FOCUS
CARIOCA CLUB, SÃO PAULO - SP
Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Danilo Guedes (metalrevolution.net)
Desde
o surgimento do Rock N’ Roll na década de 50, passando pelo heavy metal
e hard rock, progressivo e extremo, este estilo musical que tanto gostamos
brindou-nos com alguns grupos os quais se convencionou chamar de “Mega-Bandas”.
São nomes conhecidos tanto pelos adeptos do estilo como pelo público
leigo em geral, grupos que arrastam multidões em estádios onde podemos
facilmente citar AC/DC, Iron Maiden e Metallica. Mas, há determinadas
bandas que embora não entrem para o seleto grupo de “Mega Bandas”, podem
receber a alcunha de “Lendas”. São grupos musicais que embora não estejam
constantemente na mídia em geral e nem sejam conhecidas de grande parte
dos ouvintes, devido a sua contribuição marcante e inquestionável para
o determinado gênero que toca, merecem serem chamadas dessa forma. Foi
exatamente um show de uma Lenda do Rock Progressivo, que atende pelo
nome de FOCUS, que nós do MetalRevolution pudemos acompanhar no Carioca
Club em SP. Para os que gostam do rock progressivo, apenas o nome desta
já diz tudo, para os que não conhecem muito este estilo basta dizer
que ao lado de “Gênesis” e “Yes”, o Focus formou a tríade que ditou
as regras do Progressivo nos anos 70. Dono de uma discografia irrepreensível,
sonoridade mesclando rock dos anos 70 com Jazz e Clássico, Focus se
tornou uma lenda musical graças aos arranjos vocais e harmônicos criados
pelo seu fundador Thijs van Leer. Senhoras e Senhores, é com grande
orgulho que posso dizer que estive presente ao show do FOCUS, e compartilho
com vocês esta experiência única.
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Primeiramente,
antes de falar do show em si, cabe repassarmos um pouco a carreira
desta banda tão importante. Criada nos Países Baixos no ano
de 1969, tem como seu mentor Thijs van Leer, responsável pelas
linhas de órgão, flauta transversal e vocal da banda. Alias,
é exatamente o som do órgão e flauta transversal misturando
linhas de rock progressivo, psicodélico, jazz e clássico que
moldaram o som da banda tornando-a única. Lançam seu primeiro
disco em 1971 com o nome de “In and Out of Focus”, que não alcançou
grande sucesso. Sem cair no desânimo, ainda no mesmo ano lançam
o álbum “Moving Waves”, disco que moldou a característica musical
do grupo, sendo considerado um clássico absoluto por qualquer
fã de rock progressivo. É neste LP que estão algumas das melhores
composições do Focus, onde podemos citar “Hocus Pocus” e “Eruption”.
A primeira canção é considerada o hino da banda, e a segunda
com 23 minutos de duração e contendo várias referências à ópera
Monteverdi pode ser considerada uma das melhores composições
quase que exclusivamente instrumental composta dentro do rock
progressivo. Com este Lp conseguem reconhecimento internacional.
Aproveitando o bom momento da banda, já no ano de 1972, lançam
o álbum “Focus 3” onde consta o hit “Sylvia”. É exatamente na
tour deste disco que em 1973 o grupo faz uma grande apresentação
no Rainbow Theatre em Londres, resultando no álbum “Live at
the Rainbow”. Nesta mesma época começam as desavenças internas
sobre a direção da banda, fazendo com o que o baterista Pierre
Van der Linden deixe a banda. Tendo como substituto o competente
Collin Allen, lançam o álbum “Hamburger Concerto” com um retorno
ao som mais erudito que caracterizou a banda em seu início.
Posteriormente lançam o álbum “Mother Focus” com um direcionamento
mais comercial. Após seu lançamento Allen deixa a banda devido
a diferenças musicais com Thijs iniciando o fim gradual da banda
até o anúncio do encerramento de suas atividades em 1978.
Os anos 80 foram
marcados por uma reunião temporária da banda em 1985, resultando
no álbum auto-intitulado “Focus” que não atingiu sucesso comercial
colocando novamente fim a banda. Em 2001, Thijs van Leer reformula
a banda com músicos vindo de uma banda tributo ao Focus, que
inclui o guitarrista Jan Dumée, o baixista Bobby Jacobs e o
baterista Bert Smaak. É com esta formação que realizam uma tour
mundial se apresentando para grandes públicos com passagens
marcantes pela América Latina, Estados Unidos, Canadá, Japão
e Reino Unido. Logo após, lançam o petardo “Focus 8”. Em 2004
Bert Smaak deixa a banda e Pierre van der Linden reassume sua
posição no grupo retornando parte da formação clássica. Em 2006
Jan Dumée deixa a banda sendo substituído pelo guitarrista Niels
van der Steenhoven. Com esta formação gravam o álbum “Focus
9” lançado em 2006. Com esta formação estabilizada caem na estrada
para vários shows ao redor do mundo. Ainda hoje, em 2010, continuam
a fazer shows, após mais de 40 anos de estrada. Foi com esta
formação que fizeram uma tour pelo Brasil em março deste ano
passando pelas cidades de Goiânia, Belo Horizonte, Juiz de Fora,
Porto Alegre e São Paulo. É exatamente sobre o show ocorrido
em São Paulo no dia 9, no Carioca Club, que vocês conferem agora
nesta resenha.
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Por volta das 21h, como
havia sido anunciado nos cartazes e flyers do show, o locutor da Kiss
FM Rodrigo Branco sobe no palco para apresentar a banda. É nítido que
o mesmo estava emocionado e feliz por estar no palco prestes a anunciar
um show histórico em terras tupiniquins. Rodrigo comenta um pouco sobre
a trajetória da banda e avisa que o show será dividido em duas partes,
com um pequeno intervalo de 20 minutos entre elas para que a banda possa
tomar um vinho e descansar um pouco. Logo após vem o momento tão aguardado
por todos, com a banda adentrando ao palco e cumprimentando seus fãs
que gritavam pelo nome do grupo e de seus integrantes. Logo de início,
Thijs solta uma trinca de petardos seguidos do primeiro Lp da banda
fazendo com que todos vibrassem de emoção. Estamos falando de “Focus”,
“Anomymous” e “House of the King”. Com este início nostálgico e a platéia
em mãos, Thijs percebe a calorosa acolhida do público paulistano e tirando
o casaco agradece a presença dos cerca de 700 fãs no local. Com a platéia
em mãos após a trinca de clássicos do primeiro álbum, Thijs e companhia
resolvem mostrar algo dos ultimo trabalhos do grupo, brindando o público
com as canções “Focus VII”, “Tamara’s Move” e “Aya-Yuppie-Hippie-Yee”.
Esta última, Thijs faz questão de comentar que a mesma foi composta
por ele em conjunto com Bobby Jacobs, baixista do grupo. Do último trabalho
de estúdio, esta é uma das faixas mais marcantes devido ao peso contido
na mesma. Com um linha mais cadenciada e em algumas partes lembrando
o Jazz, possui muitas viradas e contratempos em toda sua execução. Isto
dá a oportunidade para a cozinha da banda dar um show à parte. Thijs
acompanha os solos de guitarra e seus próprios solos no órgão, com uma
vocalização única mostrando toda a sua competência.
Findando esta canção, Thijs
nos trás de volta de nossa viagem musical para conversar um pouco com
seu público. Diz que nosso cérebro é uma caixa onde há uma grande mistura
de emoções que muitas vezes se contradizem entre si. Às vezes achamos
que vamos explodir, mas isso nunca acontece. A próxima música trata
sobre isso e o vocalista gostaria de ver que tipo de emoções ela passaria
a cada um dos presentes. Foi com este pequeno discurso que Thijs nos
apresenta o clássico “Eruption” do disco Moving Waves. No meio de sua
execução, ele deixa o órgão de lado indo ao centro do palco para nos
brindar com um maravilhoso solo em sua flauta transversal. Não é nem
preciso dizer que todos os presentes correspondem imediatamente. Talvez,
por esta resposta tão positiva de seus fãs, em forma de agradecimento
Thijs encerra o solo de joelhos sendo aplaudido por todos. Se a execução
desta música já deixou todos em êxtase, a próxima levanta mais ainda
o ânimo do público. Pedindo para todos baterem palmas, a banda toca
“Sylvia” com uma interação impressionante de gritos, assobios e palmas
entre público e banda. Foi exatamente com esta canção que se encerrou
a primeira parte do show de forma mágica.
Passado em torno
de 25 minutos, Focus retorna ao palco abrindo a segunda parte
do Show com a música “Focus III” fazendo com que todos seus
fãs voltassem para seus antigos lugares para curtir o show.
“Logo em seguida emendam a maravilhosa canção “Focus” II”.
Percebe-se que o início da segunda parte do espetáculo remete
à primeira parte do show, pois executam músicas antigas da
época mais produtiva em termos de criatividade e experimentações
musicais. Com este nostálgico reinício, Thijs agradece a presença
de todos novamente de forma calorosa e anuncia que a próxima
canção é Hurky Turky II, presente no último disco de estúdio
da Banda. Em seguida, sem dar tempo para os presentes respirarem,
executam “La Cathedrale de Strasbourg” onde o guitarrista
Niels van der Steenhoven tem seu momento especial para nos
deliciar com um solo maravilhoso cheio de levadas e contratempos.
Findando a música, demonstrando toda a simpatia que lhe precede,
Thijs diz que esta atual tour no Brasil não seria possível
sem a produção e organização de Marcel Castro e o chama ao
palco para agradecê-lo pessoalmente, pedindo para que o público
lhe desse uma salva de palmas. Um detalhe é que Marcel trazia
em sua mão uma garrafa de vinho, onde Thijs comenta que a
bebida alcoólica é algo muito bom se a pessoa souber apreciá-la
com moderação. Sem esta moderação podemos virar escravos da
mesma com ela tomando o rumo de nossas vidas. Cita que o vinho
pode ser muito bom, mas que tem o seu lado tóxico. Comenta
que a próxima música foi composta em um bar localizado nas
proximidades da Catedral de Strasbourg e por isso a menção
do vinho. Neste momento, Marcel deixa o palco e Thijs e companhia
executam a maravilhosa “Harem Scarem”.
O show já chegava
ao fim e novamente é feito uma pequena pausa para que Thijs
novamente agradecesse a presença de todos e que se sente em
casa tocando em São Paulo devido à receptividade de todos
os presentes. È notável em sua feição que o mesmo estava emocionado
por tocar aqui, e o público agradece com uma salva de palmas.
Thijs dedica a todo o público paulistano a próxima música
chamada “De Ti O De Mi” emendando-a com o hino do grupo. Aqui,
meus caros leitores, estamos falando da maravilhosa “Hocus
Pocus”. Confesso que tinha minhas dúvidas se Van Leer iria
fazer o vocal estilo yodel desta canção, pois obviamente a
voz dele não é mais a mesma da época em que a canção foi feita
no início dos anos 70. Não quero dizer em nenhuma hipótese
que sua voz é ruim, apenas é diferente, estando hoje bem mais
grave do que fora no início da carreira. Justamente com Hocus
Pocus, Thijs lança mão de um artifício muito inteligente,
fazendo a parte mais grave do vocal e deixando a parte aguda
para o público, onde gesticulando com as mãos pede para que
os presentes cantem por ele. O resultado é maravilhoso, pois
deu ao seu público uma chance de ajudá-lo e cantar junto do
mesmo, aumentando ainda mais a interação com seus fãs. Após
este momento histórico se finda o maravilhoso show.
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Fim do show? Claro
que não! Ninguém arreda o pé do Carioca Club, gritando pelo nome
da Banda e de seu fundador. Em alguns minutos, todos voltam ao palco
para novamente agradecer a presença de todos e iniciam o bis com
“Neurotika” e finalizando-o com “Brother”. Uma das coisas mais fascinantes
deste finalzinho de show e que merece ser comentada é que Thijs
voltou para o bis com uma bandeira brasileira em suas mãos e a faz
questão de colocá-la esticada cobrindo todo o seu órgão Hammond
até o final do show. O show chega ao seu final e muitos vão embora
do Carioca Club com a sensação de ter visto uma verdadeira aula
de simpatia, humildade e técnica de uma banda que realmente pode
ser considerada uma Lenda do Rock Progressivo. Em muitos pontos
desta resenha citei a simpatia de Thijs com seu público durante
todo o show, e após o término ela novamente é comprovada. Demonstrando
ser uma pessoa extremamente humilde e simpática com seus fãs, toda
a banda recebe para fotos e autógrafos aqueles que ficaram após
a apresentação. Sinto-me honrado por ter visto este espetáculo e
volto feliz para casa com uma foto com toda a banda e meus discos
autografados.
Agradeço
a todos que me acompanharam nesta resenha. Peço a gentileza de comentá-la
em nossa comunidade no Orkut. É com a participação de nossos leitores
que almejamos cada vez mais melhorar nossas matérias para vocês!
Um abraço e até a próxima.
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AGRADECIMENTOS
- Marcel Castro,
por ter trazido esta banda maravilhosa para uma ótima tour
no Brasil. Muito obrigado também por sempre atender a equipe
MetalRevolution com toda cordialidade e educação. São produtores
como você que realmente fazem a diferença.
- Danilo Guedes, pelas fotos que ilustram essa resenha e por
sempre me ajudar em todas as vezes que preciso ir para SP
ver algum show.
- Todas as pessoas que tive o prazer de encontrar neste show.
Algumas pessoas são por demais especiais e merecem ser citadas:
“Mestre” Paulo que me acompanhou até o evento, Lu Wolf do
site RockOnStage por toda conversa antes do show e Alexandre
Araújo e sua mãe Deborah que mais uma vez nos encontramos
em um grande show.
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