BRUTAL
HALLOWEN FEST
CLUBE DOS CABOS E SOLDADOS, TAUBATÉ - SP
Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Clayton Franco (metalrevolution.net)
Taubaté
já teve uma cena sólida de heavy metal e rock and roll. Para aqueles
da região que começaram a gostar deste estilo musical há uns 15 anos
atrás, devem se lembrar dos shows que ocorriam no antigo Bar do Índio
e na Cervejaria Emilia Rioli, houve um período no qual surgiram ótimas
bandas locais que até mesmo o “Formigão”, um antigo bar de pagode e
forró, passou a agendar os shows de metal das bandas taubateanas! Era
praticamente um milagre, visto que naquela época os os dois estilos
musicais citados dominavam a mídia televisiva e enchiam os barzinhos
de universitários de cabeças vazias. Apenas por este exemplo, vemos
a importância da cena local na década passada. Lembro-me até hoje dos
shows das bandas “Heaven Dark” e “Fallen Down”, que inclusive chegaram
a tocar em dois locais diferentes na mesma noite. Mas tudo isso mudou...
O que era um movimento grande foi se desfazendo aos poucos, o Bar do
Índio hoje tem o nome de “Sertanejo’s Bar” e a Emilia Rioli nem existe
mais. Bandas acabaram e a cena se desmanchou. Mas sempre há uma esperança...
De alguns garotos de 15 anos atrás que apenas curtiam o show, hoje mais
velhos e amadurecidos, surgiu a “BRUTAL EVENTOS” que começou com uma
simples brincadeira e foi ganhando tamanho e conquistando espaço, ajudando
a reerguer a cena local. Aliás, não apenas reerguer, mas ajudar a ressuscitar
a cena de Taubaté, pois foi exatamente isso que pude presenciar na “Brutal
Halloween Fest” promovida neste último dia 17. Um evento pequeno, mas
marcante e que tem tudo para crescer nos próximos shows.
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Quando
vi o cartaz do show, devo confessar que achei que não daria
certo. Não por falta de público ou de boas bandas; pelo contrário.
As bandas que tocaram são ótimas e algumas delas já bem conhecidas
dos bangers taubateanos. Mas achei que o tema do show não colaria.
Uma festa a fantasia?!?! Mas qual não foi a minha surpresa ao
ver que grande parte do povo presente abraçou a idéia. Desde
vampiras, zumbis e bruxas passeando pelo público até mesmo personagens
clássicos de jogos como Street Fight e Mortal Kombat ensaiando
algumas lutas entre os intervalos de shows. Entre esse povo
todo fantasiado e se divertindo pude ver até uma mistura de
Necromante com Esqueleto (aquele mesmo do He-Man) e uma linda
enfermeira que poderia muito bem ter saído diretamente do filme
“fome animal”. As bandas foram um grande destaque. Quatro ao
todo, sendo duas de Taubaté e duas de São Paulo. Aliás, quanto
à escalação das bandas, havia uma grande diferença de estilos
entre as mesmas, tanto musical como temática. Mas será que isso
seria um problema? Bem, vejamos a resposta mais para a frente.
A primeira a subir no palco foi
a DELOHIM, banda formada há 10 anos aqui mesmo
em Taubaté, ou como diriam os que aqui conhecem: Taubatéxas.
Com um power metal vigoroso, que em algumas canções flerta com
o heavy tradicional e até mesmo o thrash metal, foram os responsáveis
por abrir a festa. O público ainda não era tão grande, mas todos
os que estavam presentes curtiam o estilo de som. Com músicas
próprias, e uma demo chamada “The Choice Is Yours” lançada em
2006, pude perceber que várias pessoas cantaram suas letras,
o que demonstra que a banda já tem fãs e seguidores em seus
shows. Entre músicas como “Don’t Forget Me”, “The Power Of Love”
e “Trimphant March” pude ver que as letras passam uma mensagem
positiva e de fé. Vocês que aqui estão lendo, podem perguntar
se esta banda é gospel? Bem, eu lhes repondo que sim! Uma ótima
banda de
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white
metal, que inclusive tocou “Long Live The King” e “To Hell With
the Devil” respectivamente covers de Narnia e Stryper. Mas isso
seria um problema? Uma banda de white? Eu lhes respondo que para
mim não, já que o oower metal praticado pelos seus integrantes
foi sensacional. Fim do show, pausa para arrumarem o palco para
a próxima banda, pude conversar com Vitor Lopes, um dos fundadores
do Delohim junto com seu irmão Gil, vim saber que estão preparando
o lançamento de seu primeiro EP. Para aqueles que curtem white
metal, marquem o nome desta banda, pois creio que ainda ouvirão
muito a seu respeito.
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A próxima banda, vinda
de São Paulo para tocar pela primeira vez em Taubaté foi a PRINCIPLE
OF EVIL, cover de Cradle Of Filth. Opa, mas espera ai, você
vai me perguntar, uma banda de black metal sinfônico tocar no mesmo
evento que uma banda de white metal não causa confusão não? Até o dia
deste evento eu diria que sim, hoje minha resposta é completamente diferente.
Bom saber que a mentalidade daqueles que gostam de metal mudou muito
ao longo dos anos, e hoje em um evento com bandas de ideologias tão
distintas entre si, o público pode se divertir com um bom som regado
a cerveja. Mas chega de divagação deste repórter e vamos voltar ao show.
Pude ver que muito do público presente veio para ver as duas bandas
da capital paulista que se apresentariam pela primeira vez na cidade,
e o Cradle Of Filth cover não fez feio. Com um set list abrangente de
toda a carreira do Cradle, o Principle of Evil literalmente colocou
fogo nos presentes. Em toda a pista podiam-se ver rodas se formando
e o pessoal cantando. O vocalista “Predator Filth” e o guitarrista Luiz
foram os grandes destaques da banda. Atenciosos com o público, Predator
sempre fazia algum discurso levantando ainda mais o ânimo dos presentes
entre uma música e outra. E com um set list recheado de clássicos como
“Lord Abortion”, “Nemesis”, “Her Ghost In The Fog” e “Black Goddess
Rises” ninguém ficou parado. Um show longo, com bastantes clássicos
e direito a saírem ovacionados do palco com a sensação de dever cumprido
e com o público nas mãos.
Se o Principle of Evil
colocou a casa abaixo, deixando este repórter com a impressão de que
a próxima banda teria a difícil tarefa de superar o grande show anterior,
a próxima banda tratou de rapidamente desfazer essa impressão. O terceiro
grupo a se apresentar, também da capital, foram o pessoal do MISTER
SUPERSTAR, outra banda cover na noite, precisamente do Marylin
Manson. Devo dar os parabéns à Mister Superstar, uma atuação impecável.
Cada membro da banda devidamente maquiado representando os músicos do
grupo original, “Tucho Manson” nos vocais é o grande destaque, sua atitude
no palco é exatamente idêntica ao do Marylin Manson original. Sua maquiagem,
seus olhos, suas roupas... nada deixa a dever. Com todos os trejeitos
e embalados por musicas como ‘Arma-Goddamn-Motherfucking-Geddon’ e ‘Beautiful
People’ levando todo o público foi a loucura. Show de histeria com algumas
meninas na frente do palco, inclusive algumas literalmente se jogando
no palco para beijar o vocalista. Em músicas como “Antichrist Superstar”
e “Sweet Dreams” todo o público cantou em uníssono, mas se uma coisa
a banda tem de igual ao original, é a sua capacidade de causar polêmica.
Entre algumas canções, o vocalista começou a fazer algumas cenas que
posso considerar como homossexuais, se esfregando e beijando outros
membros das bandas. Se algumas pessoas da platéia adoraram isso e começaram
a gritar de histeria, outros tantos vaiaram o acontecido e foram tomar
uma cerveja no bar no momento. Polêmico? Sem sombra de dúvida! Errado?
Deixo para os que assistiram que tirem suas próprias conclusões. Eu
particularmente fui conversar um pouco com alguns presentes nesse momento,
tentando me distrair, mas sempre lembrando que isso é um show teatral,
onde o próprio Manson original tem essa atitude no palco.
| A
noite já vai se adentrando cada vez mais, o show foi em uma
virada de horário de verão, portanto, já as altas horas da madrugada,
sobe ao palco a última banda da noite. O público já havia diminuído
devido ao horário, mas isso não retraiu a empolgação dos membros
da VICTIM OF FATE, cover de Helloween, pelo
contrário, como banda da própria cidade, pode-se notar que aqueles
que ficaram até o final são os verdadeiros amigos, fãs e amigos
do integrantes do grupo. Pessoas que viram a banda nascer e
passar por algumas reformulações no seu line up. Já tinha tido
a oportunidade de ver a banda em outros eventos, e já sabendo
da competência de seus integrantes esperava um grande show para
encerrar a noite. E logo após a preparação de palco, |
inicia-se
o último show da noite com o vocalista Deko vestido de mágico,
lembrando muito a capa do disco “Rabbits Don't Come
Easy”, acompanhado do guitarrista
Diego vestido de Sub Zero do jogo Mortal Kombat, uma visão
inusitada no palco, se esta não fosse uma festa a fantasia.
Com músicas executadas em toda sua primazia, canções como
“I Want Out”, “Eagle Fly Free” e “Dr. Stein” levam os presentes
a euforia com praticamente todas as canções do set sendo cantadas
em uníssono pelos presentes. Não é possível dar destaque a
uma delas apenas tamanha interação entre banda e público,
mas se algo merece ser comentado é a surpresa final para encerrar
o show, não foi com Helloween, mas na execução “Carry On”
e “Nova Era”, uma bem vinda homenagem ao metal brasileiro
praticado pelo Angra em dois momentos de sua carreira.
Fim
de noite, com o dia amanhecendo e cansaço por todo o corpo
devido à maratona do show. Lembrando a minha indagação do
começo da resenha, agora eu a posso responder. Bandas tão
diversificadas com ideologias e temáticas diferentes em uma
única noite sem ao menos um único incidente. O público foi
para ver um excelente evento e foi isso que aconteceu, todos
unidos cantando juntos e ‘bebemorando’, velhos amigos de antigos
shows e uma galera mais nova, mostrando que a geração de heavy
metal da cena de Taubaté esta se renovando e voltando a crescer.
Deixo aqui um forte abraço a todas bandas que se apresentaram
e meus parabéns pela competência demonstrada nos shows. Não
posso deixar de agradecer também a equipe da Brutal Eventos”
que mesmo sem o apoio das casas de show em Taubaté e da imprensa
local, faz de tudo para reavivar a cena da região, sempre
correndo atrás de ótimas bandas para seus eventos. Um abraço
a toda a equipe, em especial ao Mil, amigo das antigas e um
dos responsáveis por esta grande festa. Um abraço e até o
próximo evento!!!!
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