Eluveitie e Tuatha de Danann – 15-02-2019 – São Paulo (Carioca Club)

Texto por André Luiz – Fotos por Júlio Szoke – Edição por André Luiz

Retornando ao Brasil após quatro anos, a banda suíça Eluveitie, um dos maiores nomes do Folk Metal mundial, aportou na capital paulista para o que seria a primeira apresentação com a nova formação diante do público brasileiro. O repertório fora composto por seus maiores clássicos, além de sons que virão a fazer parte de seu futuro álbum, ‘Ategnatos’, a ser lançado no mês de abril. A “tour” anunciada com quatro shows no Brasil – a qual culminou em apenas um devido divergências entre empresário dos suíços e produção nacional, e posterior show “de última hora” pelo Eluveitie junto a produtores cariocas na cidade maravilhosa – contava com o Tuatha de Danann como convidado especial, divulgando o EP ‘The Tribes Of Witching Souls’.

(NOTA DO EDITOR: esta matéria visa abordar o show de São Paulo das bandas Eluveitie e Tuatha de Danann, não comentar sobre os desdobramentos do restante da turnê ou apontar quem estava certo ou não em todo imbróglio decorrente do cancelamento dos shows no Brasil. A imprensa deve cumprir um papel imparcial e guardar opiniões para matérias editoriais, não levantar a bandeira em defesa de A ou B).

Desde a abertura da casa programada para às 19h30m, as filas formadas pela Rua Cardeal Arcoverde apontavam para uma boa presença de público no Carioca Club. No palco às 20h34m com Nathan ao violino enquanto os demais músicos se organizavam no palco, o Tuatha iniciou sua apresentação com um medley composto por “Behold The Horned King” e “Believe: Its True”. Em meio a alguns ajustes no som da guitarra do Rafael e do baixo de Giovani – situação a qual seria recorrente durante toda performance dos mineiros –, Bruno Maia agradeceu os presentes e comentou sobre o stand do Tuatha no qual eram comercializados tanto o novo EP ‘The Tribes Of Witching Souls’ quanto três tipos de hidromel da banda, anunciando na sequência a faixa “We’re Back”, iniciada no violino e sendo acompanhada pelos presentes na base das palmas.

Após pedidos de Nathan para aumentar o volume de seu violino, fora executada a faixa “Rhymes Against Humanity” com destaque para o primeiro momento de Bruno com bandolim e o solo de guitarra de Raphael. Fernanda Lira da banda Nervosa foi convidada ao palco e ao lado dos integrantes do Tuatha cantou “Tan Pinga Ra Tan” contando com público ativo, seja no coral entoado em uníssono seja no trecho de “scream vocals” de Fernanda. Assumindo o microfone enquanto novos ajustes no instrumental eram realizados no palco, a convidada comentou sobre o show no Manifesto Bar algumas semanas depois ao lado dos mineiros e brincou dizendo “era pra cantar a próxima faixa, não esta que cantamos de ‘feliz’”. Bruno tentou utilizar o banjo mas sem som, optou em seguir na base da guitarra mesmo, comentando que não tinham nenhuma base gravada e se tivessem que errar ao vivo eles errariam mesmo – alusão ao pouco tempo para passagem de som que tiveram e ao fato da própria Eluveitie possuir algumas bases instrumentais gravadas em seu show –, antes de anunciar “Warrior Queen”. A faixa do EP ‘The Tribes Of Witching Souls’ trouxe o violino ditando o ritmo, trechos na flauta e público acompanhando nas palmas as interações entre Fernanda Lira e Bruno nos vocais.

Após a despedida de Fernanda, Bruno anunciou uma música dos primórdios da banda – “somos de 94, somos bem velhos” –, “Us”, com a flauta ditando o ritmo, seguida por “The Brave And The Herd” – com destaque para o banjo “OK”, arrancando gritos entusiasmados do público devido situação ocorrida anteriormente. Bruno comentou novamente sobre o stand da banda e anunciou a faixa título de seu EP, “The Tribes Of Witching Souls”. Com 25 anos de carreira e várias mudanças de formação, o Tuatha de Danann trata-se de figura carimbada nas principais casas de shows de São Paulo, tornando os fãs da capital paulista íntimos de seu repertório. Nesta apresentação, Bruno Maia (vocal, flauta, guitarra, bandolin, banjo), Giovani Gomes (baixo, scream vocal) e Edgard Brito (teclado) vieram acompanhados de Rafael Ávila (bateria), Nathan Viana (violino) e Raphael Wagner (guitarra). E nesta toada, o vocalista comentou que a faixa seguinte tinha dois nomes, antes de invocar o espírito de “Land Of Youth (Tir Nan Og)”, cantada pelo Carioca Club em peso.

Em meio a um jato de gelo seco no palco e palmas dos presentes, “The Dance Of The Little Ones” fora anunciada por Bruno e comemorada na casa de shows. Após apresentação dos músicos, o frontman discursou dizendo que “a música seguinte é sobre um anão bêbado filha da puta que se chama…” e iniciou-se a clássica “Finganforn” cantada em uníssono, encerrando o show da banda de Varginha exatamente às 21h38m com público aplaudindo efusivamente os músicos e Bruno Maia agradecendo a todos antes da tentativa de foto com público ao fundo – cortada pela produção do Eluveitie conforme informações do Tuatha e da EV7. Em meio a inúmeros problemas técnicos, restrição para passagem de som, até mesmo estranhamento com equipe da banda principal da noite, a qualidade e profissionalismo do Tuatha de Danann se sobressaíram no Carioca Club, com reconhecimento do público e reafirmação do nome dos mineiros entre as principais bandas do país – tanto pelo trabalho novo quanto postura digna de respeito ao público em meio a tantos percalços.

Set List Tuatha de Danann:
Behold The Horned King /  Believe: Its True
We’re Back
Rhymes Against Humanity
Tan Pinga Ra Tan
Warrior Queen
Us
The Brave And The Herd
The Tribes Of Witching Souls
Land Of Youth (Tir Nan Og)
The Dance Of The Little Ones
Finganforn

Retornando ao país após quatro anos, pela primeira vez com a nova formação, o Eluveitie aportou no Brasil prometendo trazer no repertório seus maiores clássicos e material integrante do futuro álbum, ‘Ategnatos’, a ser lançado no mês de abril – o segundo gravado com a atual line up, sendo o primeiro ‘Evocation II: Pantheon’ de 2017. Após uma nuvem de gelo seco se formar, as cortinas foram abertas exatamente às 22h11m com a faixa título do próximo trabalho de estúdio, “Ategnatos”, em meio ao público com celulares em punho vibrando na primeira participação de Fabienne com sua harpa e na entrada de Chrigel portando sua mandola. Após aplausos efusivos ao fim, os suíços emendaram com ”King” do ‘Origins’ de 2014, cativando a hiperatividade do público o qual vibrava no ritmo dos riffs pesados e bradando ao sinal de Chrigel, tendo como ponto alto a mescla de guitarras, violino e flauta em um solo espetacular ao vivo. Sem tempo para os presentes descansarem, mais uma canção emendada, “Nil” do ‘Everything Remains (As It Never Was)’ de 2010, destacando-se peso e melodia dos riffs além do vocal potente de Chrigel mesclados com atuações de Nicole e Matteo no violino e tin whistle respectivamente.

Em meio ao ritmo alucinante, seguiram ao som de “Omnos” do álbum de 2009 ‘Evocation I – The Arcane Dominion’, com Fabienne e sua voz cativante assumindo o protagonismo ao lado de Nicole e Chrigel nos backing vocals. “Obrigado São Paulo” em bom português iniciou Glanzmann ao final em sua primeira interação com o público no show, prosseguindo com agradecimentos aos presentes e anunciando a primeira de uma sequência de quatro faixas do último disco de estúdio da banda, ‘Evocation II – Pantheon’ de 2017, “Lvgvs”, com Matteo na gaita de fole iniciando a performance comandada novamente por Fabienne. A trinca seguinte do mesmo álbum fora composta por “Catvrix” – luz azul e palmas ao ritmo da música, som meio tribal e Fabienne em interpretação fantástica sendo ovacionada ao final –, “Artio” trazendo Erni sozinha no palco entoando a canção – arrancando vários comentários do tipo “canta demais!!!” – e após Chrigel empunhando sua mandola pedir palmas para Fabienne e discursar, os presentes foram convidados a participarem de “Epona” – público pulando e batendo palmas ao cativante ritmo da faixa, cujo refrão fora bradado pela plateia que ao fim aplaudiu efusivamente a talvez principal faixa do citado disco de 2017.

Chrigel Glanzmann (vocal, mandola, flauta, gaita de fole, bodhrán) após a debandada do trio formado pela frontwoman Ana Murphy – após 11 anos de banda –, do guitarrista Ivo Henzi e do baterista Merlin Sutter, estabilizou a line up do Eluveitie ao lado de Fabienne Erni (vocal, harpa, mandola), Nicole Ansperg (violin), Michalina Malisz (hurdy-gurdy), Kay Brem (baixo), Rafael Salzmann (guitarra), Jonas Wolf (guitarra), Matteo Sisti (tin whistle, gaita de fole), Alain Ackermannr (bateria), formação com a qual gravou ‘Evocation II – Pantheon’ em 2017 e estão finalizando o novo ‘Ategnatos’. A palavra gaulesa “Ategnatos” significa “renascimento”, basicamente é isto que Chrigel busca para o Eluveitie, após um álbum basicamente acústico e o lançamento do single “Rebirth”.

Um duo de peso do ‘Everything Remains (As It Never Was)’ de 2010 agitou o Carioca Club: “Thousandfold” contou com a plateia pulando e participando ativamente ao lado de Chrigel, já “Quoth The Raven” trouxe novamente o frontman no comando das ações com Fabienne fazendo dueto ao lado de Glanzmann no refrão. Se toda banda que se preze possui seus hits, podemos afirmar que “The Call Of The Mountains” – ‘Origins’ de 2014 – trata-se de “O” hit do Eluveitie, e a faixa gravada originalmente na voz de Ana Murphy fora interpretada de maneira fabulosa por Fabienne, contando com público literalmente ensandecido. Ainda no pico de melhores momentos da apresentação, “A Rose For Epona” do ‘Helvetios’ de 2012 contou novamente com Erni comandando o show através de sua voz marcante, momento memorável da noite e público vibrando até o fim.

A bateria de Alain Ackermannr ditou o ritmo do strubble durante “Kingdom Come Undone” do ‘Everything Remains (As It Never Was)’ de 2010, com Chrigel comandando o mosh pit no Carioca Club, além de Michalina e Nicole fazendo a festa dos presentes ora bangueando no palco ora com suas performances no instrumental ao lado das flautas de Matteo e Chrigel. Fabienne e sua harpa iniciaram “Alesia” – ‘Helvetios’ de 2012 –, emendando com dueto de Erni ao lado de Chrigel e o Carioca Club entoando o refrão em uníssono ao lado dos dois. O pesado solo de guitarra intercalado com nova passagem solo de Fabienne e o refrão bradado pelo dueto para aplausos gerais, culminaram em um curto “Drum Solo” de Alan – para descanso dos demais integrantes. Rafael Salzmann e Jonas Wolf surgiram ao lado do baterista, iniciaram solos de guitarra intercalados, os demais músicos retornaram e fora executada outra faixa do disco de 2012, “Havoc”, com trio feminino bangueando e depois interagindo junto aos flautistas Chrigel e Matteo, solo de tin whistle de Matteo e público vibrante bradando e batendo palmas ao ritmo da canção.

“Obrigado São Paulo, obrigado Brasil” agradeceu Chrigel em bom português, o qual dedicou a execução de “Tegernakô” – ‘Spirit’ de 2006 – aos fãs brasileiros, com Alain se destacando na bateria dando o devido peso a canção, além de Rafael e Matteo sentando na beira do palco durante o solo. “Nos sentimos de volta ao lar em São Paulo, muito obrigado” discursou Chrigel antes de anunciar a rápida faixa título do álbum de 2012, “Helvetios”, comemorada por todos no ritmo das palmas, com trio feminino bangueando e público bradando o refrão, finalizando desta forma a primeira parte da apresentação. O single de 2017 “Rebirth”, primeira faixa não acústica da nova line up, agitou os presentes no retorno da banda ao palco. “Esta é nossa última música e gostaria de dizer ‘obrigado’ (em português) mais uma vez” discursou o agradecido frontman, anunciando a clássica faixa do ‘Slania’ de 2008, “Inis Mona”, com as luzes verde e amarela iluminando o palco durante toda execução da canção, a gaita de fole de Matteo trazendo a bandeira do Brasil comandando os trabalhos e público cantando em uníssono o refrão marcante, finalizando de maneira apoteótica a performance dos suíços exatamente às 23h42m.

Um renascimento, isto que Chrigel e sua nova trupe buscam através dos trabalhos de 2017 e do novo ‘Ategnatos’ a ser lançado dentro de alguns meses. As mudanças podem vir para melhoras ou não, tudo depende de um contexto, é certo que as saídas de Sutter, Henzi e principalmente Ana Murphy foram impactantes – o Eluveitie inclusive alterou o repertório de seus shows incluindo apenas músicas com guturais e/ou atuou em determinados concertos com vocalistas convidadas como Liv Kristine, Martina Lory e Laura Fella –, mas conclusões poderão ser tiradas a partir do próximo full lenght, o primeiro não acústico da banda – o single “Rebirth” já demonstra um pouco do que podemos esperar do novo Eluveitie. E aguardemos novas passagens dos suíços pelo país, menos conturbadas, com destaque apenas para o apresentado no palco e não por polêmicas de bastidores. Agradecimentos à EV7 Live e Lex Metalis.

Set List Eluveitie:
Ategnatos
King
Nil
Omnos
Lvgvs
Catvrix
Artio
Epona
Thousandfold
Quoth The Raven
The Call Of The Mountains
A Rose For Epona
Kingdom Come Undone
Alesia
Drum Solo
Havoc
Tegernakô
Helvetios

Rebirth
Inis Mona

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