ABERTURA:
DR SINARENA ANHEMBI, SÃO PAULO - SP Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz Fotos por Eduardo Custódio, Renan Nuish e Cristiane Campos (metalrevolution.net) Inicialmente gostaria de esclarecer que este review é mais do que apenas uma matéria sobre o show realizado pelo Kiss, na terça-feira dia 07/04/09, em São Paulo. Trata-se do relato de um fã da banda, que em vários momentos cantou a plenos pulmões as músicas e em outros chorou ao ver um verdadeiro espetáculo de seus ídolos à sua frente. Portanto se espera apenas um texto “técnico” (como muitos sites fazem), sem passar a emoção que um verdadeiro fã tem ao estar no show, este review não é para você... Este foi o terceiro show do Kiss que pude presenciar, sendo que o primeiro foi nos idos anos de 1994 no festival Monsters Of Rock (aliás, que falta faz este festival para a cena brasileira de Heavy Metal...). O segundo foi em 1999 (com a formação original) na “Psycho Circus Tour” no Autódromo do Interlagos (sim, o mesmo do Iron Maiden este ano, local que comentarei posteriormente). Como era muito novo em 1994 (apenas doze anos de idade), não me recordo bem do show em si para tecer algum comentário sobre ele, portanto compararei em vários momentos o show deste ano com o de 1999. Inicialmente pela banda de abertura, o sempre competente Dr. Sin. Tive várias oportunidades de ver esta banda ao vivo e é impressionante a competência técnica e o entusiasmo que eles passam para as pessoas que conhecem sua música. Infelizmente não foi isso que houve neste show, visto que a grande maioria que lá estava não conhecia as canções executadas por esta competente banda nacional. Aliás, há muito tempo que ótimas bandas nacionais existem na cena, mas parece que infelizmente os brasileiros só dão valor as nossas bandas quando elas são reconhecidas lá fora, foi assim com o Sepultura, Angra e Krisiun. Está na hora de revermos este conceito. Com um Anhembi distante de estar lotado, visto que muitos ainda estavam entrando no local, a banda dos irmãos Busic tocaram por 45 minutos e tiveram uma recepção se não calorosa por todos, ao menos pelos seus fãs. Foi um set rápido mas bem escolhido, com destaque para os clássicos antigos como Emotional Catastrophe e a maravilhosa Fire, incluindo Drowning In Sin do ultimo álbum de estúdio lançado em 2007. Momentos antes de finalizar sua apresentação, a banda educadamente agradeceu a oportunidade de estar tocando em uma noite histórica para a cena de rock/metal no Brasil abrindo para uma das bandas mais conhecidas mundialmente. Após os devidos agradecimentos, encerraram o set com possivelmente a música mais conhecida da banda, Futebol Mulher e Rock and Roll, esta sim agitando os presentes (fãs e não fãs da banda) que cantaram o contagiante refrão em uníssono. Dois pontos são importantes ressaltar sobre a apresentação do Dr. Sin. A primeira é o volume do som que estava baixo. Já é conhecido que bandas de abertura sofrem com este problema e que muitas vezes isso prejudica o desempenho da mesma, mas isso não os afetou, e fizeram uma apresentação surpreendente. O segundo fato a ressaltar é a falta de educação de vários presentes na platéia. Houve durante todo o set do Dr. Sin insistentes gritos de “Kiss”. Ora pois, sabíamos que eles tocariam logo em seguida, custa esperar pacientemente o show principal? Aliás, se não gosta ou não conhece a banda de abertura, pelo menos deveriam ter o respeito com os mesmos e não gritarem o nome da banda principal no set deles. Era a banda de abertura sim, mas vieram para fazer um show competente, para esquentar o público para o prato principal da noite. Infelizmente para quem viu muitos “fura filas” na entrada do show, seria muito esperar que estes mesmos tivessem a educação de respeitarem uma banda nacional no palco...
Após esse primeiro discurso e mimo ao povo brasileiro que se repetiria em vários momentos da noite, é executada GOT TO CHOOSE, novamente com todos cantando em uníssono ao lado de Paul e Gene. Na seqüência, HOTTER THAN HELL trouxe várias labaredas de fogo e sirenes de ambulância iluminando todo o palco. No final desta canção, em seu primeiro momento “solo”, o performático baixista Gene Simmons cospe fogo levando todos no Anhembi ao delírio. Lembrei de alguns shows antigos da banda que vi pela internet, onde ao cuspir fogo, Gene queima os cabelos sendo acudido pela produção (que devidamente esta a postos com pano e extintores caso algo saia errado). Passou um momento de “humor negro” pela minha cabeça pensando “poxa este show já esta sendo memorável, seria ainda mais se ele queimasse seu cabelo sem querer como antigamente”. Mas analisando agora, ainda bem que isto não aconteceu, tanto por ter sido um pensamento hediondo de minha parte, como também poderia colocar fim ao show da noite. E dá-lhe mais material antigo no show, NOTHING TO LOSE é executada para agrado geral dos presentes. Aliás, esta música foi uma das que mais me impressionou em todo o show, e vários foram os motivos para isso, não apenas por adorá-la, mas também porque a mesma foi cantada por Eric Singer (OBS.: como os bateristas que passaram pelo Kiss possuem a voz parecida, pelo menos a meu ver, se fechasse os olhos, não saberia dizer quem estava cantando, se Eric ou se Peter). Outro motivo que me impressionou e me fará ter recordações maravilhosas desta canção foi o seu refrão, um dos mais marcantes da noite!!! Olhando o público em volta, percebi vários casais de diferentes idades, dançando e literalmente rebolando no refrão desta canção, algo realmente lindo. Sem empurrões, sem as malditas “rodas de pogo” que muita gente insiste em abrir mesmo em shows mais calmos, apenas dança. Alguns sozinhos de olhos fechados cantando o refrão, outros com suas mulheres rebolando a sua volta e aos beijos e gritos cantando a música, realmente magnífico. Sem deixar o “fogo” dos presentes cair, tocam C’MON AND LOVE ME e após a mesma vem um momento muito engraçado do show, uma gafe percebida por muitos. O eterno “Star Child” Paul Stanley anuncia de maneira errônea que a próxima música seria Watchin' You, mas logo ele percebeu que estava pulando algumas faixas do set, quando Gene olhou estranho para ele, e então o frontman retorna ao microfone para dizer “também conhecida como PARASITE". Tirando este gracejo do início de sua execução, esta canção foi excelente, ideal para empolgar ainda mais o público para a próxima música, SHE, o momento de Tommy Thayer mostrar a que veio! O substituto de Ace mostrou muita competência e técnica, tocando com uma Gibson modelo Les Paul levou os presentes aos gritos em cada disparo e rajada que saiu de sua guitarra. É importante ressaltar que este é um guitarrista que embora recente na banda, possui uma técnica perfeita e um felling maravilhoso ao vivo. Muitos fãs puristas gostariam de me queimar vivo agora com minha declaração, mas por baixo da mesma maquiagem que Ace utilizava, eu o achei muito melhor que o original, principalmente se eu comparar este show com o de 1999 em São Paulo. Tommy agitou mais, foi mais sorridente com o público e literalmente tocou melhor.
Após o show particular de Tommy, agora sim tocando a música no momento certo, foi a vez de WATCHIN’ YOU e na sequência, Eric Singer teve seu momento individual com 100.000 YEARS para brilhar na noite. Sempre o considerei como baterista mais competente a assumir as baquetas no Kiss, e ele, provou isto na noite. Embora eu ache solos de bateria em shows um momento chato e desperdício de tempo (visto que poderia ser utilizado esses minutos com a inclusão de outra música), não se pode dizer isso com Eric na bateria. Ele sorri, toca muito com o pedal duplo, convoca o público a participar com ele, e visivelmente feliz e bem-humorado sobe pelo palco com sua bateria. Abaixo dela, fogos de artifício e gelo seco levantando a bateria dão a impressão que é um foguete pronto a subir às alturas e conquistar o céu. Enquanto todo o público grita seu nome e aplaude sua performance, o restante da banda volta a se posicionar no palco para dar início a COLD GIN novamente cantada por todos os presentes. É chegada a hora de LET ME GO ROCK ‘N’ ROLL, e o que o público poderia esperar nessa música foi prontamente correspondido, todos lá estavam presentes para o rock n’ roll. Gene nem mesmo precisaria pedir para todos erguerem suas mãos e acompanhar a banda com palmas, pois isso foi feito por todos os presentes, tanto os que conheciam música como os que não conheciam sua letra. Esta faixa funciona muito bem ao vivo, devido exatamente as paradinhas que a banda faz para essa interação com as palmas do público. Em seguida, há um dos momentos mais bonitos do show, a canção BLACK DIAMOND, mas com um início um tanto quanto diferente por Paul. É hora de sua participação solo (ainda haveria outra no bis), é feita a tradicional “palhinha’ de Stairway To Heaven, de uma banda que nem preciso citar o nome. Aliás, se você, ilustre visitande do Metal Revolution não sabe de qual banda estou me referindo, o que ainda esta fazendo neste site? (rsss) Paul pergunta se deve continuar a música ou voltar a tocar alguma coisa do Kiss, o que obviamente todo mundo responde em uníssono ‘KISS!!!’. Porém, mais uma vez, um momento de “humor negro” passa pela minha cabeça: e se todos pedissem para ele continuar a tocar Stairway? Será que continuaria, ou não? Se assustariam isso é fato, mas porra é Led!!! E essa banda nunca veio ao Brasil. Finalmente a última música da primeira parte do show, a mundialmente conhecida por fãs e não fãs da banda, aquela mesma que toca em shows de rock de bandas covers ou na festa de formatura de sua escola, estava na hora de ROCK ‘N’ ROLL ALL NITE. Aqui, os efeitos pirotécnicos que vimos durante toda a noite se intensificam: show de luzes, fogos pelo palco, gelo seco e uma chuva de papel sobre o público que cantava a música a plenos pulmões... Clássico o qual teve direito a obrigatória quebra de guitarra por parte de Paul Stanley. Aliás, para quem acha que ele quebra uma guitarra “verdadeira” no palco, isso não acontece. Os mais atentos percebem que ele vai ao canto do palco e um dos roadies a troca por outra, que por fora é igual à guitarra que ele usa nas músicas, mas por dentro é oca e simples. É o fim de uma noite maravilhosa e quente em Sampa. Fim? Claro que não!!!
Fim
do show, já em casa relembrando o espetáculo visual e sonoro que pude
presenciar, mais calmo e assimilando tudo que vi na noite, ainda há
umas considerações a fazer. Por mais que a formação que tocou em 1999
no Brasil fosse a original, é inegável que este show de 2009 foi bemmmmm
melhor! Naquele ano, o público estava bem mais parado e como tocaram
músicas apenas da época dos quatro membros originais, muitos saíram
tristes com a ausência de clássicos como “I Love It Loud” e “Lick
It Up” que foram tocadas nessa atual tour. Peter Criss foi medíocre
e ruim a noite toda (novamente creio que os puristas querem me matar
ao ler isso), mas eu prefiro muito mais Eric na bateria e o maravilhoso
espetáculo que ele nos proporcionou este ano. Olhando o atual show
e o de 1999, é nítido que este além de ter sido muito melhor, há um
grande entrosamento da banda no palco, diferente de 1999 que mostrava
uma “clara e real reunião forçada”. A segunda consideração a fazer,
e também uma contestação, é que o local escolhido para este ano é
infinitamente superior ao de 1999. Se a uma década atrás todos saíram
reclamando daquele local, devido a distância e má localização (alem
do desconforto), este ano o local do show foi muito bem escolhido.
Não é um estádio como o Pacaembu (palco do Monsters Of Rock de 1994
onde vi o Kiss pela primeira vez), mas é um local realmente espetacular
para grandes eventos. De fácil acesso (principalmente para os que
vêm de outras cidades de ônibus, visto que é próximo ao terminal Tietê)
como também, mantém uma vista excelente para todo o público (já que
não há desníveis no terreno como no autódromo). Resta-nos parabenizar
a produção, não apenas pelo local escolhido (já exposto no parágrafo
anterior), mas também devido ao respeito ao público. Houve entradas
separadas para pista Normal e Vip, nada mais justo para quem paga
mais (e não estou entrando no mérito de que deve ou não haver esta
pista vip, mas já que a mesma existe, esse público deve ser atendido
de maneira diferenciada pois pagaram mais caro). A entrada de pista
normal, embora única foi bem dimensionada e sinalizada, haviam muitos
banheiros e bem espalhados para todos os presentes e uma sessão especial
e elevada no canto direito da pista vip para os portadores de necessidades
especiais. A pista vip não teve aperto e nem sufoco, sendo corretamente
dimensionada para o público que pagou por ela. Simplesmente devemos
parabenizar a Time For Fun e esperar que ela nos traga novamente o
Kiss ao Brasil (sem demorar mais 10 anos para outro show) e muitas
outras bandas de renome para as terras tupiniquins. Muito obrigado
por todos que visitaram esta resenha e a leram por inteira. Espero
que minhas palavras possam ter agradado a todos que me prestigiaram
com essa leitura e passado a emoção que senti neste show. Grande abraço
e até uma próxima vez! |
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