Animals As Leaders – 29-07-2017 – São Paulo (Carioca Club)

Texto por Thiago Verpa – Fotos por Edi Fortini – Edição por André Luiz

Em sua primeira passagem por São Paulo, o Animals As Leaders arrastou uma grande quantidade de fãs ardorosos para o Carioca Club em uma fria noite paulistana. Com apenas três integrantes – os guitarristas Tosin Abasi e Javier Rayes, além do baterista Matt Garstka –, a banda é um monstro de metal bem sincronizado e lubrificado. Nenhuma nota é perdida ou tocada fora do tempo, não há erros. Trata-se da geração 2.0 de shredders, que pegou o exemplo de músicos como John Petrucci e Steve Vai e levou a um novo patamar, com escalas exóticas e o peso que só duas guitarras de oito cordas podem trazer. Vale mencionar que a banda não possui um baixista.

Às 19h05m, Tosin, Javier e Matt entraram de maneira tímida no palco – acompanhados pelos gritos fervorosos e ensurdecedores dos fãs presentes. Sem perderem tempo, tocaram “Arithmophobia” – de seu disco mais recente, ‘The Madness Of Many’, o qual compôs quase todo o set list da noite – ainda compuseram o repertório as faixas “Ectogenesis”, “Cognitive Contortions”, “Inner Assassins” e “The Brain Dance”.

Como mencionei, a timidez parecia realmente estar lá e pouco contato foi feito entre banda e fãs. Pelo menos até a metade do show. Pude observar que o mais sorridente no palco era Tosin Abasi, Javier parecia mais contido e Matt estava isolado em sua bateria, usando fones de ouvido. Mas isso foi mudando e a timidez foi derrubada pela empolgação do público. Logo, os três estavam sorrindo e interagindo mais, fosse com caretas, risadas ou com os “chifres” feitos por Javier com as mãos.

O som tirado das guitarras de oito cordas é impressionante e pesadíssimo, misturando uma palhetada híbrida com a convencional e até mesmo alguns “slaps” de baixo. Junte isso aos efeitos diferenciados trazidos pelas pedaleiras e algumas trilhas e você tem mais do que apenas solos rápidos. O som é coeso e encorpado, como se existissem mais do que três músicos no palco. Matt Garstka também impressiona com suas linhas complicadíssimas de bateria, ditando o ritmo sem nunca desacelerar ou perder a potência e o groove.

Com apenas alguns “Thank you” do sorridente Tosin entre uma música e outra, o show foi direto e reto, passando por músicas como “Wave Of Babies”, “Do Not Go Gently”, “Tooth & Claw”, “Nephele”, “Tempting Time” e “Ka$cade”. Depois desta chuva de notas, Javier e Tosin trocaram de instrumentos pela primeira vez – mais guitarras exóticas – e executaram uma de suas músicas mais famosas, “Physical Education”. O público já empolgado foi ao delírio com esta faixa e deu um show particular, cantando nota por nota da música – exceto as partes rápidas ou complicadas demais.

Mais uma troca de instrumentos: empunhando um violão de seis cordas “comum”, Tosin anunciou no microfone a música “Brain Dance”. Obviamente, seis cordas do violão e as oito da guitarra de Javier não eram suficientes e outra guitarra de oito cordas foi colocada no centro do palco em um suporte. Desta forma, Tosin ficou em poder de 14 cordas para fazer o que desejasse: o público estava em suas mãos.

Após “Inner Assassins” e “Woven Web”, Tosin fez talvez a maior interação entre banda e público, dizendo que tratava-se da primeira vez deles no país, mas que já amavam o Brasil. Citou músicos brasileiros como Yamandu Costa e arriscou falar “bunda” e “feijoada”, provocando risadas gerais. A pedrada final veio com “CAFO”, deixando os presentes enlouquecidos e encerrando uma noite memorável para os fãs de guitarra e música instrumental. Que venham mais vezes! Agradecimentos à Overload e The Ultimate Music pela produção do evento e credenciamento de nossa equipe.

Set List Animals As Leaders:
Arithmophobia
Ectogenesis
Cognitive Contortions
Wave Of Babies
Do Not Go Gently
Tooth And Claw
Nephele
Tempting Time
Ka$cade
Physical Education
The Brain Dance
Inner Assassins
The Woven Web
CAFO