Roger Hodgson – 18-03-2017 – São Paulo (Citibank Hall)

Texto por Clayton Franco – Fotos por Alvaro Ramos – Edição por André Luiz

Três anos após sua última passagem por terras tupiniquins, Roger Hodgson retornou para uma série de shows em nosso país. Tivemos a oportunidade de acompanha-lo no show de São Paulo, e assim como um bom vinho, quanto mais tempo passa, melhor fica o espetáculo proporcionado por este grande artista. E artista é a palavra que melhor pode defini-lo em todos os aspectos. Dizer que Hodgson é apenas o ex-vocalista do Supertramp é limitar toda sua habilidade como músico. Não apenas cantou na banda, como também tocou guitarra, piano, teclado e baixo além de ser compositor dos grandes clássicos do grupo a qual pertenceu de 1969 até 1983. Mais do que um vocalista, Hodgson é considerado a verdadeira voz do Supertramp. Ao deixar o grupo nos anos 80, se lançou em uma prolifera carreira solo com grandes músicas; e desde então sempre está na estrada para a alegria dos seus fãs.

Com o início marcado para 21h30m e apenas 10 minutos de atraso, Hodgson subiu ao palco de um Citibank Hall lotado. Diferente do show de 2014 realizado no Espaço das Américas, este foi um espetáculo para se assistir sentado, o que agradou em cheio ao seu público cativo. A grande ansiedade dos presentes foi substituída pela euforia ao iniciar o show com “Take The Long Way Home” seguida por “School”, dois clássicos do seu ex-grupo Supertramp. Com um grande sorriso no rosto e de forma muito bem-humorada, Hodgson agradeceu a presença de todos e acabou tecendo comentários sobre as greves e protestos que ocorriam em São Paulo durante todo aquele dia. Disse que aquela noite seria um momento para que todos relaxassem e deixassem os problemas do lado da casa de shows pelas próximas duas horas. Que seria um momento de felicidade em meio ao caos da vida do dia-a-dia. Desta forma, com uma salva de palmas dos presentes, o show continuou com “In Jeopardy”, primeira canção de sua carreira solo apresentada na noite.

Com uma excelente banda de apoio formada por Bryan Head (bateria), Aaron MacDonald (trompete e saxofone), Kevin Adamson (teclados) e David Carpenter (baixo), tivemos a execução de mais uma canção solo – “Lovers In The Wind” – antes dos grandes clássicos “Breakfast In America” e “Hide In Your Shell” que agitaram a todos os presentes que cantaram juntos em uníssono. Intercalando entre velhas canções do Supertramp e músicas de seus discos solos, tivemos tempo para “Along Came Mary” antes de duas grandes conhecidas de sua antiga banda: “The Logical Song” e “Lord Is It Mine”. A escolha destas músicas e na sequência a qual foram tocadas, mostrou que a escolha do seu set list pouco mudou ao longo das turnês em diferentes anos – a velha história do que é bom não deve ser alterado.

A noite avançava com “Death And A Zoo” quando tivemos um grande imprevisto no palco – o teclado, ligado a um laptop, parou de funcionar. Demonstrando calma e sabendo contornar a situação, Hodgson fez piada com a situação dizendo que ele ama a tecnologia moderna quando ela resolve funcionar. Arrancando risos da plateia e demonstrando que quem sabe faz ao vivo, estava na hora de improvisação. Escolhendo qual violão usar, partiu para um momento acústico composto por “If Everyone Was Listening” e “Even In The Quietest Moments” enquanto um membro da equipe técnica cuidava de resolver o problema técnico. Voltando para o teclado para iniciar “Child Of Vision”, o instrumento ainda não ligava. Novamente rindo, Hodgson chamou o roadie perguntando se deveria reiniciar o computador ou tentar comprar um mais novo. Demonstrando toda essa calma em um momento que poderia ter arruinado o show, vimos o quanto os anos de estrada e de palco lhe formaram uma base para poder improvisar sem deixar o espetáculo da noite parar. Desta maneira, ainda tivemos de forma acústica as canções “Love Is A Thousand Times” e “Know Who You Are” – esta última, vale citar que foi um ponto fora da curva, pois não estava prevista no set list.

Finalmente, com seu teclado devidamente funcionando – sem precisar ter comprado um novo computador como lembrou Roger –, o show continuou com o clássico “Child Of Vision”. E se o momento era de relembrar grandes canções do Supertramp, nada melhor que uma das mais conhecidas e épicas canções do grupo. Estou falando de “Dreamer”, que foi acompanhada por todos os presentes em uníssono. Para encerrar o show tivemos “Fool’s Overture” que causou muita comoção aos seus fãs assim como a canção anterior. Roger Hodgson se reuniu ao centro do palco com sua banda e agradeceu a todos os seus fãs, deixando o palco sob os aplausos de todos.

Ninguém arredou o pé do lugar. Ainda era pouco para uma noite tão boa como aquela estava sendo. E com o público clamando por seu nome, Roger retornou ao palco iniciando o bis com “Had A Dream”, canção de seu primeiro disco solo que recebeu uma grande improvisação no palco com Hodgson deixando-se levar na hora do solo de guitarra. “Give A Little Bit” nos levou novamente para os anos do Supertramp, e foi exatamente com uma canção de sua antiga banda – “It’s Raining Again” – que a magistral noite se encerrou. Novamente sobre fortes aplausos, o grupo deixou o palco, nos deixando ainda um gosto de quero mais e ávidos pela próxima turnê daqui a alguns anos. Agradecimentos finais à T4F pelo credenciamento de nosso Portal e produção do evento.

Set List Roger Hodgson:
Take the Long Way Home (Supertramp)
School (Supertramp)
In Jeopardy
Lovers In The Wind
Breakfast In America (Supertramp)
Hide In Your Shell (Supertramp)
Along Came Mary
The Logical Song (Supertramp)
Lord Is It Mine (Supertramp)
Death And A Zoo
If Everyone Was Listening (Supertramp)
Even In The Quietest Moments (Supertramp)
Love Is A Thousand Times
Know Who You Are (Supertramp)
Child Of Vision (Supertramp)
Dreamer (Supertramp)
Fool’s Overture (Supertramp)

Had A Dream
Give A Little Bit (Supertramp)
It’s Raining Again (Supertramp)

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