MAQUINARIA FEST 2009
CHÁCARA DO JOCKEY, SÃO PAULO - SP

Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Houve um tempo, que eu ainda procuro nos dias de hoje, mas é um tempo que faz tempo que passou. Esse momento do passado, que procuro ainda hoje é a época dos grandes festivais no Brasil. Ainda me recordo perfeitamente dos festivais “Monsters of Rock” da década de 90 que aconteceram em SP. Lembro-me dos meus 14 anos quando vi o Iron Maiden pela primeira vez no Monsters de 1996. Um dos melhores shows que presenciei foi o do Manowar no último Monsters que rolou em 1998. Muito anos se passaram até termos o festival “Live n’Louder” em 2005 e 2006. E nesse período entre os citados festivais outros grandes eventos parecidos com festivais também se findaram. Foi o caso do Skol Rock, onde pelo que me lembre o ultimo foi em 99, além do aniversário de uma rádio em SP que também fazia um pequeno festival que trouxeram o Whitesnake em 97 e o Maiden em 98. Também não podemos esquecer-nos da noite do metal no “Rock in Rio” de 2001. Mas tudo isso ficou para trás... E parecia que o Brasil nunca mais teria um grande festival à altura de colocar grandes bandas em um único dia no mesmo palco. Não teríamos nossos tão sonhados festivais de verão que fervem na Europa em diferentes países... Mas tudo isso passou a mudar do ano passado para cá. Em 2008 tivemos a primeira edição do “Maquinaria Festival” agradando em cheio os headbangers que compareceram. Foi um ótimo festival com bandas como Biohazard, Suicidal Tendencies, Misfits, Sepultura e Korzus apenas para citar algumas. Se por um lado o Maquinaria do ano passado foi totalmente voltado para a música pesada, por outro lado, este ano, o festival expandiu seus horizontes abraçando outros estilos além do rock pesado e abrindo suas portas (e a mente de muitas pessoas) para a diversidade cultural e musical. Pois bem meus caros leitores, a partir de agora, tento passar para vocês um pouco das emoções que pude sentir no FESTIVAL MAQUINARIA 2009!!!.

Sepultura - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Para começar, é digno ressaltar o agressivo investimento que a organização fez em termos de infra-estrutura para os seus pagantes. Com toda uma estrutura decente de bares e lojas de conveniência, não tivemos que enfrentar filas intermináveis para ter acesso à alimentação. Além disso, disposto a ser um diferencial nos festivais que já passaram pelo Brasil, o Maquinaria 2009 foi além da parte musical através de um estande chamado “Espaço Ser Ambiental” onde poderíamos obter várias informações e participar de atividades interativas visando o aprendizado de práticas sustentáveis. Não podemos esquecer também da parte artística dedicada à arte de rua através de um grande mural pintado durante o evento. Mas tudo isso que citei, foi apenas um aperitivo para a grandiosidade das atrações internacionais que pudemos conferir. Sob um sol que literalmente fazia todos derreterem, os participantes que chegaram desde cedo para curtir um dia inteiro de diversão adentraram a Chácara do Jockey ao som de Nirvana, AC/DC e Bob Marley. Através do som mecânico que rolava notava-se a diversidade musical que se fazia presente logo no início do evento. Em todo o gramado da Chácara era possível ver e conviver muito bem entre headbangers cabeludos a espera do Sepultura, além de patricinhas e boyzinhos misturados entre indies e emos.

O cast do show com certeza agradaria a todos os presentes. Foi com este público que se deu o início, dentro do horário marcado, a primeira atração do dia: NAÇÃO ZUMBI. Confesso não conhecer este grupo e saber muito pouco de suas músicas, mas posso dizer que o guitarrista Lúcio Maia teve grande parte do público em suas mãos. Com canções que misturava uma boa dose de peso aos sons regionais do nordeste brasileiro, tiveram uma grande receptividade por parte do público. Conversando com alguns fãs da Nação vim saber que o set list foi baseado no seu último cd chamado “Fome de Tudo” e para aqueles que gostam da Nação Zumbi não faltou algumas músicas já bem

conhecidas desta banda pernambucana, entre elas “Manguetown”, “Maracatu Atômico” e as duas derradeiras de seu set que percebi que foram as que mais levantaram o povo presente: “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”. Ao findar de sua apresentação, confesso que me surpreendi pelo som da Nação Zumbi. Lembrando da idéia inicial do festival, a Nação Zumbi cumpriu o compromisso de expandir os horizontes e abrir a mente dos presentes, entre eles, este repórter, que quando chegasse em casa procuraria saber mais dessa banda.

Logo após foi a vez do SEPULTURA, de longe a banda mais pesada escalada para a edição deste ano. E se o Sepultura era a carga mais pesada, este peso chegou sob a forma de “A-lex”, o último cd do grupo lançado no início do ano, inspirado no clássico livro/filme “Laranja Mecânica”. Durante uma hora de show sobre o ardente sol da capital paulistana, o público agitou ao som de faixas mais recentes como “Moloko Nesto” e “Filthy Rot” intercaladas por antigos clássicos da época em que Max comandava a banda, como “Refuse/Resist” e “Arise”. Entre suas canções não poderia faltar o hino de todos os fãs do Sepultura, que mais que fãs, são uma verdadeira nação de bangers ensandecidos no show. Estamos falando de “Sepulnation”. Para encerrrar o set list, talvez a música mais conhecida de toda a discografia da banda: “Roots Bloody Roots”, a qual fez com que todos os presentes, fãs e não fãs da banda, agitassem durante toda sua execução. Foi um show digno dos brasileiros, demonstrando mais uma vez que a banda esta viva e em uma ótima fase, mesmo sendo detratada por uma parcela de pseudo-fãs que pararam no tempo e insistem em falar que a banda não é mais o Sepultura sem nenhum Cavalera tocando. Para estes, sinto dizer que deixaram de curtir um ótimo show. Para aqueles que já vinham assistindo aos shows de sua última tour (ao lado dos caras do Angra), posso dizer que o show não apresentou muitas novidades, mas mesmo assim foi de acabar com o pescoço de todos.

IMAGENS NAÇÃO ZUMBI & SEPULTURA
Sepultura - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)
Nação Zumbi - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)
Nação Zumbi - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)Sepultura - por Marcos Hermes (marcoshermes.com) Sepultura - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)Sepultura - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Deftones - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Após um pequeno intervalo, apenas no palco, já que o sol não deu trégua aos presentes, era a vez da primeira atração internacional do dia: os americanos do DEFTONES. Além da complicação em tocar sob um calor girando por volta dos 30 graus, a banda capitaneada por Chino Moreno tinha pela frente a difícil tarefa de manter o pique no público passado o grandioso show do Sepultura. Mas, para felicidade de grande parte dos presentes, o som do Deftones agradou. Digo parte dos presentes, pois esse foi o único momento de todo o evento que vi uma nítida separação entre o público do festival. O pessoal das antigas, na faixa dos 30 a 40 anos (e até mais) vieram para prestigiar os shows das últimas duas bandas do dia e não entraram muito na onda do Deftones. Enquanto isso, os mais jovens corriam para frente para “banguear” ao som sujo e pesado praticado pela trupe de Chino Moreno. Aliás, cabe ressaltar que o new metal do Deftones é um dos poucos que se destaca entre tantas outras bandas de estilo metal e industrial que surgiram na última década justamente por ter uma qualidade acima da média. Então, com a galera mais jovem do festival em mãos, Moreno despeja gritos atrás de gritos com uma potência de voz incrível embalada por riffs de guitarras sujos. Logo de cara inicia-se a sua apresentação com o petardo “Rocket Skates” seguido pela dobradinha de “Lotion” e “Summer”. Entre canções mais antigas intercaladas com músicas mais recentes, destaca-se a euforia causada nos presentes durante a execução de canções como “Knife Party” e “Head up”, clássicos absolutos desta banda. Uma das músicas que mais agitou seus fãs foi a execução de “Feiticeira”, que para quem não conhece, é uma homenagem da banda à personagem interpretada pela modelo brasileira Joana Prado no início da década. Quem teve a oportunidade de ver o show da Deftones no Rock in rio 3 realizado no Rio de Janeiro em 2001, deve se lembrar que a banda não estava em sintonia, fazendo uma apresentação muito fria naquela vez. Disposto a apagar esse episódio da memória dos brasileiros, Chino tratou de agitar o

público de todas as maneiras possíveis, seja incentivando o coro durante as músicas, seja gritando para todos levantarem as mãos e baterem palmas juntos. Em um desses momentos de euforia praticado por Chino, ele quis ter um contato mais próximo com a platéia e durante a execução de “Hexagram” desceu no meio do público da pista vip para cantar esta canção inteirinha ao lado de seus fãs. O pessoal presente deu muito trabalho aos seguranças, pois todos tentavam chegar próximo ao seu ídolo. Contrário ao que este repórter tem de imagem de seguranças truculentos e mal educados, todos os que tentavam separar o público do vocalista Chino foram gentis com a platéia sem exagerar na segurança e muito menos sendo violentos com o público presente. Nota dez a equipe de segurança do evento. O show do Deftones chegava ao fim, e Chino querendo acabar com o pouco que restava de vós nos seus fãs, dispara os dois últimos petardos do set list. Foram com “Back To School” e a fodástica “7-Words” que os americanos deixam o palco com o sentimento de dever cumprido e felizes por fazerem um show a altura do público presente.

IMAGENS DEFTONES
Deftones - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)
Deftones - por Marcos Hermes (marcoshermes.com) Deftones - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Jane's Addiction - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Novamente temos uma pausa para troca de instrumentos entre uma banda e outra, enquanto este repórter vai tomar uma água para se recuperar do calor escaldante que já estava indo embora. O fim de tarde chegando o sol já estava no horizonte e a noite caindo. Sentado na grama conversando com algumas pessoas que conheci no evento, estava ansioso pelo próximo show da noite. Confesso que estava ansioso pela próxima atração, pois já havia visto vários vídeos no youtube da banda liderada por Perry Farrell, e todos vídeos me agradaram. E dessa forma, inicia-se a apresentação da penúltima banda do dia: JANE’S ADDICTION. Agora, meus amigos, aqui cabe uma ressalva sobre este show. Mesmo tendo em suas fileiras o guitarrista “Dave Navarro” que já tocou em bandas como “Red Hot Chili Peppers”, me causou surpresa ao ver que muitos dos presentes não conheciam a banda. Jane’s Addiction nunca foi um nome que fez grande sucesso no Brasil, mas sempre foi idolatrada pelos poucos fãs tupiniquins que possui. Infelizmente o público presente, em sua grande maioria não correspondeu ao entusiasmo demonstrado pelo vocalista Perry Farrell. Para felicidade dos poucos fãs presentes da banda, o mesmo não se deixou abater por este motivo; pelo contrário, fez um esforço tremendo e redobrado para agradar e atingir o povo do festival. Eu já vi um grande número de apresentações nestes últimos 15 anos nos quais acompanho shows internacionais no Brasil e posso dizer que Perry Farrell é um dos caras mais simpáticos em cima de um palco. Com uma roupa brilhante, lembrado muito a fase glam do Hard Rock, Farrell literalmente roubou a cena on stage, não parava quieto em nenhuma canção, com uma performance memorável em cada música. Abrindo o show com a dobradinha “Up The Beach” e “Mountain Song”, Farrell pulava feito um doido para todos os lados do palco, chegou a tropeçar por duas vezes, quase beijando o chão, mas isso não o desanimava.

Logo após a execução de “Aint No Right” tivemos a maravilhosa “Three Days”, que foi introduzida por um belíssimo clipe do filme “Rio Selvagem” (com o ator Kevin Bacon). A explicação para esse clip introduttório em Three Days, é a citação ao Jane’s Addiction neste filme. Mais do que um clipe, essa faixa trouxe ao palco duas maravilhosas gueixas dançando de forma sensual e rebolando no palco animando o público masculino do festival e causando irritação nas namoradas de alguns presentes. Sendo assim, passado este momento descontraído temos a execução de “Whores” e tantas outras músicas do seu set que embalaram os fãs presentes. Cabe destacar a sincronia entre os poucos fãs presentes e a banda em músicas como “Ocean Size”, “Ted” e “Summertime”. Um outro momento glorioso e inusitado acontece em “Jane’s Says” no qual adentram ao palco várias mulatas sambando, todos os músicos da banda e alguns convidados especiais assumem vários tambores dispostos pelo palco, um momento bem carnaval em um grandioso show de rock. Encerra-se a apresentação do show com a maravilhosa canção “Chip Away”, deixando uma ótima impressão nos seus fieis fãs e bem atônitos aqueles que não conheciam a banda. Durante todo seu set, Farrell foi comunicativo com seu público, sorrindo e distribuindo beijos a todos que estavam na grade. Sempre ao lado do guitarrista Dave Navarro provocando-o no melhor estilo de “Cantor Andrógino e alucinado acompanhando um guitar hero de cara amarrada”. Posso resumir a apresentação do Jane’s Addiction com uma única palavra: excelente. E, se eu fosse o vocalista da próxima banda da noite, a tão aguardada Faith No More, já estaria preocupado devido à performance maravilhosa de Farrell sob o palco.

IMAGENS JANE'S ADDICTION
Jane's Addiction - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)
Jane's Addiction - por Marcos Hermes (marcoshermes.com) Jane's Addiction - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Faith No More - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Mais um pequeno intervalo entre as bandas, e se durante o dia o intenso calor e o sol escaldante castigaram nossas cabeças, foi justamente neste momento que uma chuva rápida, mas forte, desabou sobre todos. O calor que passamos durante todo o festival foi substituído por esta fria chuva, que embora tenha durado pouco foi o suficiente para transformar o gramado da chácara do jóquei em um lamaçal. Roadies e equipe técnica correndo pelo palco para cobrir os equipamentos e protegê-los, especulava-se entre o público que a última banda, e a mais aguardada, seria cancelada. Momentos de tensão, mas eis que com um atraso de 20 minutos inicia-se o headliner da noite: FAITH NO MORE! Já fazia mais de 10 anos desde a última vez que este quinteto se apresentou no Brasil, ainda nos idos do “Monsters of Rock de 1995”. A rebeldia de outrora ainda esta presente nas músicas desse aclamado grupo, mas as roupas? Ahhh, essas sofreram uma grande mudança. Adentram o palco vestido de terno e gravata, todos agora já não são mais tão jovens. De terno vermelho e com uma flor branca presa a lapela do paletó, Mike Patton inicia a apresentação com a balada “Reunited”, cover do grupo “Peaches & Herb”. Ainda sobre o figurino, vale destacar o guarda-chuva presente nas mãos de Patton com que ele canta toda a canção inicial. Seria o medo da chuva recomeçar? Se o início do show se dá com uma balada, a próxima musica é uma verdadeira porrada aos ouvidos dos presentes. Estamos falando de “From Out Of Nowhere”. Pude perceber o brilho nos olhos de todos, muitos não acreditando que estavam vendo o Faith No More ao vivo e a cores à sua frente, eu mesmo acreditava que a banda nunca mais se reuniria e muito menos tinha esperanças de um show no Brasil. A performance continua com “Be Agressive” e logo após as primeiras palavras de Patton para com seus fãs. Demonstrando todo seu carinho pelo público, fala em um inusitado e engraçado português “Boa noite a todos” além de um “Obrigado pela Presença”.

Temos em seguida a execução da maravilhosa “Caffeine” e em seguida temos mais uma demonstração de claro amor pelo nosso país. A próxima canção do set list, “Evidence”, foi dedicada ao cineasta brasileiro José Mojica Martins, mais conhecido como Zé do Caixão. O refrão da música, que diz “I didn’t feel a thing” foi substitudio por “Não estou sentindo nada” cantado em bom português. O show continua com canções de todas as fases da banda, representadas por “Last Cup Of Sorrow” e “Ricochet”, sendo que logo após é executada uma das músicas que mais marcaram minha adolescência me fazendo lembrar de uma antiga namorada que não está mais neste plano de vida. Estou falando de “Easy”, cover do “The Commodores”. Engraçado que ao vê-la sendo executada pela banda, percebi que não era uma música tema apenas do meu antigo namoro, pois vi muitos casais dançarem de olhos fechados e juntinhos durante esta canção. Passado o momento de divagação deste repórter, o show continua, sendo que a próxima é uma porrada no ouvido d os presentes, tendo Patton literalmente correndo de um lado a outro do palco cantando “Surprise! You’re Dead”, para em seguida esbanjar simpatia na execução de “Epic”, talvez o maior sucesso comercial do Faith No More. Temos mais uma grata surpresa na noite. Patton e companhia executam uma música que em muito lembra a bossa nova chamada “Caralho Voador”, com os versos em português onde o título da canção é uma homenagem ao Brasil. O show prossegue, com Mike Patton dando um show à parte demonstrando a todos o motivo de ser reconhecido como um dos cantores mais perfomáticos e versáteis sobre um palco, fato demonstrado em canções como “The Gentle Art Of Making Enemies” e a clássica “King For A Day”. O set list do show foi inteirinho recheado de clássicos, sendo despejados um atrás do outro. A próxima canção foi à maravilhosa “Midlife Crisis” com direito a imitação de um ataque epilético como Patton fazia nos shows da década passada. O show já chegava ao fim, inclusive com Mike brincando com o povo dizendo que já estava muito velho para estar até altas horas da noite sob um palco, afirmação rechaçada por todos que não queriam ver o show acabar... É sob esta euforia dos presentes, que a primeira parte do show encerra-se com “Just a Man”.

Faith No More - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Para o bis, Patton retorna ao palco ainda com mais energia, se é que isso é possível, dizendo que “Depois de mais ou menos 10 anos, nós voltamos ao Brasil. E talvez seja a última vez”, o que fez com que o público em uníssono levantasse as vozes de forma desapontada. Com um sorriso no canto da boca, Patton vendo a reação dos presentes diz “Sabe como é, talvez”. Acredito que corintianos e torcedores de outros times não ficaram nem um pouco a vontade ao ver Patton fritar o nome do Palmeiras totalmente fora de controle sob o palco. A razão para ter feito isso? Não há! Ou até haja uma razão para este gesto, mas só dentro da mente insana de Mike Patton que pode haver uma explicação lógica. Depois de tantas brincadeiras nesse inicio de bis vem a execução de “Chariots” emendada por “Strip Search”, onde imitando o que o vocalista do Deftones fez, Mike Patton desce na grade da pista vip para interagir com o público. Os seguranças novamente correm para separar Patton dos seus fãs, mas em uma atitude mais ousada ainda por parte de Patton, ele se desvencilha e dribla os seguranças que tentam controlá-lo e leva o microfone para os fãs, convidando todos a gritarem “Porra! Caralho!”. E eu me pergunto, qual seria a próxima coisa inusitada que Patton faria no show? O show encerra-se com a maravilhosa e conhecida de todos “We Care a Lot” cantada em uníssono por todos. A banda se despede do palco, deixando todos felizes pela belíssima apresentação.

Faith No More - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

Fim do show? Engana-se quem teve este pensamento, inclusive eu. Patton e sua trupe retornam para um inusitado segundo bis que fez muita gente que já estava se dirigindo as saídas do Jóquei Clube voltar correndo para ver o que a banda nos traria de surpresa. Então, temos a execução de “This Guy Is In Love With You”, uma belíssima balada romântica que originalmente foi composta por Burt Bacarach. Novamente vejo os casaizinhos suspirando abraçados olhando para o palco. Ninguém mais arredava o pé de frente do palco, imaginando que a banda ainda teria mais surpresas. Em uníssono todos os presentes fizeram coro pedindo por “Falling To Pieces” que ao que me consta foi executada em todos os shows realizados na atual tour pelo Brasil. Mas em São Paulo, ela não foi executada. Mike Patton e sua banda resolveram dar um presente diferenciado para o público paulistano. Com este pensamento, encerra a sua apresentação com uma música que até aquele momento não havia sido executada em nenhum show realizado no Brasil: “Digging The Grave”. Um belíssimo presente, e uma surpresa maravilhosa para o público. Novamente a banda deixa o palco, e mesmo sob insistentes pedidos, não voltam para um terceiro bis. Agora sim, era o fim de um verdadeiro espetáculo sonoro e visual que pude presenciar. O mínimo que posso dizer deste show é “que venham novamente, se possível todos os anos” pois um show como esse meus amigos, são poucos que podem fazer!!! E se você, meu caro leitor, perdeu esta apresentação, sinto dizer, perdeu um dos melhores shows que já pude presenciar. Esgotado fisicamente devido à maratona de shows, retorno feliz para casa, com a certeza de ter presenciado um show histórico no Brasil. Gostaria de utilizar este ultimo parágrafo, inicialmente para agradecer a toda produção do evento, um grande festival, tanto de bandas como de público. E se o sucesso absoluto desta edição já se fazia presente no coração do público, a produção tinha certeza absoluta disso, tanto, que ao final do Festival, os telões anunciavam em letras garrafais “Vem ai Maquinaria 2010”. Fico no aguardo de quais serão as atrações do ano que vem! Infelizmente, devo pedir desculpa também aos leitores do site por ter comentado apenas as bandas do palco principal. Entre um show e outro, durante a troca de equipamentos e montagem da banda no palco principal, ocorria em um palco paralelo diversos shows que não pude assistir, pois estava conversando com o público sob suas impressões sobre as bandas do palco principal a fim de que esta resenha não representasse apenas a minha opinião, mas sim, a de muitos presentes. Muito obrigado a todos que leram mais esta minha resenha, e “ppor poor ppor hoje é só pessoal”.

IMAGENS FAITH NO MORE
Faith No More - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)
Faith No More - por Marcos Hermes (marcoshermes.com) Faith No More - por Marcos Hermes (marcoshermes.com)

AGRADECIMENTOS
- The Groove Concept pela realização do evento
- MaIC Comunicação, em especial Maria Ines Costa, por fornecer todas informações necessárias para divulgação do Maquinaria e cobertura do festival, trabalho de forma profissional
- Marcos Hermes, fotógrafo indicado pela assessoria de imprensa, pelo material gráfico desta matéria
- Clayton Franco pela cobertura deste evento