OCEAN CLUB, SÃO PAULO - SP
Review por André Luiz - Comentários por Graziele 'Maluca' - Edição por André Luiz
Fotos por Rock N' Huntin' e Equipe Hard 'N' Roll

Quinze edições, quinze temáticas diferentes, quinze situações distintas, quinze momentos que fizeram deste o maior festival hard/classic periódico de São Paulo. Conhecido não apenas por reunir alguns dos principais nomes da cena hard como também pelo lançamento de novos grupos, a décima quinta edição contou com a presença de uma banda na linha punk rock (Poison Heart, que já participou de outros HnR's anteriormente) e outra na linha heavy metal, a debutante em termos de Ocean Club Metal Health. Além da presença de nomes conhecidos do evento como Rock N' Huntin', Use Your Guns, Hard Rock Tribute, Sexness e Fire Kiss; um novo debut na casa, do power trio Makinária Rock; e a segunda apresentação da revelação do HnR XIV, Sinestesy, para um grande público, estimado em mais de 750 pessoas. As ausências da noite ficaram por conta da Flawless Victory (problemas com baixista) e a Bad Boys (ausência de integrantes). Mas além das atrações citadas e da confraternização que marca o festival, esta edição marcou como o Especial Noite do Whisky, na qual a bebida fora servida no open bar aos presentes.

Hard 'N' Roll XV - por Equipe Hard 'N' Roll

Como de costume, o horário das 23hs estipulado para início dos shows sofreu certo atraso, a primeira banda a se apresentar fora a debutante em termos de Ocean Club, Makinária Rock, no palco Dark. Carlos Digger (V/D), Dirley (G) e Renato (B) trouxeram um repertório próprio cantado em português formado por músicas como Cidade Rock e Vivendo a Vida, pano de fundo com o endereço do site da banda, destaque para o baixista e seus incrementos na música, assim como vocal/baterista Carlos Digger interagindo com público constantemente. O problema fora realmente o horário, o show terminou quando o público começava a se aglomerar no open bar... Quase 0hs a Sexness de Renato Quinto (V), Thiago Bach (G), Edu Magossi (B) e Jean Antoni (D) sobe ao palco principal. Em meio a um público mesclando interesse na banda e em conferir a abertura do open bar, tocaram Unskinny Bop, Fallen Angel, entre outras do Poison , com destaque especial para o guitar Thiago Bach.

No palco de baixo a Fire Kiss trouxe repertório calcado em Twisted Sister e Bon Jovi. Fábio ‘Angel’ On Fire (V), J. Fire (G) e Mr. Wild (B) regados a 'muita fumaça' (em virtude do aparelho que trouxeram com esse propósito) executaram músicas como You Give Love A Bad Name, I Die For You, It's My Life e I'll Be There For You, mas em meio a problemas no som da casa (guitarra e teclado por exemplo, se ouvia em alguns momentos e em outros não, assim como o volume da bateria se sobresaia) diria que pôde-se reparar também alguns erros na execução das músicas. A presença das duas meninas por exemplo, tumultuava o palco que já não é tão extenso, o vocal que tem como ponto forte a performance extravagante on stage em dados momentos ficava em meio a um verdadeiro congestionamento de pessoas. O público participou ativamente, mesmo algumas pessoas tendo jogado algo nas performers de palco (não consegui identificar se era copo ou papel), diria que eu particularmente não gostei do que vi em virtude dos problemas citados, mas

em se tratando de um show com grande parte das 750 pessoas da noite presentes na pista, uma boa parte do público não apenas curtiu como participou ativamente da apresentação. Se apresentando pela segunda vez na Ocean Club, a Sinestesy de Vanusa (V), Schidmit (G), Marquito (B), Caio Gaona Draven (D) e Gabriel (K) foi um show a parte. A pista foi enchendo conforme o público notava sua presença no trafegar de uma pista a outra, destaque especial para o tecladista Gabriel com sua participação constante nas músicas (as quais contribuiam para tal), o baterista Caio com suas viradas no tempo certo e a ótima vocal Vanusa em faixas como Streets In Paradise (Vixen), Final Countdown (Europe, exibida com maestria para participação ativa dos presentes) entre outras, mas apartir desta apresentação os problemas relacionados ao retorno de palco e volume dos intrumentos/vocal começavam a se mostrar de forma nítida.

A história da apresentação da Use Your Guns no palco Phoenix até parece um conto épico. Começaram com grande público na pista mais problemas no som de palco ora saturado, ora com guitar e vocal inaudíveis. Para dificultar mais ainda, J. Fire chamado as pressas para fazer a segunda guitarra da banda se apresentava com a Fire Kiss no palco Dark, obrigando Willy Snake a se desdobrar no início da apresentação mesclando base/solo. Ao lado do citado guitar, Louis (V), Ale ‘Mariachi’ (B) e Vikki (D) executaram Welcome To The Jungle, Mr. Brownstone, o som meio que se estabilizou, enquanto o vocal Louis comentava que aquele parecia um show do Sepultura tamanha verocidade do público em mosh pits. Live Ain't Let Die, My Michelle, It's So Easy, quando reparo novamente em meio ao vai-volta pelas pistas da casa, J. Fire já se encontrava no palco fazendo a guitarra base. Sweet Child O'Mine, Don't Cry, foram tantos petardos na sequência que se esqueciam que aquela se tratava da noite dos baixistas de cueca, e Ale 'Mariachi' dá o ar da graça com sua vestimenta 'underwear' durante uma música. Todos estes ingredientes citados resultaram em uma performance das melhores da noite, mais um ótimo show no curriculum da Use Your Guns, sempre encerrado pelo clássico Paradise City. Com os cancelamentos de Flawless Victory e Bad Boyz, chegava o momento da última performance no palco Dark, e a Hard Rock Tribute de Debby Hard Girl (V), Sweet Ibanez (B), Théo Machado (D), Filippe Farias (G) e Mr.Zeo Ariel (K) deu o ar da graça. A banda executou um set variado, mesclando músicas do Cinderella como Somebody Save Me e Nobody Fools, com hits do Van Halen a citar Panama, sem esquecer petardos do Skid Row como Remember Yesterday e Youth Gone Wild (com participação especial de Alanna; a propósito, pela enésima vez não pude conferir a faixa autoral da HRT pois a mesma fora executada enquanto procurava a vocal da Rock N' Huntin' na pista Phoenix para a citada participação rsss). Destaques da apresentação na minha opinião foram a constante vocal Debby e a performance do guitar Fillipe Farias (ele demonstra um feeling especial quando executa riffs/solos, a expressão de seu rostro expressa o sentimento de prazer em se apresentar).

Alanna (Rock N' Huntin') - por Rock N' Huntin'

Pela recepção dos bangers presentes na pista à execução nos PA's de Empty Tankard de uma certa banda thrasher alemã, imaginava-se como seria o show da Metal Health de Rafe Ripper (V), Diego Sinais e Léo Oliva (G), Dan Riot (B) e Gleison Torres (D). Mesclando músicas próprias da demo Twisted Live com clássicos da história do metal e apresentando o single Stand Up And Fight (com participação especial de uma vocalista loira cujo nome não consegui), diria que o grande destaque fica por conta do público banger cativo que participava ativamente do show, ora elogiando a 'opção sexual' do guitar Sinais (rss) ora simplesmente bangueando na pista, além dos solos incrementados e o agudo impressionante de Rafe Ripper. Novamente cito os problemas na regulagem de som, o vocal fora o maior prejudicado nesse ponto solicitando insistentemente aumento no volume de seu microfone, isso quando o próprio público não o fazia... Na sequência de apresentações no palco principal, diria que uma banda não se faz apenas de técnica instrumento-vocal, mas também de perspicácia para escolher um set adequado ao público com o qual está lidando. Após presenciar o show da Metal Health e verificar a grande quantidade de fans de um estilo mais pesado na pista, a Rock N' Huntin' de Alanna Almeida (V), Rafael Picarone e Rodrigo Santos (G), Bruno "Rush" Giacomoni (B) e Thiago Marques (D) opta por um início avassalador com Enter Sandman (Metallica), seguido por The Trooper (Iron Maiden) e Crazy Train (Ozzy). A pista estava tomada, público vibrando como havia presenciado apenas em shows das Velhas Virgens, a banda decide acalmar as coisas com Dream On (Aerosmith), e posteriormente vai retornando a energia com Rock You Like A Hurricane (Scorpions), Rainbow In The Dark (DIO), Detroit Rock City e em meio a gritos de 'KISS' anuncia que finalizaria performance com mais uma do Iron Maiden, Run To The Hills, para delírio coletivo. Aos gritos de AC/DC, mesmo com o show encerrado e os músicos guardando seus instrumentos, Alanna assume o microfone e canta junto com o público Highway To Hell, momento este que encerrou de maneira espetacular o show. Devo citar que mesmo com esta grande apresentação, ao fundo da pista mal se ouvia guitar ou vocal, apenas as batidas da dupla bateria/baixo, mais um problema de ordem técnica da noite... Para finalizar, uma pista transformada em mosh pit gigante para apresentação da Poison Heart. Com a performance única de Fábio no vocal e o guitar Giuliano com dedos ensanguentados em virtude do dedilhar feroz em seu instrumento, a pista fora tomada de grande energia regada a músicas como KKK Took My Baby Away, I Believe In Miracles, Surfin Bird, Poison Heart, Sheena Is A Punk Rocker, sem esquecer a sempre pedida Gabba Gabba Hey com direito a cartaz erguido pelos músicos. Final em grande estilo para uma ótima noite.

SELEÇÃO HARD 'N' ROLL XV
Em um evento com tantos destaques técnicos em termos de banda, tive que apelar para participação oriunda da pista. No quesito banda, a Metal Health fora citada pelo conjunto técnica/público pois até pelo motivo de ser a única de heavy, caso não fosse agradável aos presentes a mesma nem ao menos seria citada... Quando ao estilo hard/classic, o que me fez optar pelas três bandas em questão fora a participação do público, visto que minha dúvida incluia Sinestesy e Hard Rock Tribute em um quinteto de melhores da noite (o limite são três bandas, fora ocasiões extraordinárias como o Hellraiser IV rsss). Nas escolhas de vocais (M/F) e tecladista acredito que não haja maiores discussões, talves no caso do vocal masculino mas cada um dentro de seu estilo fora um bom destaque. Na parte de baixistas, fiquei em dúvida com relação aos instrumentistas da Metal Health, HRT, Rock N' Huntin', Use Your Guns e Sinestesy, mas minha opção contou com o ponto da banda Makinária Rock ser de som próprio e portanto, a criatividade fora o preponderante. Citando os bateristas, minha escolha natural seria Caio Gaona e Thiago Marques, mas a atuação do Vikki da Use Your Guns me chamou a atenção dessa vez, considerei uma das mehores que ele já fez com a banda e por isso minha indicação. Quanto aos guitarristas, poderia incluir ainda o Fillipe da HRT e o Giuliano da Poison Heart com seus dedos ensanguentados sem maiores problemas...

Banda Hard-Classic Rock: Poison Heart, Rock N' Huntin' e Use Your Guns
Banda Heavy Metal: Metal Health
Vocal Masculino: Fábio (Poison Heart), Louis (Use Your Guns) e Rafe Ripper (Metal Health)
Vocal Feminino: Alanna Almeida (Rock N' Huntin'), Debby Hard Girl (Hard Rock Tribute) e Vanusa (Sinestesy)
Baixista: Renato (Makinária Rock)
Baterista: Caio Gaona Draven (Sinestesy), Thiago Marques (Rock N' Huntin') e Vikki (Use Your Guns)
Guitarrista: Léo Oliva (Metal Health), Rodrigo Santos (Rock N' Huntin') e Willy Snake (Use Your Guns)
Tecladista: Gabriel (Sinestesy)

AGRADECIMENTOS
- Equipe Hard N' Roll
pela produção e realização do evento, em especial ao Bruno, Ernesto, todo pessoal da segurança, DJ's e barmen;
- TODAS AS BANDAS sem exceção, cada integrante com quem conversei ou simplesmente me chamou através da velha história do 'nunca bebemoramos juntos' (rsss) a citar por ordem de apresentação: Alanna, Rodrigo Santos, Fábio, Giuliano, Léo Silva, Diego Sinais, Louis, Willi Snake, Ale Mariachi, Debby, Sweet Ibanez, Théo Machado, Filippe Farias, Ariel, Caio Gaona, Renato Quinto, Jean Antoni, Fábio On Fire e finalmente (rsss) J. Fire;
- Público com o qual tive contato durante a cobertura: Rodrigo 'cunha' (rsss), Leandro, Ricardo, Bruno, Gordo, Ludmila, Lilian 'Japa', Clayton velho de guerra, Mirela e amiga, Val Maciel, Alan, Milho Wonka, além do pessoal com quem conversei no evento cujo nome eu não recordo ou simplesmente não sei (kkk).