HARDEVIL
OCEAN CLUB, SÃO PAULO - SP

Review por André Luiz - Edição por André Luiz
Fotos cedidas pelas bandas Psicose e House Of Evil

A segunda edição em 2009 do Hardevil marcou pelo debut de novas bandas na Ocean Club. O festival hard/heavy mais popular da casa contou com a presença de 550 pessoas, as quais além de desfrutar do open bar tradicional do local, assistiram a 'iniciação' na Ocean de Machine Gun, Hidden Hearts, Young Kill's, Lost Highway e Voodoo Rising, as presenças marcantes de nomes como Psicose, Use Your Guns e Spectroz, além do retorno após debut muito bem comentado de Sons Of Gaia, House Of Evil e Shadowmaker.

O início das apresentações estava marcado para 23h, na pista principal com o Machine Gun. Após o costumeiro atraso nos trabalho de palco, a banda formada por Max (V), Rafael (D), Raphael (G) e Dom Floyd (B) inciam sua performance. Baseando repertório na carreira de Skid Row e Poison, músicas como 18 And Life e Unskinny Bop chamaram atenção do pouco público presente na casa no dado horário. Destaque para o trio guitar/batera/baixista: Rafael emprega um ritmo na música a seu critério que incrementa a execução da mesma, já os demais se destacam pela técnica do guitarrista (haviam dois guitars no palco, porém na comunidade da banda só há o nome de um...) e a presença de palco de Dom Floyd (PS.: confesso que preferi ficar do lado de fora enquanto coverizavam o Skid Row, apenas na base do áudio, porque desacostumei a estar sozinho ouvindo músicas de Bach e cia... eh Renata furona rsss). Já no palco Dark, o início dos trabalhos se deu em meio ao funcionamento do open bar, com a banda Sons Of Gaia formada por Mark (V), Henrique ‘Anjão’ e Alex (G), Vinicyus (B) e Danilo (D). COm pequeno atraso no começo do show que ocasionou em um repertório mais curto, podemos destacar Alex extremamente técnico na guitarra e a interação de toda banda com o público como pontos principais da apresentação da Sons OF Gaia, a qual através de clássicos do Blind Guardian como Into The Storm, Valhalla, Welcome To Dying e Mirror Mirror executados com competência roubaram a cena no início do HardEvil (PS.: citação seja feita ao 'vocal do público', banger presente na pista que volta e meia 'soltava' agudos audíveis mesmo durante a execução das músicas no palco)..

Psicose (agradecimentos a banda)

Após mudanças no cronograma promovidas pelo atraso de bandas, a pista principal recebia um de seus frequentadores mais assíduos. A Use Your Guns de Louis Rose (V), Willy Snake e Guilherme (G) e El Mariachi (B)contou dessa vez com o reforço de Rafael no vocal porque o Louis estava com problemas na garganta, mais a presença de um novo baterista (desculpe pela ausência do nome, outra informação não obtida através da comunidade no orkut). Vocal 'debilitado', Willy literalmente chamou a responsabilidade pra si roubando a cena com sua atuação praticamente sem erros de execução e um jeito despojado on stage através de hits como Don't Cry, Sweet Child O' Mine, Welcome To The Jungle e Paradise City cantados em uníssono pelos presentes que agitaram do início ao fim da apresentação (PS.: em meio a euforia de alguns com a performance de palco de meninas, um rapaz literalmente encarnou o espírito fanfarrão arrancando suas roupas e passeando pelo palco apenas de cueca, o que não apenas arrancou gargalhadas do público como despertou a ira do guitar Guilherme). Já no palco Dark, poderia classificar apenas como uma atuação acima da média do House Of Evil (Merciful Fate & King Diamond)... Exceto contratempos como o atraso devido a falta de disponibilização de água para banda, primeira faixa executada com volume do microfone do vocal muito baixo e problemas com o instrumento do Marcio que forçou Luis Fabian e executar uma-duas músicas segurando duas guitarras em uma, digamos, foi uma apresentação fiel ao original por parte de Rafael Petersen (V), Luis Fabian e Marcio Denner (G), Rene Iron Hell (D), Edivan Hansen (B). Do microfone com suporte de ossos e maquiagem/trajes à King Diamond de Rafael, passando por sua própria interpretação de palco e potência sonora, a interação entre os músicos de cordas e o massacre do baterista Rene em seu instrumento, culminando em um público altamente participativo, esses foram os ingredientes de uma performance altamente positiva, a segunda da House Of Evil na Ocean Club, a qual contou com um set

composto por petardos como The Uninvited Guest, The Family Ghost, Black Hill Sanitarium, Welcome Home, Evil, Halloween (com Márcio e Rene trocando seus instrumentos, G e D respectivamente).

Em meio a apresentação com maior duração da House Of Evil, não pude presenciar a performance de Thalita Simon (V), Silvia Côrrea (G), Lívia Ilian (B), Denise Ferreira (K) e Laís Barquetti (D) com a Hidden Hearts no palco principal. Mas, como tenho minhas fontes de plantão entre amigos comentaristas de matérias anteriores no próprio Metal Revolution, segue citação a respeito da banda que obtive com uma dessas pessoas que as assistiu: 'gostei das meninas, elas tem personalidade e tocam direitinho, executaram clássicos hard rock'. Deixarei uma visão mais completa sobre a banda em uma próxima oportunidade que cobrir eventos com elas se apresentando, até porque pelo que pude apurar elas retornam breve a casa... Na esteira da Hidden Hearts no palco principal, presenciei mais uma apresentação de bom nível da Psicose (Black Sabbath). Thammy (V), Priscila (G), Christiane (B) e Carla (D) em um todo possue um potencial muito bom, o instrumental permanece impecável com atuações marcantes de Priscila e Christiane mas dessa vez destacaria a atuação da Carla que parecia 'possuída' no comando das bateria. Mas, o foco principal se tratava do debut na Ocean Club de Thammy nos vocais, e diferente das anteriores, ela possue uma característica que dá margem à Psicose executar músicas da fase Dio como Neon Knights, não apenas da era Ozzy como Iron Man e War Pigs (todas executadas na apresentação). Tanto seu timbre quanto presença de palco são destacáveis. No palco Dark por sua vez, um público caracteristicamente headbanger desfrutou da apresentação da ShadowMaker, a qual executou com fidelidade o som do heavy clássico do Grave Digger. Além do entrosamento característico da Shadowmaker formado por Renato (V), Adilton Felipe e Fagner (G), Danilo Dill (B) e Argos Danckas (D), destaco também a performance do novo baterista da banda, Argos, e a atuação de palco dos músicos, em especial Danilo e o interativo Renato, em petardos da banda alemã como Scotland United, The Dark Of The Sun, The Reaper, The Round Table, Lionheart, Rebellion e Heavy Metal Breakdown. Literalmente um show para se apreciar pelo grande público, embora a presença na pista tenha sido ofuscada no início pela performance da Psicose no palco principal.

Debutando na Ocean Club, a Young Kill's se apresentou no palco principal com um repertório anunciado calcado na carreira de WASP e Mötley Crüe. Diria que divido meus comentários em duas partes: na primeira achei a banda meio estranha, um tanto quanto desorganizada, abusando das performances de palco para chamar atenção do público, sem esquecer a interpretação muito boa do vocal Bruno; porém mais ao final, o próprio vocal discussou afirmando que o trio D-B-G havia deixado a banda em cima da hora, forçando a chamada as pressas dos músicos que lá estavam no palco e celebrou com um sonoro 'foda-se' a atitude do pessoal que os deixou. Em resumo, minha visão mudou completamente, o que ficou foi a imagem de pessoas que mesmo com a adversidade fizeram de tudo pra se apresentar, e mesmo sem tempo para ensaiar, acabaram conquistando o público, que subiu ao palco e cantou junto aos músicos faixas como Kickstart My Heart, Looks That Kill, Girls Girls Girls (duas vezes) e Shout At The Devil. Meus parabéns em especial à Bruno Lawless (V) e Paré (G), remanescentes persistentes da line up que se apresentou. Passada esta performance, a primeira impressão que tive do palco Dark fora do caos instalado na pista, mas vendo quem estava sob o palco apenas pude soltar uma expressão do tipo 'tá explicado...'. A Spectroz de Alan (V/G), Caio (G), Filipe (B) e Jack (D) interpretando Metallica agitou o público presente em meio ao fim do open bar no dado horário, através da execução muito boa de clássicos como Master Of Puppets e Enter Sandman e principalmente, pela presença de palco dos músicos, em especial do vocal/guitar Alan. Aprecio a atitude da banda, sempre MARCAM presença nos eventos no qual participam seja através das comunidades no orkut, no evento em si com público e músicos, e claro, on stage, com palavras exaltando a interação entre as bandas e conclamando os presentes na pista a participarem do show.

Finalizando os trabalhos no palco Principal, a banda Lost Highway de Douglas (V), Leo (B), Helder (G), Gustavo (K, substituindo Jack o qual não pode ir) e Biazi (D). Banda com pontos positivos mas com outros a melhorar, até em virtude dos músicos estarem ensaiando a cerca de um mês apenas. Destaque principal para o guitar Helder e para a atuação de Gustavo (olhe lá Jack, você que não abra o olho não rsss) o qual participa ativamente da apresentação (ps.: em dado momento de discussão com um de meus amigos comentaristas de matérias anteriores do metal Revolution sobre o tecladista tocar ou deixar tudo programado no instrumento, permaneci duas músicas apenas de olho nele, e não é que foi tudo executado mesmo ao vivo? Foi mais impressão mesmo o assitindo um pouco de longe...). Com relação a outros pontos, gostei da escolha do repertório mesclando fases da carreira do Bon Jovi em canções como You Give Love A Bad Name, Born To Be My Baby, Wanted Dead Or Alive, I'll Be There For You, Have A Nice Day e One Wild Night, mas o vocal embora tenha considerado esforçado e com boa presença de palco acaba deixando a desejar no quesito timbre em determinados momentos. Já no palco Dark, debutando na casa, o Voodoo Rising de Fernando (V), Alan e Guilhermo (G), Luciano (D) e Igor (B) anunciado como Pantera e Sepultura cover, apresentou um repertório com mais ênfase na banda brasileira e muitas execuções ao seu estilo de clássicos do metal, culminando em uma apresentação um tanto quanto curiosa e de personalidade. A banda num todo demonstrou técnica e presença de palco, mas o vocal foi um show a parte, seja nos seus discursos, seja na voz rasgada bradando cada letra como se fosse uma cuspida na cara de quem não tivesse gostando do show. Primeiro foram problemas técnicos (uma guitarra 'saturada' abafando o som que vinha dos PA's, logo arrumado pela equipe da mesa de som após aviso do público), depois alguns reclamando que faltava músicas do Pantera no repertório despertando a ira do vocal Fernando que apartir de então parecia dar 150% de

House Of Evil (agradecimentos a banda)

.si no palco, seja interagindo na pista participando de moshs, seja cedendo seu microfone ao público, um show a parte, em músicas apresentadas como Master Of Puppets, Symphony Of Destruction, Perry Mason, Cowboys From Hell, Bullet The Blue Sky, Refuse Resist, Policia, Territory e Roots Bloddy Roots.

SELEÇÃO HARDEVIL
Dos cinco eventos os quais cobri pelo MR Battle, este foi o de maior qualidade, até por esse motivo, o mais difícil de se definir a seleção. Na questão vocal feminino não tive maiores problemas, mas caso o House Of Evil não se apresentasse seria uma dificuldade imensa escolher um vocal masculino, porque além da voz ponderada intercalando agudos e vocais limpos, Rafael Petersen possue uma interpretação de palco acima da média... Da mesma forma, recebi várias reclamações de bandas que não encontram um bom baterista ou dupla de guitarristas, nesse Hardevil poderia ter citados muitos outros. No instrumento de cordas, Alex do Sons Of Gaia se destacou pela técnica apurada e feeling on stage, já Willy Snake carregou a Use Your Guns com o problema vocal de Louis, enquanto isso, Luis Fabian fez o mesmo quando seu companheiro de House of Evil Marcio teve problemas em seu instrumento; porém não há como não citar a Priscila da Psicose, a dupla de guitars do Shadowmaker, Alan que não apenas toca guitarra como interage no comando dos vocais do Spectroz... Na parte de baterista a briga conseguiu ser mais dura, com uma Carla inspirada na Psicose, Argos da Shadowmaker mesclando técnica e feeling, mais os comandantes das baquetas do Voodo Rising, Machine Gun e Spectroz; porém, falou mais alto ao meu ver a atuação impecável de Rene da House Of Evil que além de demonstrar precisão no seu instrumento e velocidade no pedal, ainda tocou guitarra no clássico Halloween interpretado originalmente pelo Rei Diamante. Na questão do baixo, diria que o feeling maior fez a diferença devido ao nivelamento por cima de boa parte dos baixistas, já quanto ao teclado fora a escolha mais simples por ser o único da noite (rsss). Quanto a melhores bandas por estilo, embora tenha considerado todos shows com bom nível, em especial os da pista Dark, o entrosamento instrumental mesclado com atuações muito boas dos vocais e a participação ativa do público demonstrados nas apresentações do House Of Evil e Psicose os colocam como melhores da seleção.

Vocal Masculino: Rafael Petersen (House Of Evil)
Vocal Feminino: Thammy (Psicose)
Baixista: Christiane (Psicose) e Danilo Dill (Shadowmaker)
Baterista: Rene Iron Hell (House Of Evil)
Guitarrista: Alex (Sons Of Gaia), Luis Fabian (House Of Evil) e Willy Snake (Use Your Guns)
Tecladista: Gustavo (Lost Highway)
Banda Heavy Metal: House Of Evil
Banda Hard/Classic Rock: Psicose

AGRADECIMENTOS
- Nuish Prod.
pela produção e realização do evento, em especial ao Renan, Akasha, todo pessoal da segurança, DJ's e barmen
- Bandas com quem tive ótimo relacionamento, em especial a Use Your Guns, Psicose, House Of Evil, Shadowmaker, Sons Of Gaia, Spectroz, Young Kill's e Lost Highway
- Público com o qual tive contato durante a cobertura: Rodrigo 'cunha' (rsss), Leandro, Ricardo, Bruno, a dupla do hot dog Ernesto e Lu (rsss), a amiga da Rubia e seu namorado (não lembro o nome rsss), pessoal do MC qu estava por lá, J. Fire trêbado de plantão (hahahah), além do pessoal com quem conversei no evento cujo nome eu não recordo ou simplesmente não sei (kkk)