GRAHAM
BONNET
BLACKMORE ROCK BAR, SÃO PAULO - SP
Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Lu Azevedo (rockonstage.org)
Data:
11 de Julho de 2009. Local: Blackmore Rock Bar em SP. Missão: Fazer
uma resenha de uma noite histórica para o Heavy Metal no Brasil. Espera
lá, isso parece exagero? Bem, por mais que pareça, não é, se você conhece
a história e biografia de Graham Bonnet. Se não a conhece, vamos falar
um pouco dele, antes de abordarmos sobre o maravilhoso show que pude
presenciar.
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Bonnet,
em minha opinião, tem uma das carreiras mais injustiçadas de
todos os tempos. Tocou em excelentes bandas e revelou exímios
guitarristas ídolos de muitos que começam a tocar este instrumento.
Mas ele, propriamente dito, é pouco lembrado. Iniciou sua carreira
em 1968, cantando junto com o “The Marbles” lançando o single
“Only One Woman" que atingiu a quinta posição no UK Singles
Chart (uma espécie de parada de sucessos britânica). Fez vários
jingles para anúncios e cantou em trilha sonoras de filmes,
mas foi em 1979 que ele se tornou um vocalista conhecido mundialmente.
Foi escolhido por Ritchie Blackmore, para substituir o vocalista
Ronnie James Dio (que estava de malas prontas para o Black Sabbath)
nas fileiras do Rainbow. Ora, Dio já era um grande vocalista
conhecido internacionalmente. A banda Rainbow estava vindo de
três maravilhosos discos de estúdio e um ao vivo com uma excelente
performance. Muitos temeriam entrar para o Rainbow nesta época,
devido à tamanha responsabilidade que iria arcar. Mas foi com
Graham Bonnet, dono de uma voz e maneira de cantar totalmente
diferente dos modos do Dio, que o Rainbow lançou em 1980 o maravilhoso
álbum “Down To Earth” contendo o hit “All Night Long".
Foi com Bonnet nos vocais que a banda se tornou a atração principal
do primeiro e histórico “Monsters of Rock” realizado em Donnington
Park.
A
título de curiosidade, seu teste para ingressar no Rainbow,
foi cantando “Mistreated” de forma destruidora, deixando todos
de boca aberta com a potência de sua voz. Dono de um estilo
totalmente diferente do restante da banda, ele subia no palco
vestido de terno e gravata com seus óculos escuros, e cabelos
estilo “James Dean” (ele sempre confessou ser fã do ator). Após
essa curta passagem pelo Rainbow, aceitou o convite do guitarrista
Michael Schenker (um dos fundadores do Scorpions e que vinha
de uma longa carreira no UFO) para cantar em um disco de sua
banda chamada Michael Schenker
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Group. Depois de trabalhar com Michael, fundou a banda Alcatrazz.
Foi exatamente essa banda que revelou dois dos mais brilhantes
(e egocêntricos rs) guitarristas do rock: Yngwie Malmsteen e Steve
Vai (que já havia tocado com Frank Zappa). Quando o Alcatrazz
chegou ao fim, Bonnet se lançou em carreira solo que teve seus
altos e baixos (principalmente devido ao seu problemas com álcool).
Em tours solos, teve como companheiros de banda alguns músicos
conhecidos do cenário heavy mundial, tais como: Bob Kulick (irmão
do guitarrista Bruce Kulick), Jon Lord, Don Airey e Vivian Campbell
(do Deff Leppard).
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Agora,
tendo esta pequena introdução sobre quem foi Bonnet, podemos entender
o início da resenha. Não, o início do texto não estava exagerado. Bonnet
tem um currículo de dar inveja, e por ser sua primeira passagem em terras
tupiniquins, a noite de 11 de julho é histórica para os shows de Heavy
Metal no Brasil. Infelizmente por não ser conhecido do grande público
e estar tocando em um local pequeno (mas excelente em termos de estrutura),
apenas em torno de 400 pessoas puderam conferir seu desempenho e da
banda que o acompanhava. Para quem não sabe, foi a “Paulo Zinner Rockestra”,
inegavelmente uma das bandas mais competentes do Brasil na atualidade,
a qual conta em suas fileiras com Paulo Zinner na Bateria (que toca
também na banda Golpe de Estado), Fernando Piu na guitarra, Daniel Latorre
nos teclados, Rodrigo Montovani no Baixo e as Backing Vocals, Jenifer
Pauzner e Vanessa Caran.

O show
começou com alguns acordes de “Hammond” no teclado e uma bem executada
introdução de “Tarot Woman”. Bonnet adentra no palco de camisa social
branca e seus inconfundíveis óculos escuros e logo de inicio manda o
petardo “Eyes Of The World” (de sua época no Rainbow). Nem preciso dizer
que os presentes foram a loucura cantando cada letra da música, sendo
que muitas vezes a euforia era tamanha que se sobrepunha a voz do vocalista.
Sem deixar o povo respirar, ao final da faixa já emenda com “God Blessed
Video”, de sua época com o Alcatrazz que agradou em cheio os fãs de
Steve Vai. Uma pequena parada no show, Bonnet cumprimenta o povo presente
e agradece a calorosa recepção que esta tendo por parte de todos. Anuncia
mais uma música de sua passagem pelo Rainbow e toca a maravilhosa “Love's
No Friend”. Aliás, cabe ressaltar que praticamente todo o album “Down
To Earth” foi executado, tanto que após esta faixa, Bonnet indaga aos
presentes se eles gostam do Rainbow e lança o petardo “Bad Girl”, um
lado B que em toda carreira do Rainbow foi tocada aos vivo raríssimas
vezes. A música ganhou contornos mais pesados e um andamento mais rápido,
mas o seu destaque foi o solo, fielmente reproduzido por Fernando Piu.
Na seqüência, tivemos a primeira faixa da época em que Bonnet cantou
com Michael Schenker chamada “Desert Song”. Ao fim da mesma, um pequeno
problema acontece com o baixo, e enquanto os rodies correm para solucioná-lo,
podemos ver o carisma radiante de Bonnet com os presentes. Aproveitando
a pausa forçada, o mesmo conversa com o público. Acompanhado apenas
da bateria, Bonnet canta um trecho de “No Woman Cry” de Bob Marley.
Problemas com o baixo resolvido a banda retorna ao repertório do show
tocando “Stargazer”, com direito a solo de Paulo Zinner.
Após
o momento de drum solo, já com a camisa aberta e muito suado,
Bonnet retorna ao palco mandando “Will You Be Home Tonight”,
em minha opinião uma das melhores músicas do Alcatrazz. Novamente
agradecendo a presença dos presentes, brincando e pulando
com a platéia, Bonnet anuncia a canção “Since You Been Gone”,
um dos momentos mais bonitos da noite, pois sendo uma canção
conhecida do Rainbow, todos cantaram em uníssono seu refrão.
Para aqueles que duvidavam da voz de Bonnet, achando que o
peso dos anos já teriam acabado com suas cordas vocais, essa
música veio para provar o contrário, mesmo tendo passado praticamente
30 anos de sua gravação, Bonnet ainda a segura bem ao vivo
e demonstra que sua voz permanece vigorosa. O guitarrista
Fernando Piu deixou Bonnet impressionado, pois tocava fielmente
cada nota da música composta por Ritchie Blackmore, o que
rendeu ao guitarrista vários elogios por parte de Bonnet,
em troca, Fernando tocou “Over The Rainbow” arrancando aplausos
de todos os presentes.
O
fim do show já se aproximava e Bonnet anuncia “All Night Long”,
uma das músicas mais conhecidas do Rainbow pós Dio, causando
um estardalhaço na pista, com os presentes cantando e vibrando
a cada acorde. Perguntando ao público se eles estavam cansados
ou se queriam ouvir mais alguma música, o frontman obtém como
resposta o brado do público presente. Em resposta, Bonnet
anuncia “Lost In Hollywood”, sendo tocada em uma versão mais
pesada do que a gravada em estúdio. É o fim do show, Bonnet
agradece aos presentes, elogia a participação do público e
diz esperar poder voltar outras vezes no Brasil, deixando
o palco sobre uma salva de aplausos. Com o público ainda pedindo
mais canções, ele retorna ao palco para encerrar o show com
“Night Games”, a única musica da sua carreira solo executada
no show, talvez devido a isso, tenha ganhado um solo de guitarra
longo e envolvente. Novamente agradecendo o carinho com que
foi recebido e mandando um abraço especial a toda a banda
que o acompanhou, ele se despede do palco. Agora sim, é o
fim do show. Mas apenas do show, pois Bonnet ainda tinha muito
mais carisma e simpatia para distribuir para os fãs presentes.
Organizando
uma fila interminável, ele atendeu aos presentes, distribuindo
fotos e autógrafos aos fãs. Quando chegou a minha vez de autografar
algo, levei a ele dois discos sendo um deles o Down To Earth
que ele havia gravado com o Rainbow. Disse a ele que este
disco era muito importante para mim, pois além de gostar muito
das canções do álbum, o meu vinil estava autografado pelo
Roger Glover e Don Airey. Ele olha os autógrafos e me dá os
parabéns por te-los conseguido. Eu pergunto se é possível
que sua assinatura seja dedicada em meu nome, e mais uma vez,
demonstrando todo o carisma, Bonnet autografa escrevendo “To
Clayton”. Feliz devido ao grande show que presenciei, com
várias fotos juntos a um dos meus vocalistas preferidos e
com autógrafos na bagagem, só me restava pegar logo o caminho
de casa com um grande sorriso de felicidade estampado no rosto.
Muito obrigado a todos que leram esta resenha.
AGRADECIMENTOS
- Ao pessoal do Blackmore Rock Bar,
por ter trazido para SP um maravilhoso show com um vocalista
que faz parte da história do Rock e Heavy Metal. Em especial
a Lu, sub gerente do Blackmore Rock Bar e
colaboradora do website www.rockonstage.org
que me atendeu com toda educação e simpatia. Esperamos que
este seja o início de uma grande e promissora parceria entre
o Metalrevolution, o Blackmore Rock Bar e o site Rockonstage.org.
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