TONY MARTIN
ABERTURA: RAINBOW RISING
BLACKMORE BAR, SÃO PAULO - SP

Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por André Luiz, Milton Purple e Bruno IZ (metalrevolution.net)

Tony Martin e Geoff Nicholls. Para muitos fãs de heavy metal esse nome é de grande importância, para outros nem tanto. E ainda há aqueles que por simples ignorância musical não sabe quem são. Ambos estiveram durante muitos anos nas fileiras de uma das bandas seminais e criadoras do Heavy Metal. Nada mais nada menos que o Black Sabbath! O primeiro foi vocalista nos chamados “anos obscuros” da banda, tendo gravado cinco discos de estúdio (e mais um ao vivo) entre os anos de 1987 e 2005. Nesta época o Sabbath estava em baixa, mas é inegável que mesmo nesse período Tony Martin emprestou sua voz a alguns discos que se não podemos dizer que são clássicos eternos, podemos falar que são no mínimo ótimos trabalhos. É o caso das músicas presentes no Headless Cross. Já Geoff Nicholls para alguns é um grande desconhecido. Mas ele é uma figura importantíssima para o Sabbath. Foi o tecladista da banda dos discos Heaven and Hell em diante e também tocou baixo em várias músicas de estúdio. Inclusive, as linhas de baixo de todo o disco Heaven And Hell (com exceção de Neon Nights) foram compostas por ele. Agora, sabendo quem são os músicos, podemos dizer que vimos dois grandes integrantes, nem sempre com o reconhecimento merecido, no dia 6 de setembro no Blackmore Bar em São Paulo. Um grande espetáculo para aqueles que puderam ir, e sinto dizer, uma pena para aqueles que não foram.

Rainbow Rising - por André Luiz (metalrevolution.net)

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Para os perdidos, vamos nos situar um pouco. Blackmore é uma casa de shows em SP relativamente pequena, mas com uma boa acústica, uma variedade considerável de bebida (para felicidade deste que lhes escreve), um bom atendimento e o mais importante: um bom técnico de som, o que faz com que o show sempre tenha o áudio limpo. Estando em um bom lugar, esperava um bom show de abertura: dito e feito. A responsabilidade para esquentar o povo presente foi da Rainbow Rising. Se você nunca ouviu falar dela, prepare-se, pois tenho certeza que ela agitará o cenário paulistano de bandas covers. Este foi o primeiro show deste grupo que se propõe a tocar covers do Rainbow de Ritchie Blackmore. A banda conta com músicos experientes, pois alguns deles já tocaram em outras bandas covers, e sua formação é composta por Abdalla Kilsan nos vocais, Douglas Camargo na guitarra, Israel Andrade nos teclados, Junior Marciano no baixo e Marco Almada na bateria. Por ser o primeiro show do Rainbow Rising, estava curioso para ver como se sairiam, e constatei que não poderia ter sido melhor para uma estréia. Interpretações fiéis aos clássicos do Blackmore, com um repertório que passou por todas as fases da banda. O show iniciou-se com “Kill the King” e durante os 45 minutos de show tocaram grandes sucessos como “All Night Long”, “I surrender”, “Man on the silver Moutain” entre outros encerrando o show com as maravilhosas “Long Live Rock Roll” e “Stargazer”. Posso dizer que o grande destaque da banda foram dois integrantes. O guitarrista Douglas sempre sorridente em nada deixou devendo ao verdadeiro Ritchie Blackmore; já o vocalista Abdalla Kilsan é um caso a parte. Em nenhum momento tentou imitar o timbre de voz ou os

trejeitos do Graham Bonnet e nem do Joe Lynn Turner! Ahá, então você vai me dizer que ele tentou imitar o grande Dio? Também não!!! Abdalla é um vocalista dono de um estilo e uma voz própria, sendo exatamente este ponto que torna a banda tão interessante. Trazem a proposta de ser uma banda cover fiel ao Rainbow, mas sem soar como uma imitação forçada e desnecessária do grupo original. Entendeu meu caro leitor? Não? Bom, só lhes peço que não percam os próximos shows da banda, e entenderão a que me refiro!

Com o público devidamente “esquentado” era chegada a hora do show principal da noite. Tony Martin e Geoff Nicholls sobem ao palco do Blackmore Bar acompanhados dos guitarristas Davis Ramay e Daemon Ross, do baixista Diego Padilha e do baterista Danny Needham (ouvi comentários no show que ele é o atual batera do Venon, mas não posso confirmar) para nos brindar com alguns clássicos do Sabbath. Assim temos o início do show com uma dobradinha de canções referentes ao disco “The Eternal Idol”. Esse início já me deu uma boa sensação de que o show me traria boas surpresas! Ora, havia sido divulgado que o show seria uma comemoração aos 20 anos do lançamento do disco “Headless Cross”, e iniciar o show com as canções “LOST FOREVER” e “BORN TO LOSE” de outro disco da fase Martin no Sabbath por si só trata-se de uma ótima surpresa! Logo nestas duas primeiras pude notar que a banda estava devidamente entrosada e uma grande noite nos aguardava. Dando continuidade ao show e, agora sim, homenageando os 20 anos do “Headless Cross”, as próximas músicas formaram uma trinca com algumas das melhores canções desse grande álbum. Estou falando de “BLACK MOON”, “DEVIL AND DAUGHTER” e uma música que particularmente gosto muito, “NIGHTWING”. Olhando o público à minha volta, pude perceber que muitos estavam em estado de êxtase, cantando junto e vibrando a cada acorde. Incrível como não importa de qual fase ou vocalista do Sabbath estamos falando, as canções de todas as épocas dessa banda são maravilhosas ao vivo.

Tony Martin - por André Luiz (metalrevolution.net)
O publico fala: “Tony Martin é hoje muito conhecido por ter feito parte do maior ícone do heavy metal mundial, o Black Sabbath. Não tem o mesmo status de um Dio, ou Ozzy, mas sabe fazer bom uso de sua fama. Apesar de não ter tocado o Headless Cross na integra, fez um bom show, que agradou a maioria dos presentes” - por João Gobo

Tony Martin, para aqueles que pouco conhece sua carreira, ao citar seu nome é lembrado como um dos vocalistas do Sabbath, mas para aqueles que buscam ampliar seu repertório musical e ouvir novos materiais, sabe que sua voz já foi ouvida em outra banda chamada “Empire”. Para aqueles que desconhecem, esse foi um projeto feito pelo guitarrista Rolf Munkes, que além de contar com Martin nos vocais teve como tecladista o Senhor Don Airey (hoje no Deep Puprle). Deste projeto, são tocadas as musicas “BREATHE” e “THE RAVEN RIDE”. Senti o clima dessas músicas como canções pesadas, dotadas de uma certa agressividade, mas que poucos foram os que cantaram. Talvez, por essa caída mesmo no animo do público, Martin volta a tocar em seguida algumas canções do Sabbath. Portanto temos a execução da bela “WHEN DEATH CALLS” novamente homenageando o disco Headless Cross e “THE LAW MAKER”, primeira faixa do disco Tyr apresentada na noite. O público agitou muito, pois percebi que muitos acompanharam o refrão desta última canção. Incrível como esse disco tem ótimas melodias e é tão pouco lembrado nos shows. Após as músicas do Empire Project seguida pelas canções do Sabbath, é chegado o momento, em que Tony Martin mostra aos presentes, que também possui uma carreira solo após sua passagem por essas bandas! Embora, diga-se de passagem, essa outra faceta de Tony Martin é muito pouca conhecida pelo grande público. Eu mesmo, pouco conheço, tendo ouvido apenas algumas coisas. Dessa sua fase, Martin apresenta duas músicas pertencentes ao disco “Scream” lançado em 2005, são elas: “RAISING HELL” e a própria “SCREAM”, que dá nome ao álbum. Esta segunda merece um comentário a parte, pois possui um belo solo de violino, o qual, Martin fez questão de tocá-lo ao vivo, num dos momentos mais marcantes do show! Foi exatamente com este solo de violino, acompanhado pela belíssima base proporcionada pelos teclados de Geoff Nicholls que se encerra a primeira parte do show.

Tony Martin - por André Luiz (metalrevolution.net)
O publico fala: “O show foi fantástico! Tony Martin mesmo com 52 anos cantou muito, e eu estava perto e bem na frente dele! Voltou duas vezes depois de sair do palco, sempre animado e com vontade de cantar ainda mais, agitando a todos os presentes” - por Arthur

Um pequeno intervalo e o bis começa com mais canções de sua época no Sabbath. Logo de cara, igualmente como a abertura do show, inicia-se com uma dobradinha do disco “The Eternal Idol”. E nada melhor do que a própria faixa homônima do disco para esquentar o público presente. Portanto temos a execução de “ETERNAL IDOL” seguida por “THE SHINING”. O final do show se aproxima e lembrando novamente que este era um show em comemoração aos 20 anos de um determinado disco do Sabbath, temos a execução da maravilhosa “HEADLESS CROSS”. Um dos momentos mais emocionantes do show, uma ótima música sendo acompanhada por todos os presentes. Em vários momentos a voz de Martin foi apagada pelo coro formado pelo público, tamanho a euforia causada por essa música. Para encerrar de vez o show, temos a execução de mais uma musica do disco “Tyr” (a segunda música deste petardo tocada na noite). Assim, finalizam o show com “FEELS GOOD TO ME”. Martin agradece aos presentes, diz que foi um grande show e um prazer estar tocando com um público maravilhoso como o de São Paulo. Muitos deixam o Blackmore devido ao horário (o show começou muito tarde, quase uma e meia da matina), mas os persistentes que ficaram tiveram a grata recompensa de serem atendidos pelo Martin e toda a banda para fotos e autógrafos.

Neste meio tempo, enquanto aguardava para tirar uma foto após o show, conversei com outros amigos presentes para colher opiniões para a resenha. E agora, já em casa e refletindo sobre o show, posso dizer que no geral foi uma grande apresentação, com alguns ótimos momentos, mas alguns fatores impediram do mesmo ser excelente! O primeiro deles foi o atraso do início. Para um evento que estava previsto no próprio cartaz de divulgação com inicio as 22hs, ter a banda principal no palco após a 01h30m é algo inconcebível. Um atraso que não foi causado pelo Blackmore, mas pelo próprio cantor principal da noite. Martin bem que poderia ter mais respeito pelo público e não ter deixado seus fãs esperando tanto. O segundo motivo foi o grande abuso de efeitos pré-gravados no show. Coisa que em algumas partes ficaram nítidas. A utilização destas gravações em alguns refrões é aceitável, mas em grande parte do show já é um pouco complicado, principalmente quando o vocalista deixa o playback “cantar” e não acompanha o mesmo. O ultimo fator, não tem haver com o show em si, mas sim com a pessoa do Tony Martin e isso mudou meu modo de vê-lo como artista. Antes do show, me dirigi no período da tarde até o hotel que ele estava hospedado. Sempre ouvi dizer que Martin é um artista pouco acessível, sendo mais fechado e que dificilmente atende ao pessoal. Meu conceito mudou de forma positiva quando à tarde no hotel ele distribuiu fotos e autógrafos para alguns presentes (a maioria produtores de eventos e shows). Mas, no fim da tarde, quando havia apenas quatro fãs na porta do hotel, meu conceito pessoal sobre Martin mudou drasticamente. Sem nenhum motivo específico, Martin fez questão de NÃO atender, dizendo que não gostaria de estar autografando nada e recusando-se a tirar fotos. Disse que atenderia nossos pedidos apenas se fossemos ao show, pois dentro da casa noturna faria um atendimento rápido ao público presente. Isso me soou mais como uma obrigação de nos atender após o show, do que realmente uma vontade de conhecer seus fãs. Acredito que todo artista não deve se esquecer

Tony Martin - por André Luiz (metalrevolution.net)

que são exatamente os seus fãs que o transformam em uma personalidade conhecida e que compram os discos, além de irem aos shows que são o “ganha pão” do artista. Isso trata-se de algo que acho faltar ao Tony Martin, uma lição de como atender educadamente seus fãs e não tratar de forma diferente como fez com alguns tratando bem e com outros nem mesmo conversando. Mas acho que estou extrapolando o objetivo deste texto que é dizer exatamente o que ocorreu durante o show!!! Encerro-me por aqui, um grande abraço a todos!
AGRADECIMENTOS
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Produção do evento, por este grande show, duas pessoas foram especiais pelo atendimento dispensado ao Metal Revolution: Pepinho pela credencial liberada e Rodrigo Scelza pela sua simpatia e conversa sobre as diferentes cenas de SP e RJ;
- Blackmore Bar e toda simpatia com a qual sempre nos atende nos shows e eventos realizados na casa, em especial a Lu Wolff e ao Wanderley Immezi que estão sempre prontos a auxiliar a equipe Metal Revolution no que for possível.

- A própria equipe do site Metal Revolution e aos amigos agregados ao longo desses seis anos de site. Não é sempre que podemos reunir tantos colaboradores do site em um único evento. A companhia do André (webmaster do site que não o via pessoalmente a 3 anos), ao Bruno IZ (fotógrafo vindo de Curitiba para esse show), Dan Ascalanth e Milton Purple (companheiros de caçada a autógrafos e fotógrafos). Na foto ao lado, uma pequena confraternização entre a equipe do Metal Revolution e o pessoal do Blackmore.