CLARO HALL, RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Bruno Prado e Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz
Fotos por Douglas Vieira (metalrevolution.net) & Paulo Cássio (universodorock.com)

Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)
Ronnie James DIO - por Douglas Vieira (Metal Revolution)
Ronnie James DIO - por Douglas Vieira (Metal Revolution)
Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)
Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)

Na mente mais racional de qualquer ser humano, qual seria o local mais provável para encontrarmos um senhor de aproximadamente 65 anos de idade? Na fila no INSS? No setor geriátrico de algum hospital? Pescando em algum lago ou jogando Gamão na praça? Talvez. Se procurássemos um idoso qualquer que até poderia ser nosso avô, estes seriam os locais de imediato. Mas não estamos falando de um simples “mortal” como outro qualquer. Estamos falando de uma lenda viva do heavy-metal mundial, senhor Ronald James Padavona, ou melhor, Ronnie James DIO, como é conhecido pelos fãs. E o melhor lugar para encontra-lo é em cima do palco. Dio esteve no Brasil pela turnê do novo álbum “Holy Diver Live” e deixou os fãs cariocas saciados pelo que apresentou na noite de sexta-feira, dia 14 de julho. Sua performance no palco foi de dar inveja em qualquer músico adolescente recém-saído da Villa Lobos.
Quem mais no Heavy Metal pode se orgulhar de ter tido uma carreira tão brilhante e vitoriosa como Ronnie James Dio? Poucos têm esse privilégio. Não basta apenas ter uma das melhores vozes do mundo, o cara ainda foi companheiro de banda de dois dos maiores guitarristas da história, Ritchie Blackmore e Tomy Iommi. Dio é dono de uma carreira extremamente versátil, o que pode ser provado pelo set list de ontem à noite.
Se você não gosta de Metal Tradicional, não tem problema. Afinal de contas o Hard Rock do Rainbow estava lá pra isso. Se não gosta de Black Sabbath com Ozzy, também não tem problema algum. O baixinho também emprestou suas cordas vocais aos pais do Heavy Metal. Mas se você gosta apenas da carreira solo dele, e especificamente de um certo disco chamado "Holy Diver", o Claro Hall foi o local certo para se estar na noite do dia 14.
Existiam rumores que em Abril do ano passado, Dio voltaria ao país, o que não se concretizou. Esse ano foi anunciado datas para Maio que logo tiveram de ser adiadas por problemas na gravação do novo disco. Eis que enfim, o site oficial anuncia: Julho é o mês da banda fazer uma abrangente turnê pela América do Sul. A ansiedade tomou conta dos fãs, e o tão esperado grande dia chegou, o “mergulhador sagrado“ veio ao palco para bradar “vida longa ao Rock´n Roll”!
Ao chegar ao Claro Hall pode-se fazer uma feliz constatação: a movimentação do público era muito boa e havia a certeza de que o espetáculo seria prestigiado pelos cariocas da maneira que merece. Nem a ação dos cambistas, já tão comuns no Claro Hall, pode atrapalhar a busca por um ingresso (inteira R$ 85,00 e meia R$ 42,50).
No Claro Hall encontravam-se os mais diversos tipos de fãs. Desde anônimos até famosos, como Renato Tribuzy (vocalista de seu projeto solo Tribuzy). Os fãs mais clássicos também marcaram presença, mas também tínhamos um público jovem de atuais adoradores do ex-vocal do Sabbath. Muitos deles iriam presenciar um show do Dio pela primeira vez. André Luiz Braga, por exemplo, era um deles. O jovem de 17 anos estava em seu 5º show internacional, o qual julgava um dos mais esperados desse ano – “Espero escutar Long Live Rock ´n Roll, Dont´ Talk to Strangers e Rainbow In The Dark” – Disse ele.
Com cerca de 30 minutos de atraso, podemos ver o roaddie dando os últimos ajustes no baixo de Rudy Sarzo (ex- Ozzy Osborne e Whitesnake), quando o próprio aparece, se posiciona ao lado do palco e uma breve introdução é ouvida no sistema de som. Um a um os membros da banda entram no palco, mas antes de o show começar, algo parece dar errado com a guitarra de Craig Goldie, problema que foi logo resolvido e os primeiros acordes de Children of The Sea foram o suficiente para levar o público à loucura.
O vigor físico e carisma de Dio parecem não ter fim. O cara é verdadeiramente um monstro do metal. Agita o tempo todo, pula, bate cabeça, interage com seus músicos, com o público, se diverte! Ah, claro, também canta pra c$%&*#aralho! A potencia em sua voz é simplesmente incrível. Dizer que Dio é destaque em um show dele é chover no molhado. Mas ontem o baixinho literalmente “esculachou”. Se nas músicas mais rápidas como “Stand Up And Shout”, “One Night in the City” e “I Speed At Night” ele conseguiu levantar o público, foi nas músicas mais calmas que a voz dele realmente se destacou. Como não se emocionar com a interpretação brilhante em “All The Fools Sailed Away” e “Catch The Rainbow”? Mesmo que essa última tenha sido tocada apenas um breve pedaço.
A escolha do set-list foi bastante oportuna, e a inclusão de três clássicos do Rainbow foi sensacional. Podemos destacar a desenvoltura do show de acordo com variação entre músicas de maior energia e as mais trabalhadas, porém, não menos intensas. Após a formidável “Children Of The Sea” Dio deu boa noite ao público e frisou que é sempre muito bom tocar em terras brasileiras – “We love to play here” – disse ele.


Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)

Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)
Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)
Ronnie James DIO - por Douglas Vieira (Metal Revolution)
Ronnie James DIO - por Paulo Cássio (Universo do Rock)

Veio então uma seqüência de três músicas, tal como em Curitiba. Foram elas “I Speed At Night”, “One Night in the City” e “Stand Up And Shout”. Antes desta última, Dio ainda brincou com uma bandeira jogada por um fã na qual saudava o grande “Deus do metal”. O show continuou com “Stand Up And Shout”, “Holy Diver”, “Gypsy” e depois um bom solo do baterista Simon Wright, que por sinal estava impecável esta noite.
Clássicos absolutos como “Dont´ Talk to Strangers” e “Rainbow in the Dark” não poderiam faltar, e vieram logo após as músicas citadas acima e da surpreendente “Sunset Superman”, a qual foi finalizada com o pequeno show solo de Craig Goldie. O guitarrista não estava em um dia inspirado como em outras ocasiões de costume, mas nada que estragasse ou tirasse o valor da apresentação. Ele permaneceu tocando por um bom tempo até fazer um dueto com Scott Waren (teclados) e até arrancou aplausos do público.
Dio nos brindou com 110 minutos de show. E que show! Foram 110 minutos de um espetáculo do mais alto nível, onde (sem exagero algum) o “Mestre do Metal” controlou a platéia, mostrando porque é um dos melhores frontmans da história deste estilo. Em termos de performance esse show foi melhor que o de 2004, e teve em sua seqüência final os grandes clássicos do Rainbow e do Black Sabbath: “Man On The Silver Mountain”, “Long Live Rock And Roll” e “Heaven and Hell” (esta com destaques para os efeitos de luzes e cores). Todas executadas com o brilhantismo de sempre e uma participação marcante do público carioca, que em momento algum parou de cantar e incentivar a banda.
Antônio Rhoads que o diga. Ele era um dos cerca 5 mil fãs presentes no Claro Hall. – “O que não pode faltar nunca é The Last In Line e Rainbow In The Dark, que são duas das melhores” – dizia ele, que apesar dos elogios ao show não gostou do peço dos serviços. – “Estou vindo pela primeira vez aqui e não esperava que tudo fosse tão caro”. Muitos também reclamaram do transporte que está cada vez pior. Entretanto, isso não é culpa da organização, mas das autoridades que, como sabemos, sempre viram as costas para a população.
Pra finalizar, mais duas músicas de tirar o fôlego: “We Rock” e “The Last in Line”. É bem verdade que faltaram músicas como “Gates of Babylon” e “Killing The Dragon”, por exemplo, mas ninguém poderia reclamar disso. Um artista como Dio tem tantos “clássicos” que deve ser difícil até mesmo para a banda escolher com quais deles ao público agradar.
A banda se despediu dos cariocas e partiu para São Paulo. Seguindo em frente como jovens em sua primeira turnê. E de fato eles o são, pois o metal que ouvimos, esse mesmo metal que o sr. “Ronald James Padavona” nos proporciona com tanta honra, rejuvenesce qualquer um. E a impressão que fica é de que ainda veremos o Dio na ativa por muitos e muitos anos...

Set List: Children Of The Sea - I Speed At Night - One Night In The City - Stand Up and Shout - Holy Diver - Gypsy - Sunset Superman - Don't Talk To Strangers - Rainbow In The Dark - I - All The Fools Sailed Away - The Man On The Silver Mountain - Catch The Rainbow - Long Live Rock And Roll -
BIS: Heaven And Hell - We Rock - The Last In The Line

AGRADECIMENTOS
- Assessoria de Imprensa CIE-Brasil, em especial à Anna Beatriz a qual sempre trata a Equipe Metal Revolution de forma totalmente profissional
- Top Link por trazer de volta o velho mestre do metal ao país
- Douglas Vieira
e Paulo Cássio do website Universo do Rock pelas fotos que ilsutram esta matéria
- Bruno Prado e Rodrigo Gonçalves por mais este trabalho de cobertura para o website