IAN ANDERSON
CITIBANK HALL, RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz
Fotos por Luciano Oliveira (rockemgeral.com.br)

Em meio à enxurrada de shows que estamos tendo no país nesse primeiro semestre (a maioria apenas mais do mesmo), alguns nomes se destacam e se tornam opções interessantíssimas para aqueles que, assim como eu, não tem condição de ir a todos os shows. Um destes destaques trata-se do show do músico Ian Anderson, líder e mentor intelectual do Jethro Tull, o qual veio ao país para apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo, integrando a tour latina solo de maio de 2011. Um fato curioso é que, inicialmente, o músico se apresentaria apenas na capital paulista, tendo sido o show na cidade maravilhosa anunciado três meses depois de São Paulo. Isso deu aos cariocas um mês para garantir entradas para o show, comparado com os quatro meses dos paulistas (além do preço cobrado pelos ingressos terem sido acessíveis), mas foi gratificante ver que tal situação não impediu os cariocas de comparecem em ótimo número ao Citibank Hall em uma fria e chuvosa noite de domingo.

Com quase 20m de atraso, as luzes se apagam e quando retornaram todos os músicos exceto Ian já se encontravam sob o palco. A estrela da noite entrou por último, ovacionado pelos presentes, abrindo o show com o clássico Living In The Past, single lançado em 1969. Em seguida, A New Day Yesterday, música de abertura do disco Stand Up, também de 1969 manteve a animação do público. Logo ao seu final, Anderson se dirige pela primeira vez ao público carioca e comenta o fato de terem aberto o show com duas faixas muito velhas, mas que era hora de dar um basta na situação, pois tocariam uma música de 1971 e diz que não fazia idéia do que se tratava a música Up To Me.

Ian Anderson - por Luciano Oliveira (rockemgeral.com.br)

Após Hare In The Wine Cup, descrita por Anderson como uma canção escrita há poucos meses, a banda executou uma faixa instrumental, ainda sem nome, mas que segundo Anderson é conhecida entre os músicos da banda como “That Fucking Song”, servindo para demonstrar a grande qualidade técnica de todos os componentes da banda. Ian fala novamente aos cariocas e diz que o fato de uma música ser complicada não a torna boa, apenas estranha e diz que era hora do folk rock, anunciando à clássica Songs From The Wood. Prelude marcou a primeira homenagem da noite ao compositor Johan Sebastian Bach. Bouree e sua inconfundível introdução de flauta levantaram o público, mas o ponto alto da noite estava por vir: uma versão abreviada e sensacional de Thick As Brick, do disco homônimo de 1972.

Caminhando para o final da apresentação, Toccata And Fugue marcou a segunda homenagem ao compositor Johan Sebastian Bach da noite. A Change Of Horses, outra faixa de trabalhos mais recentes, precedeu a execução de duas das músicas mais famosas da carreira do Jethro Tull, Budapest e Aqualung as quais trouxeram a empolgação de volta ao espetáculo e contaram com boa participação da platéia. Durante a breve e óbvia pausa antes do retorno para o bis, os cariocas deixaram o protocolo de lado, abandonaram seus assentos e se aglomeraram na frente do palco para curtir de perto os últimos momentos do show, proporcionados por Locomotive Breath. O final perfeito para uma apresentação maravilhosa.

Anunciado como um show solo e acústico, a apresentação conteve um pouco de ambos, pois a maior parte do set list foi composta de clássicos do Jethro Tull e poucos foram os momentos acústicos, deixando claro que quem deixou de ir a alguns dos shows por conta desses motivos, após ler essa resenha se arrependerá profundamente. Durante o tempo que esteve no palco, Ian Anderson deu um show de simpatia, vitalidade e, ao lado da ótima banda que o acompanhava, encantou a todos os que compareceram ao Citibank Hall.

A tão criticada configuração de teatro, com cadeiras espalhadas por toda a pista da casa de shows, se mostrou uma decisão extremamente acertada. A platéia do show, composta por um público diferente dos que normalmente freqüentam espetáculos de rock na cidade, se comportou de maneira exemplar, em determinados momentos parecia que estávamos em um cinema, tamanho o silêncio e nível de concentração do público no show, o que com certeza contribuiu para fazer desta uma apresentação realmente memorável.

Outro fator positivo foi o fato do show ter começado e terminado cedo, o que permitiu que todos pudessem voltar para casa sem maiores problemas, principalmente os que dependiam de ônibus, a volta para casa foi tranquila. Em uma nota mais pessoal, após momentos de incerteza com relação à credencial, problema no trajeto até a casa de shows situada na Barra da Tijuca e quase não ter conseguido chegar a tempo de ser credenciado, o ótimo show que presenciei foi o desfecho perfeito para o fim de semana em que completei sete anos como repórter do site. Agradecimentos à Bianca Senna pelo tratamento cordial com a equipe de um homem só do Metal Revolution e ajuda com set list.

Set List
Living In The Past / A New Day Yesterday / Up To Me / Hare In The Wine Cup / New Band Instrumental / Songs From The Wood / Prelude Bach / Bourrée / TAAB Poet Painter / Toccata And Fugue / A Change Of Horses / My God / Budapest / Aqualung – BIS: Locomotive Breath