Beyond The Black: a nova sensação do symphonic metal mundial – entrevista exclusiva com Jennifer Haben

Entrevista por Edi Fortini – Pauta por Sara Ferrer e Edi Fortini – Imagens por divulgação – Edição por André Luiz

Para uma banda relativamente nova, formada apenas em 2014, a Beyond The Black já possui uma rodagem invejável: dois full lenghts lançados, shows ao lado de bandas de respeito no cenário mundial como Scorpions/Epica/Korn/ Queensryche/Within Temptation, performance elogiada no Wacken Open Air, premiação como “Melhor álbum de estreia” no Metal Hammer Award 2015… As situações citadas foram possível através do reconhecimento de público e crítica para os álbuns ‘Songs Of Love And Death’ de 2015 e ‘Lost In Forever’ de 2016, sendo que este segundo recebeu ma versão “Tour Edition” lançada em janeiro de 2017 no Brasil pela Hellion Records.

Em um bate papo exclusivo com o Portal Metal Revolution, a vocalista Jennifer Haben apresentou a atmosfera da Beyond The Black ao público brasileiro: comentou sobre o trabalho ao lado de Sascha Paeth, a participação de Rick Altzi – Masterplan – no novo álbum, a rápida ascensão da banda na cena heavy mundial, participação em festivais e ao lado de grandes nomes da música.

Equipe MR – Olá Jennifer, agradecemos pela entrevista. Você está acabando de retornar de uma turnê ao lado do expoente Epica juntamente com Powerwolf. Também excursionaram com os gigantes do Scorpions e Saxon and Hell. Como é para você ter a oportunidade de dividir o palco com essas bandas? Como foram essas experiências?
Jennifer Haben –
Olá! É ótimo falar com o Brasil! Que incrível! A experiência com essas bandas foi ótima! Todas as pessoas de todas as bandas foram muito gentis conosco. Foi muito legal pois nunca sabemos como as pessoas são depois de terem feito tantas coisas em suas vidas. O fato mais surpreendente foi eles se preocuparem se estava tudo ok conosco, muito gentis. A Simone do Epica me deu algumas dicas e um chá quando eu estava doente, foi muito legal com todos nós. Adoramos!

Equipe MR – Foram dois álbuns de estúdio, sendo o primeiro ‘Songs Of Love And Death’ de 2015 produzido por Sascha Paeth, tornando-se popular rapidamente pela Alemanha e Áustria. Quanto tempo vocês levaram para compô-lo e como foi todo o processo de produção? O Sascha é um nome bastante conhecido do público headbanger… Como foi trabalhar com ele?
Jennifer –
No primeiro álbum tivemos mais tempo para compor. Foram alguns anos sem shows onde fiquei experimentando todos os estilos de música. E em 2014 eu comecei a trabalhar com o metal sinfônico e foi 1 ano para produzir o primeiro álbum. Já com o segundo álbum foi um pouco mais difícil, pois estávamos em turnê e tivemos a oportunidade de estar com o Scorpions, então decidimos produzir o álbum 2 semanas antes dessa turnê e tivemos apenas a semana anterior para produzir tudo. Foi muito rápido. Para um terceiro álbum tentaremos fazer tudo com mais calma. E sobre Sascha, nós o adoramos! Nos vemos a cada 2 semanas, pois escrevemos músicas juntos, não somente para o BTB. É ótimo sempre trabalhar com ele.

Equipe MR –  ‘Songs Of Love And Death” tem diversos músicos convidados, a citar Sascha Paeth (com quem vocês já haviam trabalhado), Oliver Hartmann e Sander Gommans dentre tantos outros nomes. Como vocês chegaram até essas pessoas?
Jennifer –
Eu conheci apenas o Sascha pessoalmente. Com os outros convidados tivemos apenas a experiência de enviar as composições por internet e planejar tudo virtualmente, mas ainda assim foi ótimo.

Equipe MR – E sobre o segundo disco, ‘Lost In Forever’ de 2016, qual foi a principal diferença de do primeiro disco pra este? E como foi dividir os vocais com Rick Altzi, do Masterplan?
Jennifer –
A principal diferença entre os dois álbuns é que temos muito mais músicas variadas (em ‘Lost In Forever’) do que em ‘Songs Of Love And Death’. Algumas músicas são experimentais e de diferentes estilos. Eu adoro esse álbum, as guitarras são bem diferentes também. “The Other Side” tem uma atmosfera que nunca tivemos antes. Adorávamos fazer todas aquelas sonoridades diferentes. E estávamos em turnê com Rock Altzi quando eu pedi para criarmos algo juntos, ele aceitou e fiquei muito feliz. Então aconteceu essa participação bem especial e foi ótimo!

Equipe MR – A Beyond The Black é uma banda nova, nascida há apenas dois anos e já colheu vários frutos nesse caminho. Como e quando surgiu a ideia de montar a banda e qual o significado deste nome?
Jennifer –
Acho que a banda aconteceu meio que por acidente (risos). Como disse, passei 4 anos tentando estilos diferentes, mas o metal sinfônico foi especial por ser tão pesado. Tentei ter bandas com garotas, mas não funcionou, e com esses garotos foi diferente. Acho que estar com eles é bem menos complicado, então não mudaria nada hoje.  Sobre o significado do nome, acredito que um som obscuro, duro, pesado sempre esteve comigo, como nas letras do nosso primeiro álbum, mas sempre houve um pouco de esperança e luz nas músicas. E é a ideia principal por trás da banda.

Equipe MR – O sonho de muitas bandas novas é conseguir espaço em um dos maiores festivais de metal do mundo, o que acontece na casa de vocês – Wacken Open Air na Alemanha. Como foi esta experiência?
Jennifer –
O Wacken é tão maravilhoso! Nosso primeiro show em um palco foi lá. Todos os anos estamos lá agora e já nos sentimos em casa. É sempre bom tocar e rever tudo o que fizemos. Os produtores se preocupam com cada detalhe, inclusive no backstage, os shows são ótimos e acredito que vocês deveriam ter essa experiência em algum momento. É excelente!

Equipe MR – Falando um pouco mais sobre você, como foi seu primeiro contato com a música, quando você optou por ser vocalista de uma banda de metal, qual é seu estilo favorito?
Jennifer –
Acho que meu primeiro contato com a música foi ainda quando era bebê, pois minha mãe sempre cantava e tocava violão. Meu pai toca piano, meu irmão toca baixo e bateria, e nós tínhamos uma quando eu tinha 9 anos. Minha família sempre foi musical, tive aulas de música, piano, saxofone. Tudo era música para nós. Não poderia ser diferente, eu acho. Ouvia diferentes tipos de música quando era jovem, escrevi muitas músicas e me senti mais confortável com metal sinfônico, foi quando decidi me dedicar a este estilo. Mas eu acho que não tenho um estilo favorito. Acho que já ouviram falar que nem todo músico ouve o estilo que ele compõe, sabe? Posso dizer que adoro Disney. Ouço muito porque adoro a alegria na maioria das músicas, que é bem diferente do que eu faço quando estou no palco, e adoro essa diferença. E adoro Bring Me The Horizon! ‘Sempiternal’ (2013) é o melhor álbum que ouvi deles. Adoro Phil Collins, acredito que por causa da Disney e bem, são muitos estilos diferentes.

Equipe MR – Como é ser uma mulher na banda? Já sofreu algum preconceito por isso?
Jennifer –
Acredito que tenha dois lados. Você tem de ser mais garoto do que garota às vezes, porque eles têm suas piadas e você precisa ignorar e só deixá-los serem garotos. Mas você não precisa se portar como uma outra, posso ser uma mulher simplesmente e ser quem eu sou. São todos muito legais comigo. E sobre preconceito, acredito que as pessoas achem que uma mulher em uma banda de metal sinfônico sempre precisa ter um vocal clássico. Nós somos um pouco mais leves, mas sem vocal clássico, mas após os shows todos saem com um sorriso e isso é tudo o que queremos.

Equipe MR – Quais suas maiores inspirações para compor e o que você costuma fazer em seu tempo livre?
Jennifer –
Minha maior inspiração é o Queen. Também adoro Evanescence e bandas com mulheres nos vocais, porque adoro vozes poderosas e mulheres poderosas. Também adoro Nightwish, Within Temptation, Paramore, Halestorm e nossa, poderia dizer muitas outras. Bom, não faço muita coisa além da música, mas procuro passar muito tempo com minha família e com as pessoas que adoro.

Equipe MR – Como está a agenda de vocês para este ano? Algum novo projeto? Quais são os planos de vocês para o futuro?
Jennifer –
Para esse ano temos alguns festivais que incluem a Rússia, País de Gales, depois tocaremos no Wacken de novo, além de muitas datas que ainda estamos negociando. E não penso muito em outros projetos por enquanto, pois tenho muitos planos para o BTB. Mas posso ter algum outro projeto no futuro, pois adoro trabalhar no que gosto, então de repente daqui algum tempo posso querer fazer algumas músicas no estilo Disney (risos).

Equipe MR – Você conhece a fama dos fãs brasileiros e latino-americanos no geral? Quando você ouve falar de Brasil, qual o primeiro pensamento que vem a sua mente? Conhece alguma banda de metal brasileira (além de Sepultura)?
Jennifer –
Quando penso no Brasil, penso em carnaval e música. Adoro a forma que as pessoas daí festejam. Adoraria conhecer os fãs do Brasil. Espero estar no Brasil em algum momento, mas não temos nada programado até agora. Acredito que não conheça nada de música brasileira, não consigo lembrar de nada. Mas lembrei agora de um fato interessante de que no ano passado tivemos uma audição para novos músicos e uma banda completa gostaria de contar comigo como vocalista. E eu fiquei pensando “Caramba, Brasil é tão longe”, foi uma surpresa!

Equipe MR – Deixe uma mensagem aos fãs e leitores do Portal Metal Revolution. Obrigada pela entrevista.
Jennifer –
Gostaria muito de agradecer essa entrevista. Esperamos estar em algum momento em seu belo país e festejar com nossos fãs. Seria ótimo se fosse no carnaval (risos). Gostaria de vê-los em breve!

Agradecimentos à Thiago Rahal pelo contato para realização desta entrevista.

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