Lyria: inovação e amadurecimento, uma imersão no mundo da banda – entrevista exclusiva com Aline Happ

Entrevista por André Luiz – Imagens por divulgação – Edição por André Luiz

Conexão com o mundo moderno, interação junto aos fãs, músicas com temáticas comportamentais, dezenas de milhares de seguidores nas mídias sociais. Com apenas dois álbuns lançados, o histórico da banda carioca Lyria a coloca como um dos destaques do heavy metal brasileiro nos últimos anos. O recém lançado ‘Immersion’ aponta várias nuances de sentimentos e situações do dia a dia das pessoas, executadas musicalmente de forma mais densa e robusta se comparada ao disco lançado quatro anos atrás. Em entrevista exclusiva para o Portal Metal Revolution, a vocalista Aline Happ literalmente disseca o full lenght ‘Immersion’ e comenta sobre a evolução da banda e a proximidade junto aos fãs nas mídias sociais.

André Luiz – Primeiramente muito obrigado pela entrevista. São 06 anos de banda e 02 full lenghts neste intervalo de tempo – o ‘Catharsis’ de 2014 e o recém lançado ‘Immersion’ – através de campanhas de crowdfunding e mídias sociais com dezenas de milhares de seguidores. Poderíamos atribuir a ascensão do Lyria em tão pouco tempo à popularidade da banda no meio digital? Quais artifícios são utilizados para formação desta base tão sólida da banda, a qual não apenas atua nestes financiamentos mas também movimenta as mídias sociais e shows, mantendo o nome do Lyria em evidência?
Aline Happ – Olá, André e a todos do Portal Metal Revolution. Acredito que as mídias sociais tiveram e ainda têm um papel bastante importante na divulgação da banda e na fidelização dos fãs, pois por meio delas conseguimos manter um diálogo real com nossos fãs. Acredito que o maior artifício é esta proximidade entre o fã e a banda. Existe um sentimento de pertencimento, pois a informação não é simplesmente dada às pessoas. Elas também podem interagir com a própria banda, o que acaba criando uma identificação ainda mais forte.

André Luiz – Podemos notar uma evolução musical da banda se compararmos o ‘Catharsis’ com o ‘Immersion’. Considerando a continuidade da produção/mixagem/masterização do novo trabalho a cargo do Celo Oliveira no Kolera Home Studio, a experiência da banda em estrada com shows pelo território nacional, a convivência maior entre os músicos, o feedback de público e crítica, a estruturação da equipe por trás da banda… Como você resumiria esta evolução profissional do Lyria em apenas 06 anos e o nível de maturidade do processo de composição alcançado neste novo álbum?
Aline Happ –
 Eu sempre digo que o ‘Immersion’ é um ‘Catharsis’ mais denso e mais maduro. Acredito que a nossa própria evolução como músicos e como pessoas, além das experiências vividas ao longo deste tempo, tenham contribuído para esta evolução presente no novo álbum. Mas todo esse processo ocorreu de forma natural, é como se o próprio Lyria também fosse amadurecendo.

André Luiz – Ainda na questão da maturidade, observa-se a adição de elementos diversos durante as 11 faixas do ‘Immersion’, porém de forma coesa, soando naturalmente: dos corais característicos do metal sinfônico aos vocais adicionais do Thiago Zig tendendo ora para o alternativo ora para o death metal como em “Ashes Of My Fears”; determinadas nuances que passeiam entre os riffs de heavy tradicional do single “Hard To Believe” e “Something Is Rotten” até o folk metal em “Best Of Me”; da variação de timbres que você mesma emprega, como competente Mezzo Soprano que o é. Comente sobre a diversidade de influências musicais dos integrantes e seu reflexo no ‘Immersion’ como um todo.
Aline Happ –
 Obrigada. Temos gostos parecidos, porém influências musicais distintas. Colocamos um pouco de tudo aquilo que gostamos e misturamos nas músicas. Desde o início da banda, nós sempre buscamos nossa própria identidade e acredito que essa mistura ponderada de elementos está diretamente relacionada ao que é o Lyria. Temos também uma boa química para compor juntos o que acaba facilitando na hora de adicionar esses diferentes elementos.

André Luiz – As letras do ‘Immersion’ abordam temas comportamentais, situações pessoais do dia a dia. Especificamente falando sobre “Let Me Be Me”, única faixa a qual você escreveu sozinha – as demais foram com seu marido, Patrick Happ –, observa-se um desabafo sobre determinada situação que ocorrera contigo, uma espécie de grito “me deixe em paz pra fazer o que quero do meu jeito”… Esta atmosfera é refletida também nos arranjos melodiosos e vocais adicionais do Thiago. Comente sobre a motivação desta faixa.
Aline Happ –
Todas as letras são sobre situações que vivi ou presenciei de alguma forma e envolvem mensagens de libertação, mensagens positivas, conselhos e superação. Escrevi esta música quando estava profundamente irritada e magoada com certas cobranças e acusações que não faziam sentido. A ideia é justamente relacionada com esta libertação e a vontade de ser você mesmo.

André Luiz – “Follow The Music” e “Get What You Want” possuem uma sonoridade sinfônica, porém moderna e um tanto quanto tendendo para música alternativa. Se na primeira literalmente a banda pede para o ouvinte esquecer tudo e fazer uma imersão no mundo do Lyria – uma ode? –, na segunda transmite uma mensagem de incentivo e perseverança fazendo uso de frases como “lute por seus sonhos e encare todos seus medos” e “se você quer ser o melhor chegue ao seu limite”. Canções que parecem continuação uma da outra musicalmente mas com mensagens distintas… Como foi idealizada esta sequência de faixas dentro do conceito de ‘Immersion’?
Aline Happ –
Na verdade as duas se complementam também nas letras. Primeiro você deve sentir a música, fazer uma imersão e se aventurar na arte de forma a ouvir as mensagens, sem se preocupar com certas coisas. Dessa forma, já relaxado e motivado, você pode e deve começar a lutar por aquilo que deseja, ir em busca dos seus ideais. Durante o processo, “Get What You Want” foi uma das primeiras faixas a serem pensadas e quando a “Follow The Music” começou a tomar forma, foi bem natural a escolha desta sequência para abertura do álbum.

André Luiz – “The Rain” aborda com lirismo e muita propriedade o tema do autismo, ilustra perfeitamente uma pessoa nesta situação falando a respeito de si em forma de canção. Qual foi a base para composição desta música?
Aline Happ –
“The Rain” foi inspirada em um poema de um fã australiano, que é autista e superou as adversidades de sua condição. Tanto o poema quanto a letra da música podem ser encontrados no livro de sua autoria “Human: Finding myself into the Autism Spectrum” (Warren Mayocchi). Esta música foi parte de um prêmio do primeiro financiamento coletivo, no qual a pessoa poderia escolher o tema de uma nova música do Lyria e o Warren escolheu o “autismo” e nos enviou o seu poema caso quiséssemos usar como inspiração. Felizmente, acho que conseguimos captar a essência das palavras dele e transformar aquela emoção em uma música com muito sentimento.

André Luiz – O vídeo clipe de “Hard To Believe” foi produzido pela CS Music Videos com direção e cinematografia de Vinicius Hozara, além de roteiro do próprio Lyria. Como se deu a escolha desta faixa como primeiro single/clipe do ‘Immersion’ e como foi a execução do trabalho em vídeo?
Aline Happ –
“Hard To Believe” tinha um pouco de cada música dentro dela, por isso foi escolhida para ser o primeiro single do ‘Immersion’. Assim, ela consegue fazer uma espécie de resumo do que se pode esperar do novo álbum. Esta música fala sobre ansiedade e depressão e no vídeo retratamos estas condições por meio do ambiente, dos movimentos e da “voz sem rosto” relatada na letra.  A gravação do clipe foi feita em um dia em um galpão.

André Luiz – Confesso que o refrão de “Give Just A Minute” permaneceu na minha mente por alguns dias após a primeira audição do ‘Immersion’; por outro lado, “Ashes Of My Fears” denota um conflito interno representado com maestria tanto pelo instrumental denso e marcante quanto pela interação entre você e o Thiago Zig – opinião pessoal, uma das melhores músicas lançadas em 2018 no heavy metal nacional. Poderíamos resumir ‘Immersion’ como uma explosão de sentimentos distintos faixa a faixa ligados por um conceito comportamental?
Aline Happ –
Hahaha, isso é bom, daqui a pouco você está cantando o álbum todo. Sim, ‘Immersion’ está todo conectado e inclusive também está conectado ao nosso primeiro álbum, o ‘Catharsis’. Primeiro você precisa fazer uma catarse, uma limpeza e jogar fora tudo o que te incomoda para poder então, fazer uma nova imersão em si próprio. Todas as faixas são carregadas de sentimentos, e a ideia é que esta imersão possa te afetar positivamente de alguma forma.

André Luiz – Saindo um pouco do conceito do álbum, como se deu a entrada de Thiago Mateu na banda? A motivação da troca do baterista, o conhecimento de seu trabalho ou indicação de terceiros…
Aline Happ –
 No momento, precisávamos de alguém que realmente gostasse do estilo e viesse somar à banda, então anunciamos nas redes sociais e fizemos uma seleção. Tivemos muitos interessados, alguns realmente excelentes. Fizemos diversos testes e no final optamos pelo Thiago.

André Luiz – O Lyria foi uma banda pioneira na modalidade de shows online transmitidos por streaming. Como vocês observaram este gap e o transformaram em oportunidade? No meio metal atual, a criatividade pode ser o diferencial entre estar em evidência e ser “mais uma banda”?
Aline Happ –
Percebi que muitos fãs ficavam encantados quando viam um vídeo de show ou uma simples foto. Então o show online era uma maneira de levar a música para todos os nossos fãs que estavam espalhados em diversos lugares do mundo e não tinham a oportunidade de nos assistir ao vivo. Os shows online também são uma experiência única, pois o público interage enviando comentários ao vivo, os quais nós respondemos. Com certeza você tem de trazer algo significativo para os seus fãs, criar laços, ou você será apenas mais um.

André Luiz – Fazendo uma “imersão” na cena rock/metal atual, como os valores estabelecidos seja por público, produtores, casas de show, mídia, enfim, tudo o que cerca este meio, tem na sua visão agregado ou prejudicado o crescimento da cena no Brasil? A questão comportamental do músico como indíviduo – no que tange por exemplo a egoísmo e inveja ou cumplicidade e reciprocidade – têm sido um ônus ou bônus para este (não)crescimento?
Aline Happ – Infelizmente muitas pessoas vão te julgar arrogante por você ter seu trabalho reconhecido. Muitos vão querer copiar todos os seus passos. É algo normal. Mas é importante não desistirmos dos nossos objetivos e não nos sentirmos abatidos com esse tipo de coisa.

André Luiz – Em meio aos trabalhos com o Lyria, como fica a questão família? A contar que o Patrick Happ participa de quase todas letras do ‘Immersion’, a convivência entre Lyria/família parece muito bem… Os músicos seguem carreiras profissionais ou rotinas de estudo em paralelo à banda?
Aline Happ –
As nossas famílias nos apoiam, parte da minha família faz parte também da equipe e nos assessora muito. No caso, além do Lyria eu tenho minha coleção de acessórios, o Thiago tem um estúdio e dá aulas de bateria, o Rod também dá alguns cursos de violão e o Thiago e o Zig tocam também em uma banda cover.

André Luiz – Como foi a intoxicação alimentar que gerou o cancelamento do show em São Paulo? Como foi a sua recuperação e o que podemos esperar para o show no dia 25/11?
Aline Happ –
 No dia anterior ao show de São Paulo, nós comemos no Habib’s de São José dos Campos. Logo depois já começamos a nos sentir estranhos, como se estivéssemos muito cheios, o Thiago chegou a ter azia, mas conseguimos fazer o show em São José dos Campos. No dia seguinte, já acordei bastante enjoada e chegando a São Paulo tive diversas complicações típicas de uma intoxicação alimentar. Queria muito fazer o show, mas era impossível. Parte da equipe e da banda foram ao local do show receber os fãs e explicar a situação. Já no local e com parte do público presente, o Zig também começou a passar mal, tendo os mesmos sintomas que eu tive. Felizmente agora já estamos recuperados e vocês podem esperar um show bastante energético e emocionante no dia 25! Estamos ansiosos para ver nossos fãs paulistas!

André Luiz – Muito obrigado pela entrevista. Deixe seu recado para os leitores do Portal Metal Revolution e fãs da banda Lyria.
Aline Happ –
 Obrigada pela entrevista. Para quem quiser conhecer a banda, seguem alguns links. Também estamos no Spotify, Deezer, Itunes, Amazon, Google Play, dentre outros sites.

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