É
difícil, mas muito difícil mesmo, expor em palavras o que foi o show
do Faith No More em Porto Alegre na noite de 3 de novembro. Com certeza
foi o melhor show visto esse ano na capital gaúcha, e um dos melhores
de todos os tempos. Do início ao fim da apresentação, após cada um dos
três bis, a sensação era de estupefação diante de uma banda fantástica,
com vontade de tocar, para um público com vontade de assistir ao show.
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Passava das 22h30m quando o quinteto sobe
ao palco, com trajes formais, sob uma iluminação totalmente
vermelha, e executa Midnight Cowboy de forma arrepiante. Daí
em diante o show foi um abuso de tão bom, logo de cara com From
Out Of Nowhere, seguida de Land Of Sunshine. A essa altura Mike
Patton já mostrava porque é tão cultuado. Do começo sereno tocando
escaleta, o vocalista se tornava um monstro que berrava ao megafone,
até a performance insana semelhante a um lutador em Caffeine.
Patton é um frontman completo, louco, simpático
e carismático, já arriscava desde o início um português razoável
para se comunicar com os fãs. E também para cantar, como na
ótima versão de Evidence, com partes em nossa língua. Não bastasse
isso, a seguinte foi uma monstruosa versão de Surprise! You’re
Dead. Não havia muito tempo para respirar, pois logo veio a
grande Last Cup Of Sorrow.
Mas não era apenas
Patton que chamava atenção no palco. A banda toda é extremamente
competente, com destaque para o baterista Mike Bordin, um monstro
que bate forte quando precisa, e é suave quando a música pede.
Ao lado dele o baixista Billy Gould dá o peso do som do Faith
No More. O tecladista Roddy Bottum era outro que arriscava o
português. Já o guitarrista Jon Hudson era mais discreto ao
despejar riffs e melodias com sua Les Paul.
Easy foi um dos
poucos momentos “casal” da apresentação, mas foi seguida de
Midlife Crisis, o que fez o show voltar ao caos normal. Como
era de se esperar Epic, maior sucesso da banda, foi o ponto
mais celebrado da primeira parte do show. Outro momento divertido
foi em Caralho Voador, quase um samba. O final ainda reservava
grandes versões de Ashes To Ashes e, para fechar, Just A Man,
com Patton dando um stage dive de costas e sendo carregado pelos
fãs.
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Mas a celebração
não terminaria tão cedo. Pouco depois, sob os gritos da plateia, a banda
volta com o coro puxado por eles mesmos de Olê Olê Olá, emendada em
Chariots Of Fire e Stripearch, e terminam o primeiro bis com As The
Worm Turns. As luzes se acendem, alguns começam a ir embora, mas a maioria
era fiel, e esses receberam um presente, a balada This Guy's In Love
With You, em uma versão absolutamente emocionante.
Parecia
que finalmente havia acabado o show, até equipamentos foram recolhidos
do palco. Não sei se pela insistência dos fãs, ou se era programado,
mas minutos depois vem o que faltava, a banda novamente, em uma versão
alucinante de We Care A Lot, na qual o chão do Pepsi On Stage realmente
tremeu. Dessa vez sim, o show havia terminado. Mas ninguém reclamaria
se continuasse por mais umas três horas.
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