MOTORHEAD
ABERTURA: BARANGA

VIA FUNCHAL, SÃO PAULO - SP

Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Stephany Julia e Clayton Franco ( Flick da Julia - metalrevolution.net)

Motorhead, uma grande aventura pelo Rock ‘N Roll. Muitos ao abrirem o link dessa resenha devem achar estranho iniciar a mnatéria com a expressão “Uma grande aventura”... Mas é isso que representou a noite para mim, alias não só à noite, mas o dia todo, já que começarei esta resenha não pelo show, mas sim pela caçada a banda em busca de uma foto e um autógrafo em um LP!!! Haviam me passado a informação de que banda e sua equipe se hospedariam em um hotel próximo a Via Funchal, o mesmo hotel dos shows de 2004 e 2007. Bem, se nesses dois anos eles tocaram na Via Funchal, e ficaram nesse hotel, porque seria diferente neste ano? Pois bem, a caminho do hotel acabei encontrando mais alguns fãs, formando um grupo de seis pessoas esperando a banda. Hotel vazio, pouquíssimos seguranças e uma sensação de que algo estranho estava no ar. Ficamos sentados na recepção do hotel (isso mesmo, não ficamos do lado de fora) e isso já cheirava algo como “a banda não deve estar aqui”. Conversando com a recepção, obtemos a confirmação de que neste ano, aquele não seria o lugar de hospedagem de Lemmy e companhia.

Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)

Depois de alguns telefonemas, pela mesma pessoa que havia me passado à informação do hotel, conseguimos saber que um dia antes a hospedagem foi mudada de local. Graças a amizade dos outros fãs que encontrei na porta do hotel, consegui uma carona e fomos todos juntos. Chegando no novo endereço, confirmamos a presença do Motorhead no local, restava apenas aguardar a banda. Muitas pessoas que conheço que já tiveram a oportunidade de ver o Lemmy pessoalmente (seja caçando a banda em um hotel ou em uma coletiva de imprensa) dizem que este é uma pessoa muito gente boa e sempre solícito com os fãs. Realmente é verdade. Ao saírem do hotel, mesmo atrasados para o show (algo que foi explicado por um brasileiro que estava acompanhando a banda) ele atendeu a todos e tirou fotos. Lemmy, já vestido a caráter (com seu quepe da época da 2ª guerra mundial), parou e atendeu a todos autografando discos e tirando fotos com os fãs. Eu estava com muitos discos em vinil, e vendo que ele já estava atrasado entreguei apenas alguns para ele. Quando ele foi autografar, disse que meu nome era Clayton e perguntei se poderia ser um autografo “pessoal”. Lemmy, muito simpático, sorriu e disse “Ok”, autografando os discos colocando “To Clayton” nos mesmos. O guitarrista Phil Campbell já não foi tão solicito. Tirou poucas fotos e autografou poucas coisas, pois entrou direto para o carro. Fazer o quê. Poucos conseguiram. Eu não tive essa sorte (mas isso mudaria no final da noite!!!). O baterista Mikkey Dee, rapidamente também atendeu aqueles que o procuraram (visto que muitos estavam cercando o Lemmy), e quando me dirigi a ele, a primeira coisa que ele notou, foi o disco “Fatal Portrait” da banda “King Diamond” que eu estava carregando. Sorriu ao ver o disco, autografou o mesmo e disse ter muitas lembranças legais dos dias em que tocava com King. Primeira tarefa cumprida, eu já havia conseguido conhecer a banda e tirar fotos com ele. Bem, quase todos, já que ainda faltou Phil. Era a hora de correr para o Via Funchal e curtir o show.

Ao chegar, notei que a fila ainda estava grande, muitas pessoas do lado de fora e muitas motos espalhadas ao longo da rua. Pude perceber que boa parte do público eram membros de Moto-Clubes de cidades diversas. Já com o crachá de imprensa, me dirigi ao “chiqueirinho”, que é o local a frente da grade do show, onde aqueles que estão cobrindo o evento permanecem durante as primeiras três musicas. Aqui, peço desculpas a todos que esperam que eu faça algum comentário da banda de abertura. Devido à correria entre os hotéis a procura do Motorhead, perdi o show do BARANGA. Mas conversando com as pessoas que estavam ali na grade, fiquei sabendo que a banda subiu ao palco às 22hs e agradou muito ao público que já havia entrado na casa. Sua apresentação foi em torno de meia hora e causaram boa impressão a todos os presentes com um rock roll sujo e pesado (que em muita coisa remete ao próprio Motorhead). Alguns outros repórteres disseram que as que mais agitaram o povo foram a música “O Céu é o Hell” e “Whiskey do Diabo”. Bem, espero poder vê-los em outra oportunidade, pois os diversos comentários me animaram a ver um show deles!

Meu relógio marcava 23h40m quando sobe ao palco, uma das bandas de heavy metal mais influentes dos últimos 30 anos. Ainda com a luz apagada e se posicionando em seus lugares, a minha frente, cerca de uns dois metros, estava o guitarrista Phil (o único que não consegui foto nem autografo no hotel). E antes de começar o show começo a gritar a gritar para ele “Mister Campbell, please” e ao me olhar, faço para ele o gesto de alguém tocando com uma palheta e aponto para a mão dele. Ele entendeu o recado e me joga uma palheta!!! Bem, se eu não consegui foto nem autografo com ele, pelo menos eu já tinha uma palheta! As luzes se acendem, o povo urra e explode em emoção quando os primeiros acordes de IRON FIRST é tocado. Sem deixar o público respirar, emendam com um outro clássico da época antiga da banda, STAY CLEAN do disco “Overkill” de 1979. O público cantando e vibrando a cada acorde. Olho para trás e vejo muitas rodas se formando e a turma ‘esmagada’ da grade bradando as letras. Importante ressaltar, que não foi apenas nesta tour, mas em várias outras, o Motorhead usou essa “dobradinha” inicial e matadora para já erguer o público logo no início do show!!!

Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)

Com o público nas mãos desde o princípio, Lemmy resolve mostrar duas músicas da fase mais recente da banda, BE MY BABY e a maravilhosa e aclamada por todo o público presente ROCK OUT. Seguidas essas duas, um dos momentos mais altos do show foi à canção METROPOLIS, cantada por todos os presentes. Logo após um fato curioso se passa, Lemmy anuncia que a próxima musica seria OVER THE TOP, mas ela não inicia. Silêncio no palco!!! Todos com cara de “ué o que houve?”. Lemmy olha para trás e não vê Mikkey Dee na bateria. Com uma cara de “mas que porra esta havendo” ele se desculpa com a platéia dizendo que este dia estava trazendo “um desastre após o outro” falando dos problemas com a aparelhagem (aliás, esse foi o motivo da demora do show, visto que, ao que parece, ela ficou retida pela fiscalização em Recife) e pedindo um minuto para os fãs presentes, se dirigiu para os bastidores do palco juntamente com o guitarrista Phil. Se houve algum problema com a bateria naquela hora não sabemos, e nem o que houve atrás do palco, mas essa parada literalmente foi um “presente” para o público, que pôde respirar um pouco. A banda retorna ao palco e executa a anunciada canção, agitando novamente os presentes.

Logo após, é justo ressaltar, que já fazem algumas tours que o Motorhead tem renovado seu set list incluindo algumas músicas pouco tocadas em shows, o que considero algo muito bom por parte da banda. Mesmo que para isso tenham que sacrificar alguns clássicos (e isso ocorreu na noite, algo que comentarei mais para o fim), a inclusão dessas faixas ditas “esquecidas” trata-se de algo que sempre será muito bem recebido pelos “verdadeiros fãs” e para aqueles (que como eu) já tiveram a oportunidade de ver a banda em outros anos. Com esse pensamento seguimos com a execução de ANOTHER PERFECT DAY (do álbum homônimo), emendada por ONE NIGHT STAND. Este é um momento no qual podemos diferenciar quem realmente é fã da banda e os que estão lá por conhecerem apenas os clássicos mais conhecidos. O início do show foi matador com todo mundo pulando e se matando nas rodas, mas agora, já no meio do show com a inclusão de faixas novas e B-Sides, boa parte do público esfriou. Esse fato se repetiu com as duas faixas seguintes, YOU BETTER RUN e I GOT MINE, que embora de um disco meio que controverso, trata-se de uma musica que considero boa de se ouvir. É bom lembrar que mesmo com essa esfriada por parte dos presentes, o público mesmo não cantando junto com Lemmy continuavam aplaudindo a banda em todos os momentos.

Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)
Em meio a esse momento mais sossegado, tivemos o solo do guitarrista Phil Campbell. Foi um solo rápido (assim que é bom. Nada muito demorado, pois se torna chato. Não é o show do Steve Vai pô), mas com muita melodia, arrancando gritos e aplausos de todos os presentes. Logo após o solo, emendaram com THE THOUSAND NAMES OF GOD do Motörhirzer de 2008. Mais uma parada rápida para respirarem, Lemmy agradece ao público presente e executam IN THE NAME OF TRAGEDY, que trouxe ao seu final o Drum Solo de Mickey Dee. Não sou muito fã de solos de bateria, não há muito que comentar a respeito, foi rápido, abusou do uso dos pedais, mas não fez nenhum entrosamento com o público. Isto é, sem aquelas paradas para o povo gritar e acompanhar junto.

Mas ao findar do momento solo de Mickey, já chegando ao fim do show, é a hora de repetir o que o Motorhead fez no início da noite: Bombardear o público com clássico atrás de clássico fazendo as rodas voltarem a se abrir e a porradaria comer solta no meio dos bangers mais afoitos! Primeiramente com JUST COS YOU GOT THE POWER, seguida com a “homenagem ao público brasileiro” GOING TO BRAZIL e a espetacular KILLED BY DEATH. Fico imaginando, se eles tocam a música Going to Brazil na Argentina!!! Devem tocar, e será que os “hermanos” gostam dela? Será que a rivalidade é apenas no futebol? Bem, vamos voltar ao show. Para aqueles que já estavam cansados com essa trinca de músicas matadoras, foi dado o golpe final. Encerram o show com a arrasadora Bomber, todos literalmente cansados, mas felizes. Esse final do show serviu para lavar a alma daqueles que durante o meio do show ficaram mais parados. Lemmy muito feliz agradece a todos os presentes e diz gostar muito de tocar aqui. Que o público é sempre contagiante e receptivo (no caso dele, sabemos que esta dizendo a verdade, caso contrário, não comporia uma música nos homenageando). É o fim do show. Claro que não!!!!!

Após alguns minutos, as luzes voltam a acender. Quem esperava uma volta da banda com alguma outra musica rápida e barulhenta se surpreendeu (inclusive eu). A banda entra no palco “desplugada” e tocam a música WHOREHOUSE BLUES com Campbell e Dee tocando violões e Lemmy acompanhando-os na gaita, enquanto o público cantava junto batendo palmas ao ritmo da música (em minha opinião, o momento mais bonito do show). Novamente agradecendo o carinho de todos, a banda volta aos seus instrumentos elétricos e executam o clássico mais conhecido da banda, era hora de ACE OF SPADES, cantada em uníssono. Esta é a música mais importante da banda, pois com o disco homônimo o Motorhead atingiu o conceito de “banda internacional” sendo conhecida em muitos paises e iniciando grandes tours; a grandeza desta música é tanta que muitos a consideram o marco-zero do Thrash Metal. Para encerrar a noite, executam a faixa OVERKILL, durante a qual logo na introdução Lemmy apresenta os membros da banda (que são aplaudidos pelo publico presente) e faz questão de lembrar que o guitarrista Phil já esta na banda há 25 anos. É o fim do show, uma noite maravilhosa na capital paulistana.

Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)Motorhead - por Clayton Franco (metalrevolution.net)Motorhead - por Clayton Franco (metalrevolution.net)

Já lá fora, após presenciar um show maravilhoso, ouvi diversos comentários de pessoas que estavam presentes. Muitos citaram a ausência de vários clássicos como "The Chase is Better Than The Catch", "Orgasmatron" ou até mesmo "No Class". Eu particularmente discordo dessas pessoas. Acho que um show apenas de clássicos acaba sendo muito legal sim, mas não para uma banda que vem várias vezes ao país. É melhor manter uns 5 ou 6 clássicos no repertório (como o Motorhead fez) e incluir músicas menos conhecidas ou que fazem tempo que não tocam, o que agrada os fãs verdadeiros (como eu pude ver durante o meio do show). Quanto a casa de shows Via Funchal, não é a primeira vez que assisto um show lá, esse local é simplesmente maravilhoso para shows, um amplo espaço com uma acústica perfeita. Para quem não conhece o local, o piso da casa é feito em vários níveis (como um teatro arena) o que faz com que de onde você esteja (seja na frente ou ao fundo) consiga ver o palco inteiro. O único pecado que a Via Funchal cometeu desta vez foi deixar as saídas de emergência fechadas após o show, atrasando a saída do público, mas isso não estragou a noite daqueles que puderam assistir ao espetáculo sonoro e visual que tivemos na noite.

Para muitos, a noite já havia acabado, tendo apenas que se dirigir para casa de alma lavada e descansar, mas para mim não. Lembram que ficou faltando à foto e o autografo do guitarrista? Pois bem, retornei ao hotel, e já eram 3h30m quando a banda retornou. Agora com apenas três pessoas na porta do hotel, e sem a pressa para fazer o show, o guitarrista fez questão de atender todos e tirar fotos. Quando eu vi o Lemmy chegar, me lembrei que antes do show havia entregue apenas 3 discos para ele autografar (devido a correria da banda) e ainda faltava mais uns 6 vinis. Cheguei até ele, e o que aconteceu foi algo que me surpreendeu bastante. Quando me viu disse: "Hey, Clayton. you're are the long plays boy" (ei Clayton, você é o garoto dos discos de vinil). E com um grande sorriso, pegou os discos e autografou todos. Tiramos mais uma foto, e ao me entregar os discos fez questão de dizer “Long Plays is old school” (Discos de vinil é a velha escola) mostrando mais uma vez, que bandas antigas (como foi com o Deep Purple) valorizam muito esse formato de disco e atendem de forma mais solícita os fãs que levam LPs para pedirem autógrafos. Realmente, o vinil não morreu!!! Agora sim, com todos os discos autografados, foto com todos os integrantes, uma palheta dada pessoalmente por Phil e com Lemmy ter lembrado o meu nome, a minha noite estava completa!!! Um grande abraço a todos que leram essa resenha.

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IMAGENS DA NOITE
Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net) Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)Motorhead - por Clayton Franco (metalrevolution.net)Motorhead - por Stephany Julia  (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Assessoria de Imprensa Via Funchal pelo contato e tratamento direcionado a nossa equipe, em especial a Miriam Martines
- Caçadores de autógrafos pela companhia durante a caçada aos integrantes da banda por parte do repórter Clayton Franco
- Stephany Julia e Clayton Franco pela excelente cobertura deste evento