FAITH NO MORE
PEPSI ON STAGE, PORTO ALEGRE - RS
Review por Filipe Limas - Edição por André Luiz
Fotos por Filipe Limas (Flick do Filipe - metalrevolution.net)

É difícil, mas muito difícil mesmo, expor em palavras o que foi o show do Faith No More em Porto Alegre na noite de 3 de novembro. Com certeza foi o melhor show visto esse ano na capital gaúcha, e um dos melhores de todos os tempos. Do início ao fim da apresentação, após cada um dos três bis, a sensação era de estupefação diante de uma banda fantástica, com vontade de tocar, para um público com vontade de assistir ao show.

Faith No More - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

Passava das 22h30m quando o quinteto sobe ao palco, com trajes formais, sob uma iluminação totalmente vermelha, e executa Midnight Cowboy de forma arrepiante. Daí em diante o show foi um abuso de tão bom, logo de cara com From Out Of Nowhere, seguida de Land Of Sunshine. A essa altura Mike Patton já mostrava porque é tão cultuado. Do começo sereno tocando escaleta, o vocalista se tornava um monstro que berrava ao megafone, até a performance insana semelhante a um lutador em Caffeine.

Patton é um frontman completo, louco, simpático e carismático, já arriscava desde o início um português razoável para se comunicar com os fãs. E também para cantar, como na ótima versão de Evidence, com partes em nossa língua. Não bastasse isso, a seguinte foi uma monstruosa versão de Surprise! You’re Dead. Não havia muito tempo para respirar, pois logo veio a grande Last Cup Of Sorrow.

Mas não era apenas Patton que chamava atenção no palco. A banda toda é extremamente competente, com destaque para o baterista Mike Bordin, um monstro que bate forte quando precisa, e é suave quando a música pede. Ao lado dele o baixista Billy Gould dá o peso do som do Faith No More. O tecladista Roddy Bottum era outro que arriscava o português. Já o guitarrista Jon Hudson era mais discreto ao despejar riffs e melodias com sua Les Paul.

Easy foi um dos poucos momentos “casal” da apresentação, mas foi seguida de Midlife Crisis, o que fez o show voltar ao caos normal. Como era de se esperar Epic, maior sucesso da banda, foi o ponto mais celebrado da primeira parte do show. Outro momento divertido foi em Caralho Voador, quase um samba. O final ainda reservava grandes versões de Ashes To Ashes e, para fechar, Just A Man, com Patton dando um stage dive de costas e sendo carregado pelos fãs.

Mas a celebração não terminaria tão cedo. Pouco depois, sob os gritos da plateia, a banda volta com o coro puxado por eles mesmos de Olê Olê Olá, emendada em Chariots Of Fire e Stripearch, e terminam o primeiro bis com As The Worm Turns. As luzes se acendem, alguns começam a ir embora, mas a maioria era fiel, e esses receberam um presente, a balada This Guy's In Love With You, em uma versão absolutamente emocionante.

Parecia que finalmente havia acabado o show, até equipamentos foram recolhidos do palco. Não sei se pela insistência dos fãs, ou se era programado, mas minutos depois vem o que faltava, a banda novamente, em uma versão alucinante de We Care A Lot, na qual o chão do Pepsi On Stage realmente tremeu. Dessa vez sim, o show havia terminado. Mas ninguém reclamaria se continuasse por mais umas três horas.

IMAGENS DA NOITE
Faith No More - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)
Faith No More - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)
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