Odins Krieger Fest – 03-06-2018 – São Paulo (Tropical Butantã)

Texto por André Luiz – Fotos por Sergio Scarpelli Photos (OKF Produções) – Edição por André Luiz

Após o sucesso do Odin’s Krieger Fest 2017, a OKF Produções retornou com uma edição especial em 2018 chamada “Wolfenforest Edition”, encabeçada pela banda alemã Faun ao lado dos estonianos do Metsatöll. Três capitais receberam o evento, o qual contou com line up’s diferentes em cada cidade (em São Paulo, os “estrangeiros” receberam a companhia da Confraria da Costa e Terra Celta). Além das atrações musicais citadas acima, o festival também promoveu venda de hidromel/rum e exposição/comércio de produtos medievais no Tropical Butantã.

Os curitibanos do Confraria da Costa iniciaram seu show às 15h30m – meia hora após o divulgado – com um “boa noite tripulação” direcionado ao público e a execução de “Rússia Reversa” emendada com “És Cadavérico!”. Conhecida do público frequentador do festival, a banda entrou literalmente com o jogo ganho e após breve pausa emendou novamente duas músicas: a instrumental “Hungarian Dance n°5” e “À Deriva”.

Ivan Halfon (vocal, violão, banjo, flauta), Luiz Pantaleoni (baixo elétrico, contrabaixo, vocal de apoio), Abdul Osiecki (bateria, vocal de apoio), Richard Lemberg (violino), Anderson Lima (guitarra, vocal de apoio), Jhonatan Carvalho (saxofone, trompete, vocal de apoio) e André Nigro (percussão) embalaram os presentes com uma sonoridade tipicamente pirata, a citar letras características como “Oh! Garrafa” e “Balada dos Mortos” – esta precedida por um mini solo de percussão por André Nigro.

“Lagartos” e “Coisas piores acontecem no mar” não estavam presentes no repertório da apresentação dos curitibanos no Odins de dezembro/2017 – substituíram “Canto dos Piratas” e, surpreendentemente, “Preparar.. Apontar.. Fogo!!” –, já “Cia de Canalhas” foi cantada por todo Tropical Butantã e “Polka do Diabo” – com direito a máscara do vocal durante a música – mantiveram a empolgação do show. A Confraria possui três álbuns de estúdio gravados, o de 2010 que leva o nome da banda, e as faixas homônimas de 2015 e 2012 as quais encerraram a performance dos paranaenses no festival às 16h18m: respectivamente “Motim” e “Canções de Assassinato”. Após a foto com público ao fundo – a qual seria repetida pelas demais bandas da tarde/noite –, a Confraria da Costa deixou o palco com mais uma ótima apresentação no Odin’s Krieger Fest e a expectativa por um retorno tão logo possível à São Paulo.

Set List Confraria da Costa:
Rússia Reversa
És Cadavérico!
Hungarian Dance n°5
À Deriva
Oh! Garrafa
Balada dos Mortos
Lagartos
Coisas piores acontecem no mar
Cia de Canalhas
Polka do Diabo
Motim
Canções de Assassinato

Figura carimbada não apenas do festival como também marcando presença com shows solo na capital paulista, o Terra Celta veio de Londrina para trazer ainda mais euforia ao Tropical Butantã antes dos headliners do festival. Caracterizada pelas surpresas de repertório, o grupo iniciou sua apresentação às 16h35m com uma versão da canção italiana “Bella Ciao” seguida por um medley de canções escocesas – a destacar a clássica “Scotland The Brave” – e “O quadrado”, com grande participação do público regido pelo frontman Elcio Oliveira.

O frontman, aliás, destacou-se com seu discurso fora dos padrões e trejeitos no palco. Antes de “O Porco” ele citou a criação do ritmo novo “celtanejo” para se vingar do sertanejo atual – a faixa contou com trechos de música country e Raul Seixas, além de dancinha empolgante de Elcio – e, com sua nyckelharpa em mãos, ele pouco se importou que uma das cordas havia estourado – “não preciso, tem outras 15” – e comentou que “poucas vezes se ouviu duas nyckelharpas em uma noite, uma bem tocada e a outra não, vamos para segunda opção” ao anunciar a faixa “Forro Bretão”.

Elcio Oliveira (vocal, violino, gaita de fole, nyckelharpa), Alexandre “Arrigo” Garcia (acordeão), Edgar Nakandakari (banjo, bandolim, tin whistle, clarinete, gaita de fole, Hurdy Gurdy), Luís Fernando Nascimento Sardo (bateria, percussão), Eduardo Brancalion (guitarra, violão, bouzouki) e Bruno Guimarães (baixo) possuem um repertório contagiante e irreverente, porém também tem seus momentos sérios, e ele se traduz na música “Gaia” entoada pelos presentes em alto e bom som. “Até O Último Gole”, “Música, Piratas & Rum”, a instrumental “Tortuga” (instrumental) – com apresentação dos músicos ao final – e “Era uma vez” mantiveram a temperatura elevada no Tropical Butantã, mesmo em meio ao gélido fim de tarde de domingo.

“Esta é a saideira mas se vocês pedirem bastante teremos bis. Só não comecem agora para não parecer que estou manipulando vocês” brincou Elcio antes da faixa que leva o nome da banda, “Terra Celta”. Os músicos deixaram o palco por alguns segundos e retornaram aos gritos do público para finalizarem a apresentação às 17h51m ao som de “Ressaca”, com direito a um trecho de “Fogo e Paixão” do Wando cantada em uníssono pelos presentes. Antes da faixa derradeira do show, o frontman agradeceu a todos envolvidos na produção do Odin’s, expositores e grande público presente, pois esta é a real engrenagem que faz a máquina girar – Elcio, você esqueceu de citar as bandas de qualidade como a própria Terra Celta que cativam a participação ativa do público, a existência de festivais do estilo e a reunião dos expositores, por isso fica registrado nosso agradecimento a vocês como peça importante desta engrenagem.

Set List Terra Celta:
Bella Ciao
Scotland medley
O quadrado
O Porco
Forro Bretão
Gaia
Até O Último Gole
Música, Piratas & Rum
Tortuga
Era uma vez
Terra Celta
Ressaca

Pioneira banda de folk metal da Estônia, o Metsatöll surgiu no palco do Tropical Butantã às 18h27m com Lauri e sua kannel executando a dobradinha “Külmking” e “Metslase Veri”. Muito ativo no palco o multi-instrumentista regeu o público durante “Must hunt”, incitando a participação dos presentes, e já em posse de sua torupill assistiu Markus gritando “façam barulho” em português – prontamente atendido pelo público – em “Küü”. O vocalista agradeceu os presentes novamente em nosso idioma com um “muito obrigado”, disse que vieram da Estônia e era um prazer tocar “neste maravilhoso país com lindo mar” antes de executarem “Kivine maa”.

Fugindo um pouco da linha das demais bandas do festival, o Metsatöll – que significa lobo na língua da Estônia – trata-se de um dos pilares do folk metal desde 1999, mesclando heavy/thrash com sonoridades advindas de instrumentos tipicamente medievais como flautas, kannel e a gaita de fole estoniana conhecida como torupill. Pela primeira no país, a banda trouxe na bagagem seis álbuns lançados além de EP’s e singles, com destaque ao último full lenght ‘Karjajuht’ (2014).

A princípio, mesmo com a figura imponente no palco do vocal/guitar Markus “Rabapagan” Teeäär, o multi-instrumentista Lauri “Varulven” Õunapuu foi quem mais interagiu com os presentes: revezou-se entre torupill e flauta em “Vaid vaprust”, discursou em estoniano antes de “Saaremaa vägimees” durante a qual tocou sua torupill de costas – inflamando a participação dos presentes –, com a kannel em mãos perguntou ao público se gostavam de cerveja e disse que “a música seguinte falava sobre beber” ao assumir os vocais em “Tõrrede kõhtudes”. Em sua principal interação junto aos presentes, o vocal Markus disse que era a primeira vez da banda no Brasil e com a ajuda de um rascunho falou em português macarrônico “está música é sobre as lindas mulheres do Brasil” ao anunciar “Roju”. Completaram a line up do Metsatöll os músicos KuriRaivo (baixo, vocais) e Atso (bateria, vocais).

O show manteve-se em ritmo intenso com “Merehunt” e “Veelind”, já a melodiosa “Kuni pole kodus, olen kaugel teel” fez o público até mesmo conseguir pronunciar o nome da música durante o refrão. “Tuletalg” antecedeu a muito bem recebida “Vimm” cujo refrão foi bradado pelos presentes – destaque para o solo de Lari na torupill. “Metsaviha 2” e “Lööme mesti” encerrariam o show com um “muito obrigado Brasil” em português de Markus e Lauri agitando os presentes com sua gaita de fole estoniana, mas após uma curta pausa – os músicos nem sequer deixaram o palco –, Lauri retornou empunhando sua kannel executando um pequeno solo e encerraram definitivamente a apresentação com a pesada “Minu kodu” às 19h47m. O cartão de visitas dos estonianos foi deixado no Brasil, a mescla de heavy/thrash com elementos do celta/viking utilizada pelo Metsatöll com certeza angariou novos fãs para banda, assim como a simpatia e maneira despojada de se portar seja no palco ou junto ao público. Resta saber quando os estonianos lançarão material inédito, visto que desde o já citado full lenght de 2014 e a compilação ‘Vana Jutuvestja Laulud’ de 2016 – com duas faixas novas, entre estas “Vimm” executada em São Paulo – os fãs aguardam por novidades do Metsatöll.

Set List Metsatöll:
Külmking
Metslase Veri
Must hunt
Küü
Kivine maa
Vaid vaprust
Saaremaa vägimees
Tõrrede kõhtudes
Roju
Merehunt
Veelind
Kuni pole kodus, olen kaugel teel
Tuletalg
Vimm
Metsaviha 2
Lööme mesti
Minu kodu 

Seguiu-se quase uma hora de espera pelo principal nome do festival, desde o fim da apresentação do Metsatöll. Iniciada às 20h44m, a performance do supergrupo da Alemanha e ícone da música medieval mundial iniciou-se com a dobradinha “Andro” e “Wind und Geige”, para alvoroço geral do público presente no Tropical Butantã. Stephan explicou o significado da música a seguir e anunciou “Alba”, com destaque para Rüdiger no berimbau.

Em duas décadas de carreira, esta foi a segunda vez do Faun no Brasil – debutaram no país ao final de 2016. O sexteto formado por Fiona Rüggeberg (vocais, flautas, gaita de foles, dombra, rebab, pomme), Oliver “Sa Tyr” Pade (vocais, nyckelharpa, harpa), Stephan Groth (vocais, viela de roda, flautas, cistre), Rüdiger Maul (percussão, bateria, berimbau), Niel Mitra (sampler, sintetizador) e Laura Fella (vocais, tambor, mandola) demonstrou algum “conhecimento” de nosso idioma, mesmo claramente tendo usado expressões repassadas para eles: “energia sexual” e “uma caverna úmida de amor” foram termos utilizado por Stephan para pedir mais força no grito do público durante o “eh ioh” presente no refrão de “Walpurgisnacht”, logo a seguir Oliver mencionou a “dança do acasalamento” – feita pelo Dino da Família Dinossauros em um episódio do seriado exibido no Brasil nos anos 90 – para se referir a performance de Niel durante a música.

“A próxima é sobre vikings” disse o frontman antes de anunciar “Nacht Des Nordens”, com os vocais cativantes e melancólicos de Laura se destacando assim como seus duetos com Fiona. Os músicos deixaram o palco, exceto Stephan o qual com sua nyckelharpa brindou os presentes com “Intermission (Drehleier Intro)”, seguida pelo retorno de seus companheiros de Faun e a execução de “Blaue Stunde” com o próprio Groth nos vocais. Oliver assumiu novamente o microfone, comentou que o último álbum de estúdio da banda – ‘Midgard’ de 2016 – abordou o tema vikink e anunciou “Odin”, para explosão dos presentes. “Pearl” – com Laura novamente em destaque – e “Zeitgeist” seguiram a apresentação em grande estilo.

Em fevereiro de 2018 os alemães lançaram a coletânea ‘XV – Best Of’ – trazendo uma faixa inédita, e foi justamente “Feuer” a executada na sequência, um hit instantâneo o qual empolgou ainda mais o público do Tropical Butantã, marcado tanto pelo dueto de Laura e Fiona quanto pelo refrão melodioso com a imposição vocal de Fella. “Essa música foi feita para celebrar, uma celebração viking, e se chama “Iduna”” discursou Oliver “Sa Tyr” Pade ao anunciar a referida faixa, enquanto os presentes responderam com as mãos no alto sendo balançadas ao ritmo da música. A exemplo de Elcio Oliveira do Terra Celta, o frontman brincou sobre a música seguinte ser uma das últimas da noite, mas se pedissem bastante – tirassem a camisa e jogassem no palco, entre outras loucuras de fãs ensandecidos – tocariam mais, anunciando “Rhiannon”. Rüdiger regeu as palmas do público no ritmo de sua percussão, um dos pontos altos do show pela empolgação de músicos e plateia.

A banda deixou o palco e aos gritos de “one more song” retornaram tendo Laura e Fiona segurando uma bandeira do Brasil, e executaram a “Wenn wir uns wiedersehen” – com direito a apresentação dos músicos no meio da canção intercalados a solos dos respectivos instrumentos. Após a tradicional foto com o público de fundo e agradecimentos gerais, “Diese kalte Nacht” – do álbum ‘Von den Elben’ de 2013 – encerrou a performance do sexteto alemão em clima festivo. Passadas duas décadas de carreira, pode-se afirmar que a mescla da música folclórica pagã e medieval com letras inspiradas em temas diversificados como renascentismo ou mitologia nórdica do Faun caíram no gosto do público brasileiro. Se após o hiato de 18 anos os alemães vieram ao país duas vezes em menos de 24 meses, podemos aguardar novas (e inspiradas) visitas dos carismáticos músicos para saciar sua legião de fãs, e logicamente, após o sucesso do hit “Feuer” na coletânea ‘XV – Best Of’, um novo disco apenas com canções inéditas seria muito bem-vindo. Agradecimentos à Tedesco Comunicação e OKF Produções por mais esta marcante edição do Odin’s Krieger Fest.

Set List Faun:
Andro
Wind und Geige
Alba
Walpurgisnacht
Nacht Des Nordens
Intermission (Drehleier Intro)
Blaue Stunde
Odin
Pearl
Zeitgeist
Feuer
Iduna
Rhiannon

Wenn wir uns wiedersehen
Diese kalte Nacht

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