Malvina: denunciando participação do EUA na política brasileira em novo single

PRESS PASS – Após 3 anos sem lançamentos, a banda de hardcore Malvina ressurge no que considera um momento de agonia política em que tem muito a dizer. O novo single tem como assunto central os acontecimentos mais recentes na história do país: desde as Revoluções Coloridas de 2013, passando pelo “Impeachment” de 2016, à destruição de políticas públicas, o rigoroso programa de privatizações e a divisão da sociedade em meio à uma crescente onda neofascista. “Hybrid War” relaciona esses fatores como característicos das Guerras Híbridas, movimento que busca garantir a manutenção da hegemonia dos Estados Unidos.

As Guerras Híbridas, até então pouco estudadas aqui no Brasil, estão ganhando mais espaço e, com o lançamento, a banda pretende levar seu conhecimento a outros lugares com o intuito de não apenas informar, mas engajar pessoas politicamente.

SOBRE A MÚSICA “HYBRID WAR”
A música, por sua vez, mistura Hardcore Punk com Metal, e elementos do Jazz e do Progressivo da década de 70. “Essa é uma música bem política, na qual tratamos de lapidar cada uma das partes fortalecendo o elo entre letra e música. Da batida acelerada do Hardcore conseguimos fazer pontes pra partes como o refrão, onde o ritmo se aproxima ao Jazz, e explorar elementos do Trash Metal e do Progressivo”, explica Bernardo Berbert, vocalista e guitarrista.

“Hybrid War” é o primeiro single do álbum de mesmo nome que deve ser lançado em Abril pelos selos Electric Funeral (Brasil), Ghost Factory (Itália), Geenger (Croácia), Morning Wood (Holanda), 5FeetUnder (Dinamarca), Bomber Music (Inglaterra), Mevzu (Turquia), Money Fire (EUA), Punk & Disorderly (Canadá), Audioslam (Chile) e Razor (Argentina). A mixagem foi feita por Jason Livermore e acompanhada pela banda no Blasting Room Studios, no Colorado (EUA), onde artistas como Rise Against, NOFX e Descendents costumam gravar. A arte do single é de Rodrigo Rezende, responsável por todas as artes do Malvina desde o álbum ‘Claustro’. O trabalho de Rodrigo vem influenciando a identidade da própria banda, e é visto como um complemento ao som. Confira abaixo o single:

FICHA TÉCNICA SINGLE
Composição e produção: The Berberts
Co-produção: Davi Baeta
Gravação: Estudio El Sonoro (Niterói/RJ) e DQG Estudio (Cabo Frio/RJ)
Mixagem e Masterização: Jason Livermore, no Blasting Room Studios, em Fort Collins, Colorado.

SOBRE AS GUERRAS HÍBRIDAS
De modo geral, trata-se de um novo tipo de guerra, observado pelo analista político Andrew Korybko, em que os agentes principais são os Estados Unidos, que reconhecem potencial de liderança mundial na China, sobretudo pela influência tecnológica, e na Rússia, que mantém a mais expressiva indústria de armamento e munição. Com o intuito de manter sua dominância, identifica problemas em países-alvo e explora suas vulnerabilidades para alcançar objetivos estratégicos. Um dos métodos é a manipulação de movimentos sociais pelos meios de comunicação com o intuito de enfraquecer o atual governo e favorecer governos que estejam de acordo com o seu propósito.

No caso do Brasil, um fator determinante para que o país se transformasse em alvo foi a descoberta do Pré-Sal, em 2006, durante o mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou o Big Oil dos Estados Unidos fora das negociações. Além disso, sua personalidade independente e as iniciativas de criação e integração em projetos multipolares representaram uma ameaça à hegemonia norte-americana.

A Lava-Jato foi utilizada como um dos instrumentos para o enfraquecimento do Partido dos Trabalhadores, e tanto as manifestações anti-governo de 2013, como as manifestações pró-Impeachment de 2016, são exemplos de um fenômeno chamado “Revolução Colorida”, característico desse tipo de guerra. No caso brasileiro, através de palavras de ordem como “Luta contra a Corrupção”, e da criminalização do Partido dos Trabalhadores, foi possível manipular a população contra o governo com o objetivo de se obter uma política alinhada aos EUA.

“A construção de um futuro mais justo em um dos países mais desiguais do mundo foi suspensa por interesses de mercado e ódio de classe”, comenta Vinícius Berbert, vocalista e baixista.

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