Solid Rock – 15-12-2017 – Rio de Janeiro (Jeunesse Arena)

Texto por Rodrigo Gonçalves – Fotos por Bárbara Lopes (T4F) – Edição por André Luiz

Quando foi anunciado em maio, o festival Solid Rock logo se tornou um dos mais concorridos do ano. Com um line up que incluía Tesla, Lynyrd Skynyrd se apresentando pela primeira vez em várias cidades brasileiras e aquela que seria a última turnê do Deep Purple, os fãs logo ficaram empolgados. Mas, em novembro, o Lynyrd Skynyrd acabou anunciando o cancelamento da sua participação no festival. Felizmente, a produção do evento agiu rápido e trouxe outro grande nome para o seu lugar: os veteranos do Cheap Trick, outra atração inédita no país. Como o próprio nome do festival já sugere, a sólida line up segurou as pontas e as bandas embarcaram rumo à América do Sul no começo de dezembro, atraindo bons públicos por onde passaram. No Rio de Janeiro, foram cerca de 10 mil pessoas na Jeunesse Arena, os quais viram três grandes shows e de quebra ainda tiveram a chance de se despedir de um dos artistas mais populares do chamado rock clássico por aqui.

Quando o Tesla subiu ao palco pontualmente às 19h30m a Arena se encontrava vazia – o trânsito na zona oeste do Rio de Janeiro é cruel –, fato este que não importou para a banda. Um dos dois estreantes em palcos cariocas da noite, o quinteto de Sacramento subiu ao palco e, comandados pelo simpático e elétrico vocalista Jeff Keith não se fez de rogado, entregando um grande show com as armas que lhe estavam disponíveis. Se não tinham uma boa lotação no momento do seu show, contavam com um público fiel e ávido que aproveitava os espaços para chegar o mais perto possível do grupo e agitar sem parar em temas como “Edison’s Medcine”, “Heaven’s Trail (No Way Out)” e “Love Song”. Curiosamente, algo que parecia ser um consenso, pelo menos naquele momento nas imediações da pista vip, é que a banda arrastou sim uma boa quantidade de fãs e muitos afirmavam categoricamente que haviam comprado ingresso especificamente para vê-los. Foram 50 minutos de uma excelente apresentação, durante a qual Keith e companhia fizeram a alegria dos – principalmente os localizados na frente do palco – e puderam apresentar seu trabalho para o restante do público que parecia ainda não os conhecer, visto que os pedidos incessantes de interação por parte do vocalista passaram em boa parte do tempo quase que ignorados. Saíram de cena com a boa “Modern Day Cowboy”.

Tesla Set List:
Edison’s Medicine
The Way It Is
Hang Tough
Heaven’s Trail (No Way Out)
Signs (Five Man Electrical Band cover)
Love Song
Little Suzie
Modern Day Cowboy

Pouco tempo depois, foi a vez do Cheap Trick subir ao palco para dar início ao seu show. Banda com bastante experiência e anos de serviço prestado ao rock tradicional americano, embora não tenha o mesmo apelo do Lynyrd Skynyrd, o grupo de Illinois não precisou de muito tempo para fazer o público esquecer a banda de Ronnie Van Zant e companhia. Conseguiu isso fazendo um show energético, com todos demonstrando bastante vitalidade e vontade de proporcionar um grande espetáculo. A banda atualmente está excursionando o mundo divulgando o álbum ‘We’re All Alright!’, seu 18º álbum de estúdio, lançado em junho e do qual emprestou duas canções para o repertório: “Long Time Coming” e “You Got It Going On”. Além das músicas do álbum do álbum novo, em cerca de uma hora e meia de show, os veteranos passaram por diversas fases de sua carreira e apresentaram um show de alto primor técnico e com grande energia, o qual caiu rápido nas graças do público. Apoiados por alguns covers bem escolhidos como “Ain’t That a Shame” do Fat Dominos e “I’m Waiting For The Man” do lendário Velvert Underground – que contou com vocais de Tom Peterson –, o grupo também executou grandes sucessos de seu catálogo como “I Want You To Want Me”, “Surrender” e “Dream Police”, antes de deixarem o palco com a sugestiva “Goodnight Now”.

Cheap Trick Set List:
Hello There
Big Eyes
You Got It Going On
She’s Tight
Ain’t That a Shame (Fats Domino cover)
Clock Strikes Ten
When I Wake Up Tomorrow
Long Time Coming
Baby Loves To Rock
In The Street (Big Star cover)
Stop This Game
I’m Waiting For The Man (The Velvet Underground cover)
The Flame
I Want You To Want Me
Dream Police
Run Rudolph Run
Surrender
Goodnight Now

Sem se apresentar no Rio de Janeiro desde 2008, pontualmente às 23h, o Deep Purple, atração principal da noite, iniciou o seu show com o pé no acelerador, despejando quatro clássicos daqueles de botar sorrisos no rosto dos fãs e demonstrar porque a banda é reverenciada há décadas como uma das maiores da história do rock. Quando os primeiros acordes de “Highway Star” começaram a soar no sistema de som, o grupo já estava com a partida decidida ao se favor. A partir dali, “Pictures Of Home” que compôs a dobradinha do álbum ‘Machine Head’ – o maior sucesso do grupo –, “Bloodsucker” e “Strange Kind Of Woman” fizeram com que as quatro primeiras músicas sozinhas ocupassem quase 30 dos cerca de 90 minutos que durou a apresentação. Certamente um belo começo de espetáculo.

O show prosseguiu com “Uncommon Man” – dedicada ao lendário tecladista Jon Lord, falecido em 2012 – antes de descambar para a espetacular “Lazy” – com Gillan demonstrando estar com o gogó em dia –, outra do ‘Machine Head’ a marcar presença na noite e que contou com uma grande introdução no teclado do competente Don Airey, um dos dois momentos de brilho do homem que gravou teclados em quase todos os álbuns do Judas Priest desde 1990. O segundo foi quando executou o seu já tradicional solo, fazendo menções a grandes obras da música brasileira, como Aquarela do Brasil. Com “Knocking At Your Back Door” e “Perfect Strangers”, do álbum homônimo de 1984 que marcou o retorno da formação mais conhecida e também o último grande sucesso comercial do grupo, os veteranos entraram na fase derradeira do show e passaram a despejar clássico atrás de clássico: começando com “Space Truckin’” – a música que mudou a vida do vocalista Bruce Dickinson do Iron Maiden –, seguindo com “Smoke On The Water”, que contou com participação de Rick Nielsen, vocalista do Cheap Trick, antes de encerrarem a peleja com “Hush” e “Black Night”, tradicionalmente encarregadas da função há anos nos shows da banda.

Quem já foi a um show do Deep Purple, sabe que não deve esperar grandes surpresas ou mudanças na apresentação, os shows são bem parecidos entre si, principalmente em termos de set list. O que sempre contou a favor da banda foi a consistência de suas apresentações. Não importa que a idade tenha chegado para quase todos e com eles os inevitáveis problemas de saúde, mas quando eles sobem no palco, costumam colocar a maioria dos seus pares no chinelo, inclusive bandas com décadas a menos nas costas. Mas, ainda assim, o grupo consegue surpreender e entregar uma performance inesquecível como foi a da última sexta-feira. Em todos os shows do Deep Purple que já fui, nunca havia presenciado tamanha qualidade na produção e também uma apresentação tão intensa, com todos não apenas dando o máximo pelos fãs, mas como também claramente se divertindo e aproveitando cada momento. Certamente, o senso de encerramento pela já anunciada possível despedida dos palcos – com certeza das turnês grandes – deve ter contribuído bastante para isso.

Na saída, muitos ainda duvidavam que esta havia sido a última passagem da banda pela cidade, mas algo dito por Ian Gillan no final do show elucidava a questão. Sabe quando ao final de um show um músico normalmente se dirige ao microfone e diz “muito obrigado, nos vemos em breve”? Pois é, dessa vez Gillan disse “muito obrigado, vocês foram ótimos. Adeus!”. Agradecimentos à T4F a Nobre assessoria.

Set List Deep Purple:
Highway Star
Pictures Of Home
Bloodsucker
Strange Kind Of Woman
Uncommon Man
Lazy
Birds Of Prey
Knocking At Your Back Door
Keyboard Solo
Perfect Strangers
Space Truckin’
Smoke on the Water
Hush
Black Night

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