Depeche Mode – 27-03-2018 – São Paulo (Allianz Parque)

Texto por André Luiz – Fotos por Marcelo Rossi / Midiorama – Edição por André Luiz

Finalizando as datas latino-americanas da “Global Spirit Tour”, o Depeche Mode aportou em São Paulo trazendo seu impressionante show ao Allianz Parque. Após apresentações pelo México, Colômbia, Peru, Chile e Argentina, os ingleses aportaram no Brasil 24 anos depois – estiveram em São Paulo para duas apresentações no extinto Olympia em 1994. O show de abertura ficou por conta do multi-instrumentista paulista Gui Boratto.

David Gahan (vocal – 55 anos), Martin Gore (teclados, sintetizadores, guitarra, vocal – 56 anos) e Andrew Fletcher (teclados, sintetizadores, baixo, backing vocals – 56 anos), estão juntos desde 1980, ano de formação da banda na cidade de Basildon, Inglaterra. Com um repertório impressionante, influência musical para grandes nomes da música mundial no decorrer das últimas décadas, o Depeche Mode segue deixando sua marca no mercado musical, desta vez com o álbum ‘Spirit’, lançado em 2017. No palco, o trio foi acompanhado pelos músicos Peter Gordeno (teclados, baixo) e Christian Eigner (bateria). Já no Allianz eram cerca de 25 mil pessoas as quais consumiram a carga de ingressos para configuração do estádio – com o palco localizado no que seria o meio do campo de futebol.

Em meio às fortes chuvas que atingiram a capital paulista na noite de terça-feira, 27, exatamente às 21h44m a música “Revolution” dos Beatles passou a ser executada nos PA’s do Allianz Parque, seguida pela intro “Cover Me (Alt Out)” e em meio as alusões no telão a imagem do ‘Spirit’, os músicos surgiram no palco para execução da faixa inicial do mais recente álbum, “Going Backwards”: David na plataforma descendo para frente do palco portando um blazer avermelhado e incendiando os presentes com danças frenéticas. Detalhe para o quadro colorido no telão como se fosse uma pintura à Romero Brito, perdendo suas cores no decorrer da canção até ficar totalmente negra ao seu final.

David tirou o blazer e o DM seguiu com duas faixas do álbum ‘Ultra’ (1997): “It’s No Good” para explosão dos presentes e “Barrel Of A Gun”. “Muito obrigado, boa noite São Paulo, vocês são os melhores” bradou o frontman antes do início de “A Pain That I’m Used To” (‘Playing The Angel’, 2005) a qual marcou a primeira ida de Gahan à passarela presente no meio da pista para enlouquecer os presentes em meio ao show de luzes laranja e vermelho. Outra do disco de 1997, “Useless” contou com o vídeo clipe no telão ao fundo e dancinha peculiar de David em frente a Martin durante seu mini solo de guitarra. Já “Precious”, outra do trabalho de 2005, seguiu regada as palmas dos presentes no ritmo da canção.

Com iluminação lilás e posteriormente avermelhada, “World In My Eyes” (‘Violator’, 1990) trouxe à tona um David totalmente dançante contagiando o público, o qual cantou a faixa em alto e bom som. Detalhe para o “símbolo do óculos” presente tanto no telão quanto no gestual de Gahan e o dueto do frontman com Martin Gore. “Eu quero ver todo mundo” bradou David antes de “Cover Me” (‘Spirit’, 2017), com clipe no telão ao fundo. Luzes apagadas e restaram no palco apenas Martin e Peter Gordeno para um dueto voz/teclados de “Insight” (‘Ultra’, 1997), com os presentes acompanhando ao final repetindo o trecho “you’ve got to give love”. “Home”, outra do álbum de 1997, contou com a casinha no telão ao fundo e Martin ainda nos vocais – uma faixa que nasceu clássica – e marcou pela presença do músico na passarela regendo o coral de “oh” em um momento singular do show. A resposta dos presentes foi de forma tão efusiva que mesmo com o término da canção, os músicos retomaram no instrumental com Gahan regendo o coral de “oh” junto ao público.

Após os agradecimentos do frontman e apresentação dos músicos da banda, a retomada veio com a faixa “In Your Room” contando com um clipe da faixa nos telões e o público cantando em uníssono junto ao vocalista o clássico de 1993, do ‘Songs Of Faith And Devotion’. A capa do novo álbum retornou aos telões, e “Where’s The Revolution” foi entoada por David primeiramente no palco, depois seguindo para plataforma ao fundo e regendo os presentes durante o grudento refrão. “Everything Counts” marcou um momento espetacular, com público dançante cantando o hino do ‘Construction Time Again’ de 1983, bexigas azuis e amarelas jogadas aos presentes, show de luzes e telão exibindo a plateia do Allianz Parque, David deixando o público cantar sozinho ao final e se entregando ao momento com os dizeres “São Paulo, vocês são os melhores” – para alvoroço geral.

Luzes roxas deram o clima para “Stripped”, clássico do ‘Black Celebration’ de 1986, com destaque para Gahan apontando o microfone para a pista e deixando o público cantar o refrão, retornando posteriormente de forma magnífica agitando a todos. E agitação foi o mínimo que podemos dizer sobre a execução do hino do Depeche Mode, presente no ‘Violator’ de 1990, “Enjoy The Silence”: público cantando e dançando, celulares iluminando o estádio, banda empolgada, palmas ao ritmo do petardo, até mesmo um solo de bateria esteve presente durante a música. “Never Let Me Down Again” (‘Music For The Masses’, 1987) encerrou a primeira parte do show com show de luzes, público cantando alto literalmente na mão da banda , David interagindo com os presentes no tradicional “hands in the air” e atirando brindes ao público por uma espécie de arma de pressão.

A banda deixou o palco, mas retornou instantes depois para versão acústica de “Strangelove” (‘Music For The Masses’, 1987) para delírio geral, com Martin nos vocais e show de luzes em um Allianz em uníssono. “Walking In My Shoes” (‘Songs Of Faith And Devotion’, 1993) trouxe no telão um vídeo clipe com rapaz transgênero em alusão a clássica canção, resultando no público vibrante. “A Question Of Time” (‘Black Celebration’, 1986) iniciou-se com show de luzes, fez o público pular e dançar regados a um David vibrante performando com o pedestal do microfone, girando freneticamente e incitando os presentes a cantar. A faixa derradeira da noite foi mais um hino do ‘Violator’, “Personal Jesus”, fazendo todos vibrarem novamente e cantando em uníssono, até a despedida dos músicos os quais deixaram o palco após performance apoteótica.

Muito pode se questionar sobre o repertório de uma banda com quase quatro décadas de existência, e neste caso sempre faltarão hits no set list como podemos citar “Master And Servant”, “Black Celebration”, “Just Can’t Get Enough” ou “Policy Of Truth”. Na mesma proporção, devemos enaltecer a performance de um showman que no alto de seus 55 anos e histórico problemático – de confusões com bebidas e drogas a prisões e até mesmo chegando a ficar à beira da morte –, performa como poucos no palco demonstrando quase nenhuma perda de sua extensão vocal marcante dos anos 80/90, um dos últimos ícones do rock mundial que se apresentam ao vivo atualmente ainda com nuances do auge de sua forma física/vocal. O Depeche Mode fez mais de 25 mil pessoas cantarem e dançarem em uma noite chuvosa na cidade de São Paulo, mas será que esta cena se repetirá novamente na capital paulista? Afinal, de 1994 até 2018 foram 24 anos, então o que podemos esperar do trio Gahan-Gore-Fletcher? O ponto de interrogação permanecerá no ar por enquanto… Agradecimentos à Move Concerts e Midiorama.

Set List Depeche Mode:
Going Backwards
It’s No Good
Barrel Af A Gun
A Pain That I’m Used To
Useless
Precious
World In My Eyes
Cover Me
Insight (acústica)
Home
In Your Room
Where’s The Revolution
Everything Counts
Stripped
Enjoy The Silence
Never Let Me Down Again

Strangelove (acústica)
Walking In My Shoes
A Question Of Time
Personal Jesus

 

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