you don’t need that intellectual side for that.

For me, personally, I have always been intrigued by artists that would reward you if you dig a little deeper… that would have something to offer, that would open up new doors to new places for you. If you let yourself in for that, it can open up a new dimension of appreciating art. When I love a band’s music, and I read the lyrics, it can go both ways: it can either make me appreciate their music even more, or it can ruin the experience… sometimes clearly, ignorance is bliss, haha…

MR Crew – Musically speaking, the band shows visible changes with each album, always adding new colours and elements to the songs. It is notable, for example, that ‘Pelagial’ sounds less intricate, more atmospheric and with even more variations than ‘Centrics’. Are these changes something thought from the very beginning of the writing process or does come it naturally when the song are being composed?
Robin – I don’t think ‘Pelagial’ is less intricate – songwriting-wise, it is the most intricate album I have ever done. It is an entirely different challenge to write an album that is basically one 60 minutes long piece of music, as opposed to writing a few songs and putting them together more or less randomly. ‘Pelagial’ is also the most multi-layered album we have done, where soundscapes, subtle electronics and instruments like strings and piano play a more defining role. But I guess the overall result is somehow more approachable. This has to do with a shift in where I see challenges as a music writer – a few years ago, I wanted to write songs that were as complicated as possible. Nowdays, I find it more challenging to write a song that stuns through reduction and simplicity, in order to create a certain vibe or atmoshpere, rather than through heaps of tempo changes and intricate time signatures.

MR Crew – Excluding ‘Transcendental’, the last release was three years ago. A fan question: can we expect new material in a near feature? Will it be another concept album, more heavy, more progressive? Is there anything that you can tell us?
Robin – Next year. That’s all I can tell you for now.

MR Crew – Last, could you leave a message to your fans in Brazil and the readers of Portal Metal Revolution? Thanks for this conversation and see you in São Paulo.
Robin – We’ve never been to South America with the band before, so I don’t really know what to expect, to be honest… and that’s good, because it means plenty of room for surprises! Please come say hi after the gig, we love to meet people, and we have a day off so we would be very happy if you wanna come take us out to some cool bars or cool places in Sao Paolo 🙂

Thanks for your time!

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