King Diamond: 30 anos de Abigail e retorno ao Brasil duas décadas depois – entrevista exclusiva


Entrevista por Alvaro Ramos – Pauta por Alvaro Ramos, André Luiz e Rodrigo Gonçalves – Imagens por divulgação – Edição por André Luiz

O músico dinamarquês Kim Bendix Petersen literalmente renasceu após sérios problemas de saúde que quase o levaram a morte nos idos de 2010. Recuperado física e mentalmente, o frontman do Merciful Fate com grande legado também ao lado de sua banda solo, não apenas possui muitas histórias como também influenciou grandes nomes do meio pesado como Slayer e Metallica. Em vias da comemoração dos 30 anos de lançamento do clássico álbum ‘Abigail’ e após duas décadas afastados do Brasil, o músico finalmente se apresentará no país no mês de junho como headliner do Liberation Festival 2017, trazendo um espetáculo  com grande estrutura de palco baseada no clássico álbum de 1987 o qual será executado na íntegra.

Em um bate papo exclusivo com o Portal Metal Revolution, King Diamond durante 45 minutos falou sobre vários assuntos, muitas vezes respondendo perguntas as quais ainda seriam perguntadas na sequência – quase que instintivamente –, as quais abordaram desde o retorno aos palcos até a possível reunião com o Merciful Fate, passando pela concepção do álbum ‘Abigail’ e as questões religiosas que há décadas afligem o mundo.

Equipe MR – Primeiramente vamos falar sobre o show que você fará aqui no Brasil em junho. Depois de mais de 20 anos, você finalmente voltará para sua segunda passagem pelo país. Fale um pouco sobre suas expectativas para essa vinda, e também das suas lembranças da primeira passagem por aqui.
King Diamond –
Bom, com certeza foi muito único para nós tocar sob a luz do sol, pois esse não é o melhor cenário para que o nosso show ocorra, mas tudo acabou funcionando corretamente. Foram dois shows, um com Mercyful Fate e um com King Diamond, então foi desafiador fazer dois shows seguidos. Nós também fizemos alguns shows com o Mercyful Fate em outras cidades do Brasil, então pudemos ver um pouco mais do país. Até mesmo pela Amazônia, uma ótima experiência também. Eu fui para Copacabana, pude tomar água de coco fresca, estas são algumas das coisas que me lembro dessa experiência. Mas o que mais me lembro são os fãs, essa é a lembrança que mais me marcou. Quão dedicados os fãs brasileiros são! E para nós, voltar dessa vez será até melhor, porque será a primeira vez que levaremos tudo, o show completo. Tudo estará lá! A mesma produção que usamos no último verão para tocar nos grandes festivais europeus e na turnê norte-americana de 2015. É a mesma produção, a coisa completa! Nada vai ficar faltando, estará tudo lá. Será uma experiência que vocês nunca esquecerão, isso eu garanto. É muito, muito único. Este é o melhor momento para ver King Diamond, o melhor momento para ouvir King Diamond. A banda está melhor do que nunca, nós soamos melhor do que nunca, a equipe que temos conosco é uma equipe de altíssima qualidade, nós nunca tivemos técnicos de som e de luz como agora… Nós trabalhamos duro para dar ao público um show que seja impecável. E quando você assiste o concerto todo, do começo ao fim, você passa por diversas emoções, vários climas diferentes, cenários… Há vários planos de fundo diferentes, e também planos laterais compondo o cenário. Há 4 mudanças de cenários, para que o clima ao decorrer do show vá mudando. Há muitas coisas que podemos fazer com a nossa produção, coisas que tornam o show muito único. Este show do King Diamond será único, e positivamente inesquecível.

Equipe MR – Com certeza será! E você não somente fará um show qualquer no Brasil, mas fará a apresentação que traz o álbum ‘Abigail’, que em 2017 completa 30 anos, na íntegra. Como está sendo executar este álbum depois de tanto tempo?
King Diamond –
Está sendo fantástico! Para mim, pessoalmente, isso me leva de volta àquele tempo quando nós fizemos o ‘Abigail’ em 87. Eu procurei, e achei uma cópia original do ‘Abigail’, que nunca foi remasterizada, eu não gosto muito disso. Era um álbum que não foi nem tirado da embalagem. O plástico ainda estava nele, então eu o abri e o ouvi com o novo sistema de som que eu havia instalado em minha casa, com alto falantes enormes, amplificadores, 2500 Watts de potência… E aquilo soava perfeito! Como eu posso dizer? Todas as frequências são projetadas perfeitamente. Então tudo soa absolutamente correto, 100% correto. E foi fantástico poder ouvir todas as dinâmicas do álbum, isso foi muito inspirador para mim. Foi inspirador para pensar em começar a escrever o próximo álbum de estúdio, que começará a ser escrito em algum momento deste ano.

Equipe MR – Há algum tempo vocês estão trabalhando em um DVD ao vivo e muito tem sido comentado sobre um aguardado novo álbum de estúdio do King Diamond. Em que estágio está esse DVD, há previsão de lançamento? E sobre o novo álbum, já estão em processo de composição?
King Diamond –
Nós estamos trabalhando no momento para finalizar um DVD. É um DVD Blu-Ray contendo dois shows, sendo um show da turnê que fizemos pelos Estados Unidos em 2015, em um teatro fechado, e também um show a céu aberto realizado no último verão no Graspop Festival. Nós também tocamos no Hellfest, Copenhell, Sweden Rock, Barcelona… Nós fizemos vários shows no último verão tocando este set do ‘Abigail’. Então este é o trabalho feito até o momento, e quando acabarmos isso, vamos começar a escrever o novo álbum do King Diamond. E será muito especial, pois terá esse sentimento do ‘Abigail’, que temos tocado tanto ultimamente. Eu vou falar com Roberto Falcão, que tocou os teclados do ‘Abigail’, além de ter sido responsável pela produção, porque ele já tem todas as configurações e sabe o espírito do disco. Ele usa equipamentos antigos de tubo, e isso pode soar meio antiquado, mas eu não dou a mínima, pois é disso que eu gosto. Eu acho que soará fantástico, e será ótimo se aprofundar nesse tipo de som. Eu tenho meu próprio estúdio agora, em minha casa, com microfones enormes, todas as ferramentas de produção, os melhores equipamentos… Então temos grandes expectativas! Agora posso fazer tudo em minha casa, não precisamos agendar horário em algum estúdio, eu posso cantar às 4 horas da manhã se eu quiser, posso gravar e regravar quantas vezes for necessário, pois não há ninguém me apressando ou pressionando, dizendo que ficará muito caro. Será muito diferente trabalhar dessa forma! As expectativas são muito boas. E o espírito de reviver essas músicas depois de tocá-las nos últimos tempos é muito bom. É muito mais prazeroso cantar essas músicas hoje em dia, porque minha voz está melhor do que nunca, em toda minha carreira eu nunca cantei tão bem como canto agora! Isso foi o que aconteceu depois que eu larguei os cigarros. É claro que eu mudei também a minha dieta, eu faço exercícios físicos para conseguir manter a forma, e isso são coisas que os médicos me recomendaram. Eles me disseram “Faça isso, faça aquilo, e o resultado será bom para seu coração”. E agora eu me sinto muito melhor, pois tenho uma maior capacidade nos pulmões depois que operei, então são coisas boas que me aconteceram depois de passar por aquele momento difícil.

Equipe MR – Então o King Diamond que tocará o ‘Abigail’ no Brasil em 2017 é ainda melhor que o que gravou este álbum em 87!

King Diamond – Sim! E isso me traz muitas memórias, desde as memórias de como o gravamos; os estúdios que íamos, os equipamentos, que usávamos… Era tudo muito diferente, nós não tínhamos tantas facilidades como temos hoje. Naquela época tudo tinha que sair corretamente, tudo tinha que estar certo. As coisas não podiam ser consertadas tão facilmente, às vezes você tinha que cortar uma fita, pegar outros pedaços e juntar tudo, eram coisas complicadas, mas também eram muito interessantes. As ideias dos produtores realmente importavam muito naquele tempo, ouvir o que eles sabiam, ou como deveríamos fazer ou não as coisas. Nós não sabíamos tanto sobre as gravações, sobre negócios, e como tudo funcionava. Estávamos começando a aprender como era o processo de assinar o contrato para lançar um álbum, negociar, etc. Agora temos muitas pessoas do nosso lado, para ajudar com essas coisas. Naquela época fazíamos tudo por nossa conta. Aprendemos muito durante aqueles anos, você deve sempre estar aberto para aprender coisas novas, fazer as coisas certas. Nunca pense que você é sábio demais para aprender algo novo. Sempre há algo a mais para aprender!

Equipe MR – ‘Abigail’ é um álbum conceitual que fala sobre morte, ressurreição, vingança, e outros temas (Desde a suposta traição da condessa LaFey, seu assassinato pelo conde, a mumificação do bebê arrancado do útero da condessa, a vingança do espírito Abigail…). Como surgiu a ideia para o conceito do álbum e a história envolvida nele? Como é revivê-la com a execução do álbum na íntegra 30 anos depois para um público renovado da música pesada?
King Diamond –
Este na verdade foi o único álbum que eu tive durante um sonho. Eu acordei desse sonho – ou pesadelo, chame como quiser – com todas essas coisas na cabeça, e estava pensando se deveria escrever tudo no papel, ou se esperava a manhã para começar. Mas eu fiquei com medo de deixar para depois e me esquecer do sonho. Então levantei, fui fazer um café e comecei a escrever tudo que conseguia me lembrar. 60 ou 70% da história foi escrita em uma única noite, não as letras do álbum, mas sim a história. E esta foi a única vez que isso aconteceu! Eu sempre quis fazer um álbum conceitual que contasse uma história, então com ‘Abigail’ eu tinha que tentar. Eu pensei, “Se falhar, falhou, mas eu preciso tentar”.  E as coisas aconteceram tão bem com ‘Abigail’ porque outras bandas fizeram álbuns conceituais, mas não com um conceito de horror. Então ele foi o primeiro. O estilo da música também foi o primeiro, porque há tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo no álbum, tantas dinâmicas diferentes, guitarras elétricas e acústicas, vocais variados, e também a forma que compomos foi única. Tudo simplesmente se encaixava, simplesmente acontecia. Não foi um álbum planejado, foi algo que veio do coração. E todos esses elementos juntos o tornaram um álbum sem igual.  E uma vez que você o ouve, eu não posso dizer que chega a ser chocante, nossa intenção nunca foi chocar ninguém. Mas algumas pessoas até se assustavam, porque era algo não familiar para elas. Era muito diferente, assim como era um pouco assustador ouvir o primeiro álbum do Black Sabbath quando eles apareceram pela primeira vez. Algumas pessoas estranham essas temáticas, gostar de filmes de terror e coisas do tipo. Mas esse nunca foi o caso para mim. Para mim sempre foi natural, as coisas não me assustam, eu me sinto muito relaxado e familiarizado com estas coisas. Muitas pessoas já vieram me falar “Cara, você não imagina o quanto eu fiquei assustado quando ouvi aquele álbum pela primeira vez”, e eu respondo “Sério? Ótimo! Mas essa nunca foi a minha verdadeira intenção”. Isso para mim não é uma imagem, nunca foi uma imagem ou um personagem. É simplesmente o que eu sou. São meus interesses pessoais, eu não tenho que tentar ser algo que não sou. Kim Bendix Petersen e King Diamond são a mesma coisa! Quando eu faço shows como King Diamond eu uso a maquiagem, mas essa é a única diferença. É algo que tenho naturalmente dentro de mim. A ideia da maquiagem veio de ver o Peter Gabriel do Genesis, álbuns como ‘The Lamb Lies Down on Broadway’, e aqueles sons mais antigos que eram bem pesados! Aquilo tudo mexeu com a minha mente, e suas máscaras e performances me fizeram decidir que quando eu tivesse uma banda, eu gostaria de dar ao meu público um show que eles também não esqueceriam. E agora, finalmente, nós podemos dar ao nosso público um show incrível e esse show específico que vocês verão é exatamente um show assim. Vocês merecem ver o show completo, o show que as pessoas de outros países puderam ver na turnê norte-americana e nos shows que fizemos na Europa. Por isso vocês devem, eu acredito que este é o melhor que nós já apresentamos, até agora. Pode ser que fique ainda melhor ano que vem, ou no seguinte.

Equipe MR – Com o King Diamond e Mercyful Fate você lançou álbuns que se tornaram grandes clássicos e ainda influenciam diversas bandas e gerações (nomes como Slayer, Metallica, Soilwork e Six Feet Under corriqueiramente citam o Merciful/Diamond como forte influência musical). Como você vê nos dias de hoje o seu legado no mundo da música pesada?King Diamond – É ótimo quando alguém diz que você é uma influência para as pessoas, é sempre uma honra ouvir que você influenciou a pessoa a fazer algo. Assim como David Byron (vocalista do Uriah Heep) foi para mim uma grande influência desde que ouvi seus primeiros álbuns, e ele continua sendo meu vocalista favorito mesmo já estando morto. Nas guitarras também, por exemplo, quando ouvi Jimi Hedrix tocando, eu queria fazer aquele som também. Então fui atrás de como conseguir uma guitarra, depois consegui juntar um pouco de dinheiro para comprar a minha primeira guitarra, que era bem simples, já que eu era praticamente criança e não poderia pagar por uma muito boa. Então eu pegava aquilo na mão e só ouvia uns ruídos, “plim, plim”, não saia som nenhum porque eu não entendia nada de música. Até que veio um cara, que era amigo dos meus pais, e me explicou que para conseguir tirar o som da guitarra, eu precisava de um amplificador. Logo depois consegui um pequeno amplificador, e então eu comecei a soar um pouco como a guitarra do Jimi Hendrix. Anos depois eu comecei a tocar guitarra em uma banda, e era algo bem primitivo. Fizemos um primeiro show num local onde mais 20 bandas se apresentariam, então só podíamos tocar 3 músicas. Alguns anos depois eu entrei no Black Rose, onde eu comecei a cantar, porque eles já tinham guitarras, tinham outros membros e só precisavam de um vocalista. Aí que eu fui começando a aprender as técnicas, e respirar corretamente para conseguir cantar e ir me desenvolvendo.  

Equipe MR – Você comentou que o Kim e o King Diamond são praticamente a mesma pessoa, com exceção da maquiagem. É por isso que você soa tão bem ao vivo, é algo natural seu e não um personagem forçado!
King Diamond –
Sim, é algo natural. Eu tento atuar com alguns personagens durante o show, que acabam fazendo parte da história. Quando sou o LaFey, eu sei que tenho que empurrar a atriz escada abaixo, e isso acaba sendo uma atuação, de certa forma. Faz parte do show!

Equipe MR – Muitas pessoas perguntam sobre a possibilidade de uma reunião do Mercyful Fate, e você sempre comenta que isso é uma possibilidade, mas que agora não é o momento. Enquanto isso não acontece, qual é sua relação com Hank Shermann, Michael Denner e os outros caras?
King Diamond –
Eu falo principalmente com Hank, pois ainda temos vários negócios juntos. Claro que falamos sobre música, às vezes, ele pode me mandar alguma coisa, pedir para eu ouvir e dar uma opinião. Como falei um pouco antes, agora tenho meu próprio estúdio em casa, o que facilitaria bastante caso algo assim acontecesse em um futuro. Ninguém sabe o que pode acontecer. Ano passado eu vi Timi, o aniversário do Mike Wead é amanhã (06 de abril) e eu vou falar com ele. Eu acabo tendo contato com quase todos os membros que passaram pela banda, a grande maioria ainda vale a pena manter o contato, são pessoas super legais para relembrar os velhos tempos e lembrar das coisas boas. Uma reunião do “Mercy” poderia com certeza acontecer, mas se isso acontecesse, teria que ser da forma correta. Não seria algo do tipo “Vamos nos reunir e tocar com qualquer formação”. Com certeza teria que ser eu e Hank, sem isso não seria Mercyful Fate na minha opinião. Mas se o “Mercy” for fazer algo, eu preferiria que fosse com a formação original. Isso seria muito interessante, com Timi, Michael Denner e Kim Ruzz. Mas eu não sei como Kim Ruzz toca bateria hoje em dia, pois todo mundo envelhece, mas nem todos têm a mesma estamina. Eu não sei como ele está, e se ele daria conta de um set de 90 minutos. Mas podemos ver isso, seria interessante. E também temos que estar com um bom visual, não pode ser um show ruim. Isso não seria certo com o Mercyful Fate nem com os fãs. Eu sei dos outros caras, só não sei muito como o Kim Ruzz está. Mas sei que Hank, Michael e Timi podem fazer um show com qualidade. Seria legal se pudéssemos tocar aquelas músicas da forma que elas devem ser executadas. É algo que pode acontecer um dia, então vamos sempre manter esta porta aberta.

 

Equipe MR – Nas suas composições, temas como horror e religião são sempre presentes, o que nos anos 70 causou um grande espanto em algumas classes mais conservadoras. Qual sua opinião sobre a diferença da intolerância religiosa naquela época e hoje em dia? E sua história com Anton LaVey?
King Diamond –
Eu não acho que algum dia os seres humanos irão ser completamente tolerantes uns com os outros. Não só por motivos religiosos, mas também por outras coisas, as coisas ruins da humanidade. Desde que o mundo existe, as pessoas se odeiam por acreditarem em coisas diferentes, ao invés de se respeitarem e entenderem que está tudo bem se o outro pensa de um jeito diferente. Nós não podemos todos acreditar em uma só coisa, já que não temos uma prova concreta de nada. O álbum ‘House Of God’ (2000) fala especificamente disso, que nunca houve um Deus que se mostrou para todas as pessoas do mundo e tenha conseguido provar que ele é o único Deus certo. Se isso tivesse acontecido, todos acreditaríamos na mesma coisa. Eu nunca tentei impor o como as coisas são nesse sentido, porque eu não sei como são. Não sei se há apenas um Deus, ou se existem vários Deuses… Simplesmente não sei. Então por conta disso eu não sou religioso, mas sou muito espiritual. Eu acredito nas coisas que vejo, poderes desconhecidos que existem entre nós. Eu acredito que um dia vou rever os meus pais quando não estiver mais aqui. Mas isso não é fundamento suficiente para uma religião. Eu gostaria que existisse um Deus que pudesse aparecer para todos, e mostrar que ele é o certo. Assim as pessoas não teriam mais que se matar por acreditar em diferentes deuses, esta seria uma grande ajuda, um grande começo para que a humanidade começasse a se unir. Mas, infelizmente, eu não acho que isso vá acontecer. Então neste meio tempo eu tento viver minha vida da forma mais tranquila possível, se as pessoas ao meu redor têm uma crença ou não, eu não me importo. Se elas me tratarem com respeito por não ter uma, está ótimo. E se não quiserem me respeitar por não ter uma crença como a delas, quero que vão pro inferno. Eu não tenho ódio destas pessoas, mas eu não quero perder meu tempo com elas, não preciso que estejam por perto. Eu tenho bons momentos com todos meus amigos, sem nem mesmo saber o que muitos deles acreditam; eu me preocupo muito mais em saber o tipo de pessoas que eles são. E eles agem da mesma forma comigo, então nos damos muito bem. Mas em geral as pessoas não são todas assim, infelizmente. Há muitas coisas pelas quais as pessoas julgam umas às outras. Às vezes eu penso no porquê de as pessoas não abrirem seus olhos e tentarem ver o que o outro tem a dizer. Em muitas situações, eu poderia tirar muito mais proveito e aprender bem mais, tendo uma conversa com um sem-teto que esteja morando debaixo da ponte, do que com o filho de um grande empresário que nunca tenha trabalhado nessa vida. Talvez esta pessoa debaixo da ponte tenha muito mais experiência de vida para me passar, então não dói nada manter seus olhos abertos para as pessoas. A maioria das brigas e conflitos poderiam ser resolvidos se as pessoas abrissem um pouco mais as suas mentes. Há muitas filosofias que eu retiro do satanismo e da Bíblia Satânica, que na verdade não é um livro religioso. “Bíblia” é uma palavra errônea para esse livro. Eu sigo essa filosofia de vida. Eu continuo vendo a filha de LaVey quando eu posso, ela é uma excelente pessoa. Eu vejo Karla LaVey, uma vez ela foi até um show meu, e depois do show ela me levou ao local onde Anton LaVey costumava fazer suas refeições. Foi uma experiência muito legal, estar lá e conversar sobre os velhos tempos. Eu tenho também uma carta que Anton LaVey escreveu para mim, é algo muito especial e muito pessoal. Uma vez mostrei esta carta para sua filha, e ela chegou a ficar emocionado ao ler as palavras sobre o que seu pai pensava de mim, chegou a cair uma lágrima de seus olhos. São ótimas memórias que tenho, e que continuam vivendo.

Equipe MR – Bom, eu gostaria de agradecê-lo pelo seu tempo, e pela ótima entrevista. Antes de finalizar, gostaria de pedir para que você deixe uma mensagem para os seus fãs brasileiros que estão aguardando ansiosamente para vê-lo aqui em nosso país depois de tanto tempo.
King Diamond –
Eu gostaria de dizer aos fãs do King Diamond e do “Mercy” que será incrível para nós finalmente termos a chance de levar o show completo para vocês pela primeira vez na história, e essa é a hora certa para ver o King Diamond ao vivo. Esse é o nosso melhor visual, é o melhor som que já tivemos, a melhor equipe que já tivemos… Será uma experiência inesquecível, vocês têm a minha palavra para isso! Nós compensaremos esse tempo todo longe levando a coisa toda para vocês. Então enquanto não nos encontramos, “stay heavy”!

Agradecimentos à Costábile Salzano Jr. pelo contato para realização desta entrevista.