New Order – 28-11-2018 – São Paulo (Espaço das Américas)

Texto por André Luiz – Fotos por Stephan Solo (Move Concerts / Midiorama) – Edição por André Luiz

Fábrica de hits, uma das bandas mais aclamadas da história, expoente tanto do Rock quanto da Música Eletrônica, precursora do chamado Dance Rock, este é o New Order que retornou ao Brasil para shows em São Paulo, Uberlândia e Curitiba. A banda inglesa da cidade de Manchester aportou na capital paulista na quarta-feira, 28, no palco do Espaço das Américas, apresentando um repertório repleto de clássicos de seus 38 anos de carreira. Um grande público lotou as dependências da casa de shows, marcando presença desde a abertura da casa às 19h30m para conferir as performances de Rocksted, Barja e Fractall nas pick ups.

Às 21h58m encerraram-se os sets dos convidados para abertura da aguardada atração da noite. Exatamente um minuto depois, às 21h59m, “Das Rheingold: Vorspiel”, música clássica de Richard Wagner passou a ser executada nos PA’s, culminando na entrada dos músicos e a execução da faixa “Singularity”, presente no mais recente álbum de estúdio da banda, ‘Music Complete’ de 2015, com direito ao vídeo clipe sendo exibido no telão ao fundo, e seguida por “Age Of Consent” – ‘Power, Corruption & Lies’ de 1983 – e seu ritmo contagiante.

“Muito obrigado” interagiu pela primeira vez Bernard Sumner, já emendando com outra do álbum de 1983, “Ultraviolence”, destacando-se o telão psicodélico – tônica da apresentação durante toda noite – mesclando imagens de bala de revólver e um show de luzes. Formada atualmente por Gilian Gilbert (teclados, synth), Bernard Sumner (vocal, guitarra, synth), Stephen Morris (bateria, synth, programação), Tom Chapman (baixo) e Phil Cunningham (guitarra, synth), esta line up já gravou dois álbuns desde a saída de Peter Hook em 2011, e fora exatamente do mais recente full lenght de inéditas – o décimo da carreira do New Order – que saíram a maioria das canções presentes no set list, como “Academic”, faixa cativante, com levada tranquila e ótimo solo, enquanto no telão ao fundo exibia-se imagens de uma pessoa na neve.

Pausa para água e em meio aos dizeres “it’s not the end” ao fundo, executaram “Your Silent Face”, do disco citado de 1983, com o telão mesclando imagens do mar, cidades, o céu e ao fim os nomes dos músicos em meio as paisagens. Oriunda do Joy Division, logicamente a presença de clássicos dos pioneiros do pós-punk estariam presentes no set list do New Order, e a primeira destas foi “Decades”, última faixa do álbum ‘Closer’ de 1980, com seu clipe original sendo exibido no telão e Sumner tomando a frente no solo de guitarra ao final da canção.

Com o jogo ganho, o frontman tomou as rédeas da apresentação durante a execução das composições seguintes do ‘Music Complete’: pela primeira vez na noite deixou sua guitarra de lado, interagiu com os presentes enquanto a letra da música era exibida repetidamente no telão ao fundo e agradeceu – “thank you, obrigado” – ao final de “Superheated”, já “Tutti Frutti” teve direito a dancinha na frente do palco e pedidos – prontamente atendidos – de palmas junto ao público em meio a figuras geométricas no telão mescladas a personalidades da antiguidade. O início característico da faixa clássica do ‘Low-Life’ de 1985 fez os presentes vibrarem e novamente baterem palmas junto à Bernard em “Subculture”, destacando-se o telão com um “x” mesclado a variações de figuras geométricas/coloridas.

“Muito obrigado, é fantástico estar aqui em São Paulo, mas o trânsito é uma droga” discursou o vocal arrancando risos da plateia antes de uma das mais aclamadas canções do New Order, “Bizarre Love Triangle” do ‘Brotherhood’ de 1986, ovacionada por todos e cantada em uníssono em meio a um show de luzes. Mantendo a euforia, o New Order emendou com “Vanishing Point” – ‘Technique’ de 1989 – destacando-se as imagens de águas vivas coloridas no telão. Visivelmente satisfeito, Sumner agradeceu e novamente com sua guitarra em punho disse que “estava sendo uma ótima noite” antes de anunciar a faixa título do álbum de 2005, “Waiting For The Siren’s Call”, disseminando o clima dançante à discoteca anos 80 no Espaço das Américas.

Público nas mãos, os teclados de Gilbert deram o tom do que viria a seguir, mais uma do mais recente álbum – a última da noite –, “Plastic”. Sumner novamente estava sem sua guitarra e cativou os presentes ora dançando ora nas palmas, ambiente estilizado com fumaça de gelo seco e um show de luzes azuis e verdes na base do strubble, porém o telão fora show à parte, exibindo uma estrada em 3D a qual transformava-se em pista de avião, depois de pedra e assim sucessivamente, terminando em uma “passagem” tridimensional como se convidando os presentes a uma viagem no túnel do tempo. O clássico disco de 1985 novamente fez-se presente através do ritmo dançante e melodia cativante de “The Perfect Kiss”, com o público seguindo Bernard e sua guitarra cantando o refrão da faixa, e telão mesclando imagens de cidades com linhas imaginárias em diversas direções.

“True Faith” apareceu pela primeira vez em 1987 na gravação do live album ‘BBC Radio 1 Live in Concert’ – lançado apenas em 1992 – e posteriormente surgiu como single, uma das músicas mais aclamadas do New Order. Com este clássico os ingleses prosseguiram a excelente apresentação em São Paulo, destacando-se – para variar – o telão: imagens de montanhas, figuras geométricas e uma mulher fazendo linguagem de sinais foram exemplos da mescla psicodélica exibida, variação de imagens a qual contrastou com o pedido de palmas de Bernard e a euforia dos presentes. E se o clima nostálgico estava em alta, por que não alcançar o ápice com o maior sucesso do NO, “Blue Monday”? A mítica canção do ‘Power, Corruption & Lies’ transformou de vez o Espaço das Américas em pista de dança: plateia levantando os braços e cantarolando a clássica música, Phil Cunningham nos synths ao lado de Tom Chapman dando o tom da batida e Bernard Sumner ao lado de Gilian Gilbert no teclado em meio ao strubble intermitente até o final apoteótico.

As luzes foram acessas e levemente apagadas para destacar a aparição da imagem de um globo espelhado no telão ao fundo. Em meio a muita fumaça de gelo seco e Sumner na guitarra chamando os presentes a entoar o “uhuuuuu” no ritmo marcante da música, o single oitentista “Temptation” fora executado com maestria. Cunningham e Chapman brincavam junto a bateria durante o solo de Bernard, na sequência o baixista chamou os presentes nas palmas e o “ohohohohoh” fora entoado pelo Espaço das Américas em peso, até que chegara ao fim a canção com imagens de antigas fitas cassete no telão ao fundo – como se dizendo “chegamos ao fim da fita”. Após muitos agradecimentos, a banda deixou o palco.

Em meio a expectativa dos presentes, os músicos retornaram minutos depois para um encore 100% Joy Division. Inicialmente com “Disorder”, seguida por duas das mais aclamadas faixas da banda setentista: “Atmosphere” com imagens do vídeo clipe da música ao fundo e sua melodia cativante sendo cantarolada de maneira emocionante pela plateia; “Nossa última música, há mais canções mas não há tempo” discursou Sumner antes de iniciar o clássico atemporal “Love Will Tear Us Apart”, entoado em uníssono pelo público, com show de luzes ao ritmo da bateria de Stephen Morris e público eufórico quando os dizeres “Forever Joy Division” surgiram no telão. Sobre o telão, destaque durante toda a apresentação pela psicodelia, não precisou exibir nada mais do que o nome da faixa clássica porque o jogo estava ganho. Em meio aos sinais de “–” e “+” intercalando ao fundo, os britânicos encerraram sua performance exatamente às 0h05m, em pouco mais de duas horas de apresentação repleta de hinos incontestáveis do rock e eletrônico. Citar ausências até certo ponto sentidas como “She’s Lost Control” ou “Isolation” do Joy Division se encaixa no discurso final do frontman sobre a falta de tempo – talvez iniciando o show meia hora mais cedo poderia ter sido diferente –, porém como exibido no telão, o menos é mais em se tratando de New Order e a disposição de um grupo com quase 4 décadas de carreira que em meio a idas e vindas permanece arrastando milhares de pessoas para um show em plena quarta-feira à noite na maior cidade da América Latina – e quem duvida que lotariam um Espaço das Américas também em uma segunda/terça/quinta-feira, qual o limite para os fãs? Agradecimentos à Midiorama, Move Concerts e Talento Comunicação.

Set List New Order:
Singularity
Age Of Consent
Ultraviolence
Academic
Your Silent Face
Decades (Joy Division)
Superheated
Tutti Frutti
Subculture
Bizarre Love Triangle
Vanishing Point
Waiting For The Siren’s Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Blue Monday
Temptation

Disorder (Joy Division)
Atmosphere (Joy Division)
Love Will Tear Us Apart (Joy Division)

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