ABERTURA: LAUREN HARRIS
AUTÓDROMO DE INTERLAGOS, SÃO PAULO - SP

Review por André Luiz - Edição por André Luiz
Fotos por Igor (Mondo Entretenimento), Clayton Franco, Bruna, Renata Rossi, Rodrigo Vecchi e Bruna (metalrevolution.net)

Dando continuidade a segunda etapa da Somewhere Back in Time Tour, com início em Belgrado (Sérvia) dia 10/02/2009, o Iron Maiden retornou para a maior tour da banda no Brasil até o momento. Pela primeira vez se apresentando no mesmo local onde aconteceu o histórico último show (até então) do KISS, o Autódromo de Interlagos, a donzela de ferro levou segundo os números das organização do evento 63mil pessoas ao clima nostálgico da apresentação particular com maior público da história da banda (exceto festivais, o recorde anterior fora na Suécia, 57mil pessoas). Entre as novidades se comparada a apresentação deste ano com a de 2008, estão a inclusão de alguns petardos mais antigos como Children of the Damned, Phantom Of The Opera, Wrathchild, The Evil That Men Do e Sanctuary, sem esquecer a promessa cumprida por Bruce Dickinson de que retornaria com a mesma estrutura de palco e efeitos utilizados na Europa. Em termos de São Paulo, uma rápida porém marcante chuva se fez presente complicando a situação do local (o qual se tornou um verdadeiro lamaçal) e dos recursos de palco a serem utilizados (de fogos a telão, passando por instrumentos e demais equipamentos de som).

Iron Maiden - por Igor (Mondo Entretenimento)

Em meio a entrada do público, Lauren Harris, filha do mandatário do Iron Maiden Steve Harris, se apresentou no palco montado no Autódromo de Interlagos. Entre faixas como Smoke And Mirrors executadas, pode-se dizer que a performance serviu como leve distração aos presentes que tentavam arrumar um lugar na pista eslameada do local.
Passa-se algum tempo, a noite chega e os rumores de cancelamento do show da Shadowside crescem na mesma dimensão com que os roadies do Iron Maiden se apressavam em frente ao palco na arrumação dos equipamentos da banda. Já por volta das 20hs, horário esperado para inciar o show da atração principal, o produtor do evento sobe ao palco e explica que a apresentação sofreria um atraso devido a chuva e ao excesso de pessoas do lado de fora do local, que os esquipamentos dos ingleses sofreram problemas mas que tudo estava sendo resolvido para levarem aos presentes o melhor show do Iron Maiden possível.
Cerca de uma hora depois, meados de 21hs, inicia-se a execução nos PA's de Doctor Doctor do UFO, tema comum em pré-aberturas do Maiden, arrancando os primeiros sorrisos dos fãs presentes no Autódromo. A seguir luzes apagadas, tema de Powerslave ao fundo do palco, incia-se a Intro Churchills Speech. Ouvem-se os riffs iniciais, batidas na bateria, explosão de fogos! E os membros da Donzela de Ferro adentram ao palco, um a um, Bruce Dickinson por último já proferindo as primeiras palavras de Aces High. Emendando com Wrathchild, os ingleses demonstravam que aquela não seria uma noite comum para os maidenmaníacos presentes no local, os quais respondiam em alto e bom som com uníssono no clássico da fase Dianno normalmente presente no set da banda. Seguiu Two Minutes To Midnight e os ensurdecedores brados do público a cada letra demosntravam o clima nostálgico daquela noite, regida por mestre Dickinson e seu gorro negro.


Iron Maiden - por Igor (Mondo Entretenimento)

Quem chegou aos arredores do Autódromo de Interlagos literalmente se espantou com o tamanho da fila para entrar no local. Havia apenas uma entrada para maior parte do público, o que gerou uma fila com alguns quilometros de extensão, sem esquecer a costumeira desorganização brasileira para se enfileirar um grupo de pessoas, ocasionando os tradicionais cortes. Nos bares e comércios ambulantes, o estoque de cerveja em um dado momento findou-se devido a grande procura do público, o qual até por esse motivo adiantou em parte sua entrada no Autódromo. Dentro do local, um longo corredor dava acesso a pista principal, a qual possuia em sua estrutura algumas tendas que mesclavam pontos de refeição e banheiros preponderantemente, mas o grande destaque tratava-se do lamaçal que tomava conta da área de 'grama' da pista, em virtude da falta da tradicional proteção de borracha utilizada em estádios de futebol, por exemplo. Lauren Harris se apresentou mas pouco percebeu-se empolgação no público, mais preocupado em demarcar território para mais tarde. Já a atração brasileira anunciada como abertura da donzela de ferro, a Shadowside, teve sua performance cancelada pela produção do evento exatamente às 18h20m como relata a nota da assessoria de imprensa, pois o temporal que caiu na região em meados de 15hs alagou o palco e molhou equipamentos do grupo inglês, atrasando não apenas a montagem dos mesmos como a passagem de som dos britânicos (PS.: Rod Smallwood, empresário do Iron Maiden, pediu desculpas pessoalmente aos integrantes da Shadowside pelo ocorrido). Porém mesmo com o cancelamento da banda do litoral paulista, o cronograma permanecia atrasado, o que obrigou por volta das 20hs os produtores do evento subirem ao palco e explicarem que a apresentação sofreria um atraso devido a chuva e ao excesso de pessoas do lado de fora do local. O público se virava como podia para passar o tempo: conversava entre si, corria em busca da cerveja vendida à R$5 (lata), amontoava-se na porta dos banheiros... Até o momento em que ouve-se nos PA's o clássico Doctor Doctor do UFO, inciando a movimentação dos presentes em direção a pista. Quando as luzes se apagam, a primeira sensação que arremete seria algo como 'até que enfim!', mas logo os gritos de 'Maiden, Maiden' dão lugar ao empurra empurra e afins, afinal, fora um tarde inteira de chuva e filas enormes para se presenciar aquela cena: a entrada do sexteto britânico um a um após a explosão de fogos que dá início a Aces High. Wrathchild e Two Minutes Two Midnight refletem a diferença de estilos entre os guitarristas: enquanto Adrian esbanja técnica assim como Dave Murray porém de forma mais comedida, Janick inicia suas tradicionais brincadeiras com o instrumento, jogando-o pelo ar e rodando-o em volta de seu corpo.


IMAGENS DO PÚBLICO
Iron Maiden - por Bruna (metalrevolution.net)
Público - por Igor (Mondo Entretenimento)
Público - por Leandro (metalrevolution.net)
Público - por Leandro (metalrevolution.net)Steve Harris e Clayton Franco com seu Soundhouse Tapes original autografado - por Clayton Franco (metalrevolution.net)Rod Smallwood (empresário do Iron Maiden) e Julio Machia - por Clayton Franco (metalrevolution.net) Renata e amigos - por Renata Rossi (metalrevolution.net)Adrian Smith e Julio Machia - por Clayton Franco (metalrevolution.net)Julio Machia e Sam (diretor do documentário Flight 666) - por Clayton Franco (metalrevolution.net)

Iron Maiden - por Igor (Mondo Entretenimento)

Inicia-se o primeiro dos muitos discursos de Bruce na noite. Primeiramente o vocalista pediu desculpas ao público pela demora, explicando que fora devido a chuva que atrapalhou arrumação de palco e que ainda havia público do lado de fora. Mas não demorou a colocar uma pitada de provocação regada a ironia britânica citando o público do RJ na noite anterior, para depois dizer que o de São Paulo estava bem melhor (como sempre o faz Bruce). Anuncia Children Of The Damned do álbum The Nunber Of The Beast e em seguida um dos momentos épicos da noite, o clássico Phantom Of The Opera do primeiro álbum, o auto-intitulado do Iron Maiden.
A noite prossegue com duas das mais conhecidas faixas da donzela de ferro, The Trooper e Wasted Years, para depois retomar aos momentos nostálgicos com a épica Rime Of The Ancient Mariner e um Bruce Dickinson literalmente regendo os presentes como um maestro fantasiado. Mantendo o clima, seguiu Powerslave, faixa-título do quinto álbum de estúdio da banda, com sequências de explosões on stage. Daquele momento em diante, foram clássicos atrás de clássicos, cantados em uníssono pelo público eufórico: primeiramente Run To The Hills, logo após a radiofônica Fear Of The Dark (quem dera todas músicas comerciais fossem como essa...), seguida pelo petardo Hallowed Be Thy Name do álbum The Number Of The Beast com queima de fogos ao seu final e a faixa que dá nome a banda, Iron Maiden, e a presença do Eddie mumificado ao fundo do palco com fogos nos olhos literalmente falando. Uma breve interrupção, pista clamando pelo retorno do sexteto, incia-se o trecho do livro de Apocalipse na bíblia que introduz a clássica The Number Of The Beast, regada por fogos e explosões alternadas. Para terminar a apresentação, The Evil That Men Do traz ao palco um Eddie estilo ciborgue e de forma derradeira, surge Sanctuary com a interação peculiar de Bruce Dickinson com os 63 mil presentes no local.


Iron Maiden - por Igor (Mondo Entretenimento)

Bruce Dickinson com ar falastrão inicia seu primeiro discurso repetindo praticamente as mesmas palavras dos produtores do evento uma hora antes: pediu desculpa ao público pela demora culpando a chuva por todo atraso. Mas como de costume, as comparações não poderiam ficar de fora de seu repertório: citou o público do Rio de Janeiro na noite anterior, sabendo da recepção que tal frase receberia, mas logo contemporizou dizendo que os paulistanos estavam melhores. Logo anuncia o petardo Children Of The Damned, música que retornou ao set da banda nos shows beneficentes ao ex-baterista Clive Bur em Londres, e assim como quando assisti o vídeo de tal apresentação, confesso que meus olhos lacrimejaram aos seus primeiros acordes. Se o tom de Children Of The Damned fora a emoção, em Phantom of the Opera confesso ter arrepiado, um momento épico único o qual jamais pensei que presenciaria ao vivo. Na sequência Bruce traja uniforme da guarda inglesa enquanto empunhava a bandeira britânica na execução de The Trooper, sempre comemorada pelo público e que possue além da marca do frontman, a posição de ataque de Steve Harris com seu baixo. Aos primeiros acordes de Adrian Smith para Wasted Years, reinicia a vibração por parte dos presentes, em mais uma das mais conhecidas faixas da donzela de ferro, mas outro momento inesquecível estaria por vir. Em anos de cobertura de eventos, posso dizer que Rime Of The Ancient Mariner fora um momento épico não apenas da apresentação como da minha história pessoal, música maravilhosa, com participação ativa dos presentes e um Bruce Dickinson atuante. As explosões vistas em Powerslave novamente seriam vistas ao final da espetacular Hallowed Be Thy Name, mas nesse meio tempo tivemos a execução de duas faixas cantadas em alto e bom som pelos paulistanos, Run To The Hills e Fear Of The Dark. E o que dizer da aparição do Eddie mumificado ao fundo do palco soltando fogos pelos olhos durante a execução de Iron Maiden? No mínimo espetacular, estrutura de primeira qualidade, mas a chuva de explosões não havia acabado. Em The Number Of The Beast, os fogos e explosões alternavam-se de acordo com a música, sincronia perfeita que partia de quatro pontos, dois juntos ao baterista Nicko McBrain e outros dois nos extremos do palco. The Evil That Man Do trouxe a tona um Eddie estilo ciborgue como em Somewhere In Time, surgindo on stage para ser ovacionado pelos presentes. Em Sanctuary o discurso mais intenso do frontman: primeiramente apresentou os membros um a um, ofereceu o microfone para o público cantar e sentou-se no palco maravilhado com o que via, pedindo para os mesmos cantarem. Em meio a esse momento, o vocal diz que haviam tocado para 57mil pessoas na Suécia mas que os '100mil' presentes eram o maior público da história do Maiden em shows exclusivos da banda, exceto festivais (exagero logo corrigido pela produção do show, o qual informou a presença de 63mil pessoas). Finalizando a apresentação, os músicos agradecem os paulitanos e deixam o palco. A partir de então, os maravilhados pela performance da banda passariam pelo martírio da saída do Autódromo, visto que a mesma única entrada teria de suportar a saída de 63mil pessoas simultaneamente. Enquanto alguns passavam mal, outros pulavam alambrado, e outros tantos seguiam na direção do estacionamento para deixar o local por aquele setor. Multidões de enlamaçados eram encontrados pelos arredores de Interlagos, estações de trem, ônibus da cidade, mesmo pela manhã quando fui trabalhar ainda presenciei pessoas com metade da canela suja de barro vindas do show, mas naquele momento nada mais importava, apenas que todos fomos testemunhas do momento histórico que presenciamos dia 15/03/2009 no Autódromo de Interlagos.


IMAGENS DO PÚBLICO
Iron Maiden - por Bruna (metalrevolution.net)
Público - por Igor (Mondo Entretenimento)
Público - por Igor (Mondo Entretenimento)
Público - por Renata Rossi (metalrevolution.net)Bruna e amigos - por Bruna (metalrevolution.net)Clayton Franco e Adrian Smith - por Clayton Franco (metalrevolution.net) André Luiz, Rafael, Biene, Leandro e Ricardo - por Leandro (metalrevolution.net)Rodrigo 'Batata' e amigas - por Rodrigo Vecchi (metalrevolution.net)Julio Machia e Dave Murray - por Clayton Franco (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Mondo Entretenimento pela produção do evento e tratamento com equipe Metal Revolution, em especial a Denise Catto
- Media Mania pelo contato para credenciamento e envio de press release
- Tanta gente que encontrei/conheci por lá, vamos com a lista: Leandro, Ricardo, Rafael, Biene, Renan, Dalton e sua irmã, Eduardo 'Jack' e corja se Santos, Rodrigo 'Batata', Rafael Chinini, Marcel 'companheiro de chuva' (rss), Thiago Rahal, Johny Z, Dinah (que saudades!), Lilla (liga Lilla, liga Lilla rss), Flávio Hopp, Vinny e pessoal da Ocean Club, Bruna, Clayton Franco, Simone e marido (quero conhecer o filhote!), Renata (fazer o que, teremos outras luas...), além das pessoas com quem conversei mas para variar, não gravei nome (rsrs)