KREATOR & EXODUS
OPINIÃO BAR, PORTO ALEGRE - RS
Review por Filipe Limas - Edição por André Luiz
Fotos por Filipe Limas (Flick do Filipe - metalrevolution.net)

Uma aula bíblica foi dada em Porto Alegre na noite de 26 de outubro. Aula da bíblia do thrash metal, mais precisamente, com os shows de Exodus e Kreator, dois dos maiores ícones do gênero. Ambas as bandas já haviam se apresentado separadamente no Bar Opinião há alguns anos, e juntos fizeram o local ficar pequeno perto da insanidade dos thrashers que lotaram o local, em um dos melhores shows do ano.

Exodus - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

Na porta do Opinião já se formava uma fila considerável antes da casa abrir, que já indicava um bom público, ainda mais para uma segunda-feira. Pouco depois de liberada a entrada, Gary Holt, Rob Dukes, Tom Hunting, Lee Altus e Jack Gibson aparecem diante da plateia, de cara com Bonded By Blood. Começava a destruição proporcionada pelo Exodus. Logo mandam Iconoclasm e Fabulous Disaster, também matadoras.

Não havia muito tempo para respirar, pois logo tivemos a primeira lição da noite: A Lesson In Violance, com rodas de mosh absurdas abertas no meio da pista. A aula continuou com uma mais recente, a ótima Children Of A Worthless God, com o monstro Tom Hunting nos backing vocals, além de espancar sua bateria sem piedade. Mas logo vem outro clássico, Piranha, e mais rodas de mosh.

A performance do Exodus no palco é algo incrível, tanto na execução perfeita das músicas, quanto na atitude dos integrantes. Gary Holt é o thrash metal encarnado! Um monstro despejando riffs e solos, que toca com gana e, mais importante, alegria. Lee Altus e Jack Gibson tem performances insanas, e agitam do início ao fim do show, assim como Rob Dukes, que merece um capítulo a parte.

O cara pegou uma baita bronca quando assumiu os vocais do Exodus, mas deu conta tranqüilamente, e isso está provado tanto ao vivo, quanto em estúdio. Mas não é só isso, pois o cara é um puta frontmam. Durante o solo de uma determinada música, o vocalista “palhetava” as guitarras base, e quando fez isso com Gary, lhe entregou uma cerveja. Em outra Dukes pegou uma câmera de um fã e fotografou cada integrante da banda. Antes de devolver, puxou o elástico da bermuda e tirou uma foto, levando o público às gargalhadas no meio da pancadaria!

E essa pancadaria seguiu com outra da fase Dukes, Deathanphetamine, seguida de Blacklist, que já virou clássico. Após essa, mais um momento pra ficar na memória. Dukes lembrou da passagem anterior da banda em Porto Alegre, em 2007, e a banda mandou uma versão thrash metal pro tradicional canto de torcidas de futebol “Olé Olé Olá”. Em 2007 as torcidas de Grêmio e Inter haviam puxado o canto no meio do show, sem a banda entender muito bem o que acontecia. Essa lembrança mostra o quanto o Exodus se importa com seus fãs.

Exodus - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)
Kreator - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

O final do melhor show da noite veio com uma seqüência absurda. Primeiro, Toxic Waltz, com a “dança tóxica” comendo solta na pista. Para fechar de vez, Stryke Of The Beast, com um absurdo Wall Of Death. ferida deste que vos escreve, e Stryke Of The Beast.

Confesso que não tinha muito interesse em rever o Kreator, banda que considero um tanto quanto chata ao vivo. Mas vou me ater a falar principalmente em cima da resposta dos fãs, que eram maioria no Opinião. Após uma longa pausa a intro do novo álbum soa nos P.A.s e Mile Petrozza e cia. começam com Hordes Of Chaos. Logo emendam com Phobia, e um clássico das antigas, Terrible Certainty. O público já havia deixado de lado o cansaço após o show do Exodus e formava grandes rodas de mosh.

O clima do show do Kreator é bem mais denso, recheado de intervalos para Mile conversar, o que torna a apresentação parada em demasia. Isso sem contar a mania de falar com “voz de monstro”, que não consigo engolir. Mas, era visível que a maioria estava afim disso, e a competência da banda é inegável.

Após tocar Voices Of The Dead o vocalista questiona os presentes se eles têm alguma religião, se seguem algum Deus. A resposta negativa em massa é a deixa para a ótima Enemy Of God, uma das grandes músicas da fase mais atual da banda.

Como disse, o Kreator é mais parado em palco, mas nem por isso deixam de agitar, especialmente o baixista Christian “Speesy” Giesler. O cara é uma máquina de bangear. Outro destaque foi o baterista Marco Minnemman, que substitui Ventor na atual turnê. O cara nem visual de baterista de thrash tem, mas toca absurdamente bem. Inclusive fez um solo de bateria bem interessante. O mais quieto é o guitarrista Sami Yli-Sirniö, que em alguns momentos parece até meio “aborrecido” no palco.

O set seguiu com Destroy What Destroys You, seguida de Pleasure To Kill, uma das mais saudadas pelos fãs, assim como Extreme Aggression. Após Coma Of Souls foi a fez do solo de Minnemman, bastante interessante. A banda volta ao palco com Warcurse, e então Mile ergue uma bandeira, com a qual faz um longo discurso. Era a vez de Flag Of Hate, emendada com Tormentor, que fecha o show, com o Opinião tremendo de cima a baixo.

E assim terminou uma noite que ficará por muito tempo na lembrança dos thrashers gaúchos. THRASH ‘TILL DEATH!

Kreator - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)

IMAGENS DA NOITE
Kreator - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)
Exodus - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)
Kreator - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)Kreator - por Filipe Limas  (metalrevolution.net) Exodus - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)Exodus - por Filipe Limas  (metalrevolution.net)