Metal Revolution Blog

May 29, 2010

RONNIE JAMES DIO, “Ele costumava tratar todos como iguais, mas poucos eram iguais a ele”.

Filed under: Bandas — Tags: , , , , — André Luiz @ 5:57 pm

Por Clayton Franco
Repórter/Fotógrafo - Equipe São Paulo/SP
Contato:
claytonfranco@metalrevolution.net

 

Antes de tudo, gostaria de explicar aos meus leitores que este texto não tem o cunho de ser uma biografia detalhada de Ronnie James Dio. Não pretendo entrar no mérito de explanar de forma exaustiva sobre sua discografia, bandas pelas quais tocou, fatos marcantes em sua carreira, etc… Nada disso. Para isto existe bons sites na internet e ótimas biografias disponíveis para ler. Aos versados na língua inglesa, recomendo a biografia disponível no site da Wikipedia inglesa. Quero acima de tudo, através deste texto, fazer uma homenagem a um de meus vocalistas preferidos, contanto o que ele representa para mim. O que foi conhecê-lo pessoalmente e o impacto de sua morte sobre mim. Agora que já expliquei o propósito do texto, vamos a ele propriamente dito.

 

blog1“Heaven and Hell”… Da melhor manhã, à pior Tarde:

Engraçado como a vida é. Há dias ruins e bons. Cada amanhecer nos trás uma nova perspectiva de vida. Como será o novo dia que nasce? Será maravilhoso ou terei uma manhã horrível? Ou novamente meu dia será um puro tédio entre trabalho, curso e casa recheado de congestionamento entre os três destinos? A graça da vida esta em sua imprevisibilidade… Mas às vezes essa imprevisibilidade é injusta. Nos da uma de nossas melhores manhãs, daquelas que para sempre vamos lembrar, e depois te joga um balde de água fria no cair da tarde com uma notícia que lhe deixa sem rumo e sem sentir o chão abaixo de seus pés. Acho que isso descreve como foi o meu domingo, dia 16 de maio, na capital paulistana. Não é segredo nenhum que meu gosto musical dentro do rock, heavy metal e hard rock é bem extenso. Gosto de bandas dos anos 50 e 60 como Chuck Berry e Jerry Lee Lewis, passando pelo Metal clássico do Sabbath e Iron Maiden, pelo Hard Rock praticado por Twisted Sister e também o Power Metal de bandas como Helloween. Mas, meus caros leitores, devem estar se perguntando o que isso tem haver com o título do texto, correto? Bem, para entender o sentido do texto temos que voltar no tempo algumas semanas.

 

Quando li a notícia que a “Big Brother and the Holding Company” tocaria na Virada Cultural isso me soou inimaginável. Para os que curtem a psicodelia dos anos 60 devem conhecer muito bem a banda. Foi a responsável por revelar ao mundo o talento de Janis Joplin, que infelizmente nos deixou tão cedo, entrando para o seleto grupo de músicos que faleceram aos 27 anos de idade (entre eles Hendrix e Jim Morrison). Tudo bem que a banda não conta mais com a voz feminina, mais rouca e puxada para o blues, que apenas Janis sabia fazer. Ela não esta mais na banda, mas quando eu teria a oportunidade de ver os três membros remanescentes juntos novamente? Esta era a primeira tour em anos, e também seria sua primeira passagem pela América Latina… Pensei comigo, qual seria minha outra chance de tentar uma foto com eles novamente e autografar meus discos? Talvez nunca mais. Com este pensamento me guiando fiz uma correria durante a virada cultural na madrugada de sábado para domingo, migrando de hotel em hotel procurando a banda, conversando com amigos que também caçam seus autógrafos, tentando alguma informação nos bastidores. Finalmente, quando achei que tudo estava perdido, consegui encontrá-los. Todos já são bem velhos e muito cansados após o show, mas simpáticos o suficiente para dar fotos e autógrafos aos seus fãs. Foi um dos melhores dias que já tive ao conhecer uma banda que cresci ouvindo e sabendo de sua grande importância para musica dos anos 60. Nem em sonhos imaginaria que veria um show deles, quanto mais conhecê-los. Alias, quando finalmente consegui encontrá-los era em torno de sete horas da manha, e mal sabia que tão distante de SP, estava acontecendo algo que me roubaria toda a alegria que estava tendo naquele momento.

 

Fim de tarde, quando chego a Taubaté e acesso a net me deparo com uma notícia que custei a acreditar. Atualizo a pagina várias vezes, achando que poderia ser uma brincadeira de mau gosto, mas a verdade esta estampada nua e crua na tela do meu computador. Ronnie James Dio já não se encontrava mais entre nós. Toda a felicidade que tive na manhã daquele domingo, após conhecer uma de minhas bandas preferidas, vai por água abaixo quando vejo que o vocalista que mais admiro havia falecido.

 

“Rising”… Crescendo ao som do Mestre:

Tenho 28 anos, e gosto de Heavy Metal desde os 12 praticamente. Em 16 anos fazendo parte da cena, vi a mesma ter seus altos e baixos. Acompanhei vocalistas, guitarristas, baixistas e músicos em geral em suas carreiras até o fatídico dia de sua morte. Mas confesso que esta perda foi a primeira que realmente me deixou para baixo e que fez sentir que havia morrido algo dentro de mim também. Ronnie foi um dos primeiros vocalistas que conheci e, lembro até hoje, quando ganhei o LP usado “Intermission” do meu pai. Sua voz, grave e poderosa, mas que sabia ser suave e meiga quando a canção precisava me impressionou. Ao longo dos anos me aprofundei em sua carreira, tanto solo como das bandas as quais Ronnie havia participado. Conheci a banda Elf, onde além de ser o vocalista do grupo, Ronald Padavona (como ainda assinava seu nome) também tocava baixo. Adorava Black Sabbath com Ozzy, mas era inegável a qualidade de Ronnie ao assumir o posto de frontman da banda. Para os ozzymaniacos é difícil acreditar, mas prefiro muito mais a voz de Dio à frente do grupo. Acompanhei sua carreira solo e suas participações especiais em dezenas de discos de outras bandas. A cada novo disco a voz do “homem da montanha prateada” me cativava. Suas letras pesadas dos álbuns sabbaticos e todas as histórias fabulosas de um mundo mágico medieval em seus discos solos me transportavam para outro lugar. Um lugar diferente do mundo em que vivemos me fazendo sonhar em ser um guerreiro medieval a matar dragões. Besteira minha? Talvez sim, mas este era o impacto que sua obra causava sobre a mente de um adolescente do interior, que sonhava em ver um show de seu ídolo.

 

Cresci, com o metal dentro do coração, e fui conhecendo bandas dos mais variados estilos. Em todas as revistas e sites que acompanhava, lia entrevistas de outros gigantes da música pesada e percebi que muitos faziam citação ao “pequeno grande homem”. Sua importância para o Heavy Metal era incontestável. E o sonho de vê-lo um dia ao vivo ia crescendo cada vez mais. A oportunidade chegou em 1997 no Skol Rock e confesso que quando foram executadas “Mistreated / Catch the Rainbow” meus olhos se encheram de lágrimas de alegria e satisfação de ter um sonho realizado. Posteriormente pude ver no ano de 2000 a tour orquestrada do Deep Purple (outra de minhas bandas preferidas), com participação do baixinho cantando o clássico “Smoke on the Water” do Deep e a sua canção solo “Rainbow in the Dark”. Novamente foi um dos melhores shows que pude presenciar. Em 2004 voltou ao Brasil com a tour “Mágica” e lá estava eu no meio do público para ouvi-lo novamente. Mas, foi em 2006 que pude ver o seu melhor show até então. Vindo com a tour do DVD “Holy Diver Live” pude ouvir na íntegra o álbum mais importante e essencial de sua carreira solo. Por sinal, este é seu LP solo que mais gosto de sua magnífica carreira. Achei que depois deste show, nenhum show do baixinho superaria aquele set list maravilhoso; até que oportunamente houve a notícia da reunião do Sabbath que gravou um dos mais importantes discos da história da música pesada: heaven and hell! Quando anunciam duas datas em SP, entro em transe sabendo que poderia ouvir clássicos gravados por Dio que imaginaria que ele nunca mais cantaria ao vivo. Se este show tinha tudo para superar o de 2006, mal sabia eu que esta tour me proporcionaria um dos dias mais felizes que já tive em minha vida e guardarei para sempre em minha alma!

 

dio“Man on the Silver Mountain”… O homem da montanha prateada em pessoa:

Saber que Dio e Iommi estavam tocando juntos novamente, algo que nem em meus maiores devaneios sonhava, já era uma noticia por si só fabulosa. Mas ver que a perna da tour passaria por SP, em duas noites seguidas, era bom demais para ser verdade. Dessa vez não veria apenas o mestre da voz rouca, mas também o gênio da guitarra responsável pela consolidação do Heavy Metal como estilo musical. Era uma oportunidade em um milhão e desta vez não veria apenas o show, gostaria de conhecê-lo pessoalmente e pegar autógrafos em meus LPs. No dia do show, começou a correria com alguns amigos vindos dos mais diversos lugares, como o Dan de Ubatuba/SP e Bruno IZ de Curitiba/PR e nos hospedamos no mesmo hotel que a banda para tentar a sorte de pelo menos vê-lo mais próximo que no palco. No meio do caminho encontramos muitos outros amigos queridos: Myrna, Carlos, Rafael, Davi, Adriano, Sheila, Bono, André, Léo, Jonny, Ju entre tantos outros… Todo mundo unido, em um mesmo ideal: Presenciar um dos maiores shows que o Brasil recebia em muitos anos. Dentro do hotel, já devidamente hospedados, a tensão aumentava em minhas veias. Será que eu o conheceria? Será que ele era tudo aquilo que eu imaginava ser? Será que tudo que ouvi as outras bandas falar sobre ele, era verdade? Dentro de alguns instantes eu saberia…

 

Um pouco depois das duas da tarde, eis que vejo um ser de aspecto franzino, bem magro e baixinho, saindo do elevador e dirigindo-se ao hall do hotel. Era o próprio Ronnie James Dio. Tentei chegar perto do mesmo, mas seus seguranças não deixaram. Sentia dentro de mim o sonho desabar com o impedimento de chegar perto do baixinho. Mas ele me viu, e isso foi o diferencial. Veio até mim com um sorriso no rosto me cumprimentando e naquela hora a emoção falou mais alto. Já havia encontrado com outras grandes bandas, como Deep Purple, Iron Maiden, Motorhead, etc e sempre agi normalmente pedindo uma foto e um autógrafo, mas naquela hora, a emoção falou mais alto. Sou péssimo em inglês e nem mesmo um “Hi Mr. Dio. I’m your fan, can you give me an autograph?” conseguia falar. Se com outras bandas meu inglês porco e péssimo ainda me ajudava em alguma coisa, naquele momento não conseguia dizer nada. A voz embargou, tremia dos pés a cabeça, e apenas gaguejava. Dio percebeu isso, e sorrindo perguntou se eu tinha alguma coisa para ele autografar. Remexendo na bolsa tirei uma pilha de mais de 15 discos de vinil que acabo derrubando vários no chão devido à emoção. Quando me abaixo para pegar alguns, noto que Dio também faz o mesmo, e vai me ajudando a juntá-los e autografando todos os discos. Educadamente comenta que eu tenho muita coisa dele em suas mais diversas bandas, se detendo especialmente em um disco do Elf, edição original da época, dizendo que aquele era muito raro. Eu digo que era um dos meus discos mais especiais, devido à dificuldade de encontrá-lo, e o baixinho perguntando meu nome autografa o disco com um “To Clayton. Magic. Ronnie James Dio”. A cada disco que ele passa autografando, faz algum comentário que eu não entendo, e vendo que eu não sabia falar inglês, me entrega o disco sorrindo e olhando em meus olhos. Naquele momento, percebi que estava diante de um dos artistas mais humildes que já conheci e que talvez nunca mais voltasse a conhecer. Aquele momento mágico explica o subtítulo deste texto. Dio não trata seus fãs diferentes da maneira com que trata o pessoal da imprensa. Tão pouco faz distinção entre produtores, seguranças, ou pessoas do mundo musical. Não importa quem é a pessoa, de onde ela vem ou que ela faz, ele trata todos de forma igual, sincera e honesta. Todos à sua volta são iguais para uma das pessoas mais humildes que conheci, mas poucos se igualam a ele em carisma, talento, humildade e acima de tudo profissionalismo. Não se importou em autografar toda a pilha de discos que levei e tamanha era minha emoção de ver meu grande herói da adolescência na minha frente que nem reparei que o senhor de braços cruzados ao seu lado olhando todo meu embaraço feito uma criança em frente ao ídolo, era o próprio Vinnie Appice, baterista de longa data da banda do Dio. Quando o mestre saiu para almoçar que meus amigos comentaram sobre o Appice é que pude vê-lo mais tarde e também conseguir seus autógrafos. Tentando conversar com o Dio, expliquei que havia alguns fãs ao lado de fora do hotel que gostaria muito de conhecê-lo e ele se prontificou a atender a todos lá fora. Avisei-o que havia em torno de 10 a 15 fãs no lado externo do hotel e o mesmo estava disposto a ir atendê-los, inclusive tendo pedido para nós (fãs que estavam dentro do hotel) que avisassem aos que estavam do lado de fora que bastava organizarem-se em uma fila ordenadamente que ele falaria com todos. Mas ao ver uma fã se esperneando e gritando a plenos pulmões com voz estridente o nome dele (mais parecendo uma pré-adolescente fã de Rebelde), ele virou para gente e pediu desculpas falando que daria confusão ele sair lá fora, pois o público (no caso apenas essa fã ensandecida) não estava contribuindo. Infelizmente devido a essa guria, o pessoal ficou sem conhecer a pessoa extremamente grandiosa que foi o Dio, e hoje, tristemente, não terão a mesma oportunidade novamente.

 

“Killing the Dragon”…Enfrentando o Dragão:

Lembrando o dia que o conheci, com todos os momentos vivos em meu coração, vejo as notícias sobre a morte do mestre na internet. Primeiramente foi o comunicado oficial postado por sua esposa Wendy, que ficou todo o tempo ao seu lado nesta dura batalha. Aliás, batalha que o baixinho não fugiu em nenhum momento. Se no palco ele era um exemplo de profissionalismo e fora dele um exemplo de humildade, quando foi diagnosticado com a doença se tornou um exemplo de perseverança. Logo que a notícia veio à tona, sua esposa colocou o seguinte comentário no site oficial: “Ronnie foi diagnosticado com início de câncer no estômago. Nós vamos começar o tratamento imediatamente na clínica Mayo. Depois de matar esse dragão, Ronnie voltará aos palcos, fazendo o que ele mais ama, tocando para os seus fãs”. E os apreciadores da música pesada chocaram-se com a noticia de sua doença. A partir desta data, literalmente choveu emails e comentários em seu site lhe desejando melhoras. Todos seus fãs queriam dizer que estaríamos torcendo e ao seu lado enfrentando o dragão. Mais para frente saiu o comentário “Ele já mudou algumas coisas na sua dieta e isso o ajudou a se sentir melhor, e admitiu que o negócio de tomar alguns drinks é algo que ele deixará para trás. Eu vou dividir com vocês o que eu puder e quando eu puder, mas saibam que Ronnie está pronto para lutar e ganhar, e qualquer um que conhece o homem sabe que ele vai ter sucesso!”. Todos seus fãs acompanharam de perto seu estado, pois Ronnie e Wendy sempre foram transparentes quanto ao seu estado de saúde.  Sua perseverança é sentida em cada novo post em seu site. “Eu tenho sorte de ser uma pessoa rígida em termos das coisas em que acredito”, diz o cantor, que tem uma mensagem direta para o tumor em seu estômago: “Câncer, eu vou te cobrir de porrada!”. Mas suas últimas mensagens trouxeram uma preocupação para os que acompanhavam a batalha contra o dragão. Uma destas mensagens em especial mostrava que nosso herói também era um ser humano como todos nós, pois em sua última entrevista Ronnie disse: “Bem, eu me sinto bem e mal às vezes. É um processo longo. Quimioterapia é… eu nem imaginava o quão difícil é essa coisa. É um verdadeiro efeito cumulativo - quanto mais você tem, mais ele se acumula e você leva mais tempo e mais tempo para superar isso. É muito difícil me alimentar. Eu não gosto de comer de qualquer jeito, então eu acho que está OK. Mas eu sei que tenho que fazer. Mas isso é muito, muito difícil. Mas se você está determinado a vencer, então você tem que ir com o que você acredita que vai dar certo para você, e neste caso é isso. Vou para um grande hospital em Houston chamado Anderson MD, que eu acho que é o melhor hospital do mundo. Eu tenho o melhor médico do mundo, Dr. Ajani, em quem eu confio muito e realmente acredito, por isso acho que fiz as coisas certas. Faz-me sentir positivo sobre a minha vida e na certeza que há muito mais do que viver “. Vemos em suas palavras toda sua transparência em relação à doença, e sua forte batalha contra o dragão, mas também vemos que ele é um simples ser humano lutando contra uma doença ingrata. E por final, tristemente o dragão venceu nosso grande herói.

 

“Long Live Rock ‘n’ Roll”… O reconhecimento de todos:

Ainda no domingo, depois de sua morte, começaram a pipocar na internet mensagens de tantos artistas falando sobre a terrível tragédia. Em 16 anos curtindo o estilo nunca vi nada parecido, e não duvido de que em alguns anos sua morte será tão comentada e importante para o mundo do metal como a do Elvis é para o Rock Roll. Dio não criou o Heavy Metal, mas foi um dos maiores responsáveis pela sua divulgação e moldagem deste estilo. Era literalmente uma lenda viva, e todos nós acreditávamos que o metal era de certa forma um estilo musical imortalizado em sua pessoa.

 

Artistas de renome, sem exceção, fazendo comentários sobre a obra musical de Ronnie. Todos queriam compartilhar o quanto eles foram influenciados por sua vasta carreira, como foi assistir um show do Dio, como foi estar frente a frente com ele, etc. E algo que ficava visível a cada novo post eram os comentários unânimes sobre a humildade e o carinho que ele tinha por todos à sua volta. Apenas para citar alguns dos medalhões musicais que teceram algumas palavras sobre este fatídico dia: Metallica, Deep Purple, Iron Maiden, Judas Priest, Slash, Kiss, Van Halen, King Diamond, Udo, Queensryche, entre tantos outros… Nunca vi tamanha comoção e tristeza no heavy metal como esta semana.

 

clayton-e-dio-1“Rainbow in the Dark”… A Vida continua:

Ronnie James Dio se foi, a obra do artista permanece. Meu pai costumava dizer que uma pessoa só morre verdadeiramente quando nos esquecemos dela. Seguindo este pensamento, podemos dizer que Dio é imortal. Sua personalidade, sua voz maravilhosa, seus trejeitos sobre o palco, seu sorriso simpático para com todos ficara vivo em nossas mentes. Cada vez que um fã colocar uma música sua para tocar, ele será relembrado e revivido em nossos corações. Ronnie se foi sim, mas deixou um vasto legado musical que inclui 3 discos com o Elf, 4 discos com o Rainbow, 4 discos com o Sabbath, uma dezena de trabalhos solo em estúdio além de inúmeros discos ao vivo. Dezenas de participações especiais em discos de outros músicos alem do seu projeto “Hear ‘n Aid” no qual mais de 40 artistas da comunidade heavy metal se reuniram para doar seu tempo e talento em uma canção escrita por Ronnie para arrecadar dinheiro para crianças famintas na África.

 

Por toda este vasto material que nos deixou de presente, podemos dizer que Ronnie jamais será esquecido, pelo contrário, será sempre lembrando como um vocalista baixinho e franzino, mas que ao subir no palco se tornava um gigante! Um gigante dotado de uma voz rouca, grave e grossa, mas que sabia ser suave e angelical quando a melodia pedia. Um cantor que como poucos, conseguia através de seu desempenho passar todo seu sentimento para os que o viam cantando. Encerro essa matéria, com lagrimas correndo pelo rosto relembrando tudo que este baixinho me proporcionou. Sei que as pessoas que não acompanham o Metal não entenderão estes sentimentos, e mesmo dentro daqueles que gostam do estilo, muitos vão achar ridículo um homem de 28 anos chorando a morte de um velho cantor. Ledo engano meus amigos, pude assistir a 5 tours dele pelo Brasil e estar pessoalmente com ele por um dia, mas suas canções me aproximaram dele durante toda minha juventude a ponto dele ser mais presente em minha vida do que muitos parentes. Senti sua morte, como se fosse de alguém muito próximo a mim, e agradeço ao mestre a oportunidade de ter conhecido sua obra. Do fundo de meu coração, desejo uma boa passagem para o mundo espiritual, sua voz não será ouvida novamente entre a gente. O mundo do metal ficou um pouco mais escuro agora, mas para aqueles que sabem para onde olhar, verão na escuridão da noite a luz do seu arco-íris brilhando e iluminando o caminho de novos fãs e músicos. Obrigado por tudo Dio, e um dia nos encontraremos novamente! Fique em paz!

 

Clayton Franco
Um fã órfão como tantos outros

October 3, 2009

Underground – A união que não faz a força, desabafo sobre a cena atual

Filed under: Uncategorized — André Luiz @ 2:35 pm

Por Jack The Ripper – Eduardo Jr.
Repórter/Fotógrafo - Equipe Santos/SP
Contato:
jack@metalrevolution.net

Underground (na língua inglesa, o mesmo que “subterrâneo”) trata-se de uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia, também conhecido como movimento ou cena. A cultura underground também pode ser chamada de contra-cultura. Analisando…

O termo Underground ganhou notoriedade a partir da década de 60 e foi utilizado para definir os movimentos artísticos e intelectuais que começaram a surgir na época. Hoje, na cena da música pesada (a qual estou ligado diretamente) é comum ver bandas, promoters ou ‘profissionais’ se utilizando falsamente do termo “underground” e denominando eventos ou determinadas bandas/músicos como sendo parte desta cena. O termo remete a algo independente, sem mídia, sem apoio e etc, mas, analisando friamente, o que todos em meio ao underground justamente buscam é a projeção, a exposição, o destaque na mídia, controverso não?

Muitas das bandas ditas grandes hoje em dia e que se vangloriam de terem sido erguidas com bases no underground não honram na prática o que pregam. Quem é do underground, ou lucra com ele de alguma forma, tem todos os seus argumentos, discursos e pseudo ideologias baseadas no princípio da união e da cooperação mútua entre os envolvidos, porém, contudo, entretaaaaaanto, eu pergunto: será mesmo? Vejo este tipo de conduta hoje em dia com extrema desconfiança, exceto por algumas raríssimas exceções de pessoas, veículos de comunicação, bandas e locais que realmente apóiam a cena de fato e que levam a bandeira do underground com honestidade e atitude, porém, infelizmente, tratam-se de raríssimas exceções a uma triste regra.

Temos hoje inúmeras bandas que surgiram do underground, conseguiram uma certa notoriedade na cena, ganharam o mundo e que após isto, viraram literalmente as costas para esta mesma cena que os ergueu, sem possuir um pingo de noção de união e corporativismo outrora pregado por eles; não mais possuem o espírito de união com relação a bandas que estão começando ou que não possuem a mesma notoriedade, e novamente por essa razão, eu questiono: isto é união? Apoiar as raízes? Atitude? Quando questionadas a respeito, estas bandas se apóiam na premissa de que hoje em dia são “profissionais” e etc, aquela velha máxima de que dinheiro está em primeiro lugar e move tudo; que o amor pela música, pela ideologia, pela atitude sempre é algo dito como sendo prioridade somente da boca para fora, pois na verdade isto é algo secundário. Estas mesmas bandas “grandes” em seus shows ou aparições, pregam e usam o nome do underground até hoje, colocando-se como uma espécie de porta voz da cena, o que considero ridículo pois a teoria e a prática se diferem…

Hoje em dia para se obter um destaque em revistas consagradas do gênero, não é preciso ter qualidade musical e atitude, isto é secundário e também relativo já que gosto musical é algo particular e difere de pessoa para pessoa, mas, de um modo geral, como tudo na vida, basta ter bolso forte e disposição para pagar e você ou sua banda facilmente conseguem ter uma página inteira em uma revista de nome na cena, ou um destaque na “index” de qualquer site forte especializado. É muito comum ouvirmos certas “lendas” na cena, porém, com um fundo de verdade, de que algumas bandas muitas vezes fracas em qualidade e fortes no bolso pagaram para abrir shows de bandas consagradas, o famoso “jabá” que é antigo na música, mas, como se prega a pseudo união na cena underground… Bandas com certo nome recebem também este “jabá” para permitir que qualquer banda disposta a pagar abra seus shows, casas consagradas cobram por isto e etc, e o pior é que existem bandas que efetivamente pagam por isto e reforçam este tipo de conduta lamentável.

Temos casas de shows famosas em SP, no Brasil e creio que também no mundo, onde bandas novas não possuem nenhum tipo de espaço e apoio, exceto bandas cover, que obviamente incorporam e transmitem a energia da banda que homenageiam, ou trocando em miúdos, estão todas “Gozando com o órgão alheio”, porém, atraem público maior e consequentemente lucro maior para todos os envolvidos no evento e justamente por isto o “apoio” a este tipo de banda trata-se de algo indiscutivelmente maior por parte das casas especializadas, e de toda a mídia. Nesse ponto, vejo que a culpa disto é do público que movido pela paixão a determinada banda, deixam de lado a ideologia e a cena como um todo. Logicamente que com relação as casas especializadas e também com relação a imprensa escrita ou falada, eu entendo e compreendo que hoje em dia manter um estabelecimento de portas abertas ou um veículo de comunicação funcionando é algo totalmente complicado, até mesmo pelas dificuldades econômicas e operacionais que são exigidas para tal, porém, o apoio a cena independente é totalmente nulo, praticamente não existe, e quando é dado, salvo exceções, as bandas são exploradas, mal compreendidas e desacreditadas.

Consursos para levar bandas a festivais grandes, a selos de gravadoras e etc, são sempre alvos de boatos sobre sua veracidade e credibilidade, bem como do compromisso com a música pura e simplesmente, sempre deixando no ar boatos sobre “cartas marcadas” e etc, mais um ponto lamentável para a cena. É inadmissível a meu ver, que uma banda, seja obrigada a pagar para tocar. Elas gastam dinheiro com ensaios, com gravação, com aparelhagem, deixam o sangue e o suor nos ensaios e produzem o que deveria ser o único e relevante atrativo para se apresentar, a música e somente a música deveria ser o termômetro para estas escolhas e abertura de espaços.

A intenção de quem esta começando é sempre divulgar o trabalho e as vitrines por sua vez exploram através de valores (monetários) para dar espaço a estas bandas. Isto a meu ver é um abuso, uma falta de consideração com as bandas e com quem esta batalhando um lugar ao sol, por isto a cena esta fraca, com bandas ridículas e vazias, sem feeling, sem sentimento e infelizmente, mesclar qualidade musical e ideológica com força monetária é como encontrar uma agulha no palheiro. Hoje em dia, somente a força monetária é que esta sendo observada. Esta dita exploração e pseudo apoio a cena não se restringe tão somente aos pubs e casas de show, como também contamina revistas, sites, rádios, veículos de divulgação e comunicação diversos, sempre salvo as raríssimas mas existentes exceções.

Antigamente, lendo as histórias de bandas consagradas e monstruosas, tipo Iron Maiden, Slayer, e etc, nós que somos músicos nos acostumamos com a idéia de que algum dia, um olheiro vai ver o nosso show, vai acreditar no nosso trabalho e vai levar a banda adiante: cuidado!!! Muito cuidado com essa ilusão!!! Existem pessoas na cena, que iludem as bandas novas, iludem os músicos com promessas de crescimento, projeção e apoio, e as bandas, com imensa sede de mostrar seu trabalho, acabam se rendendo as exigências dos mesmos e fazem com que este tipo de situação se torne uma armadilha, em que cada vez mais as pessoas e bandas se tornam vítimas.

Hoje em dia é comum diante da lucratividade que é gerada, presenciar bandas “fakes”, bandas digamos que “humorísticas” sendo vangloriadas e tratadas como sendo bandas de verdade e que rapidamente ganham a cena, invadem a mídia, recebem enorme destaque e apoio de todos os lados. Nada contra bandas que possuem este tipo de linha musical e de “ideologia”, apesar de não concordar com as mesmas, eu as relativamente respeito até porque a culpa é de quem vangloria este tipo de “banda”, ou seja, o próprio público, isto reflete a fraqueza da atual cena, a maioria vangloria bandas de mentira pela falta de bandas de verdade competentes e com conteúdo.

Enquanto bandas que tiram sarro da cena e da história da música pesada ganham cada vez mais espaço, bandas sérias, competentes, porém de bolso fraco, são trancafiadas no ostracismo e fadadas a viver no dito “underground” já que a união neste caso não faz a força, a não ser na falsa pregação de quem conseguiu por N razões e relativo mérito atingir uma certa projeção e reconhecimento, e que continua a levantar a bandeira do underground. Bom, pelo menos algo eles ajudam a erguer, nem que seja somente a bandeira…

PS.: me reservo no direito de não citar nomes, meu objetivo com este texto é somente alertar as bandas e as pessoas que estão no underground e na cena, e não apontar o dedo a ninguém. Cada um que conclua da forma que achar melhor.

January 5, 2009

Melhores de 2008 - Equipe Metal Revolution elege os destaques do ano

Filed under: Uncategorized — André Luiz @ 2:33 am

ANDRÉ LUIZ

TOP 3 Bandas Nacionais
Esse ano de 2008 consagrou uma banda que há muito anseiava reconhecimento, e com muito trabalho e dedicação alcançou seu objetivo. Com o lançamento de Hellbound, o Torture Squad alcançou até o momento o ápice de sua discografia, um álbum que possui evoluções musicais excelentes mas que mantém a principal característica da banda. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o Krisiun manteve as variações instrumentais de trabalhos anteriores sem perder sua marca registrada. Já as Velhas Virgens comemoraram 21 anos de carreira de forma totalmente independente, mesmo com pedidos de grandes emissoras e gravadoras na tentativa de mudar sua sonoridade crua e letras cômicas, lançando um DVD ao vivo contendo exatamente o que se vê em uma apresentação ao vivo da banda (aliás, os espaços na agenda da banda foram poucos em 2008). Pelos motivos citados, minhas escolhas nesse tópico são:
Torture Squad
Krisiun
Velhas Virgens

TOP 3 Bandas Internacionais
Bandas tradicionais soltaram plays com tentativas de inovações ou retomadas a sua sonoridade antiga, como Judas Priest e seu álbum conceitual com alguns pontos altos e outros medianos, Guns N’ Roses e sua flertada com o industrial que até agradou em algumas faixas mais no geral decepcionou os ardorosos fãs e o Metallica que se em certos momentos do Death Magnetic flerta com os clássicos do passado e em outros me arremete a sensação de ‘isso eu aprendo nas primeiras semanas da escola de música’. Por esse motivo me agrado das bandas que preferem seguir um estilo e variar sua sonoridade na medida certa, sem perder aquele sentimento na audição de ‘ah, é essa banda…’. Faço menções a Testament, Destruction, Belphegor, Motorhead e Amon Amarth, mas meu Top 3 será formado por:
AC/DC
Grave Digger
Whitesnake

Banda Revelação
Der Wahnsinn - muito se comenta sobre bandas que ganham fama por coverizar grandes nomes do cenário mundial, mas quando as mesmas se arremetem a fazer som próprio a coisa muda de figura. Ouvir Industrielle Revolution comprovou que a Der Wahnsinn não se trata apenas de uma reunião de bons músicos coverizando Rammstein, mas que os mesmos possuem mentalidade suficiente para somar suas influências nos alemães a de outras bandas, criar letrar e melodias cativantes e com sua experiência de palco adquirida durante os anos cativar o público em suas apresentações.

Destaques do ano
O Brasil recebeu inúmeras bandas tradicionais nesse ano, uma verdadeira temporada de grandes shows, dentre as quais cito Judas Priest, Whitesnake, Gamma Ray/Helloween, Nigthwish, Avantasia, Queensrÿche, Queen, Dream Theater, Deep Purple, Nazareth, Grave Digger, Possessed, Mayhem, Destruction, Sodom, Vader… Mas gostaria de destacar duas em especial que não havia visto até então: Megadeth e The Cult.
Em termos de sonoridade, Warrel Dane, mentor do Nevermore, lançou um álbum solo digno de aplausos até mesmo do falecido Chuck Schuldiner. Em Praises To The War Machine, o músico demonstrou um lado mais intimista que em seus trabalhos na banda de Seattle; já com relação a sonoridade, não me canso de apreciar a criatividade interpretativa do músico que flerta do death ao doom, com riffs e solos empolgantes e passagens utilizando artifícios eletrônicos.

PATRICIA OLIVEIRA

TOP 3 Bandas Nacionais
Amnese, banda experimental de Campinas, Brasil, com o Projeto Sofia e a Curva do Céu
Júpiter Maçã com o disco Uma Tarde na Fruteira
Salário Mínimo com o novo álbum “Simplesmente Rock”

TOP 3 Bandas Internacionais
Whitesnake com o álbum Good to be Bad, lançado em Maio de 2008
Scars on Broadway com a música They Say
Metallica com o álbum Death Magnetic

Banda Revelação
Este ano de 2008 foi do “The Killers”, com apenas dois CDs lançados já venderam cerca de 11 milhões de álbuns. Em novembro de 2008 a banda comemorou a entrada do hit “When You Were Young” no set list de Guitar Hero III: Legends of Rock. Day & Age é o quarto álbum desta banda que faz uma ode aos “the eigities revival”. São fatalmente comparados ao U2, porém afirmam que não querem imitar ninguém e preferem serem lembrados pela música que fazem. Uma curiosidade: eles chamam o fã clube de vítimas (quem sabe você não poderá ser a próxima?).

Destaques do ano
Amantes de música clássica e de gêneros afins certamente já ouviram o canadense indie rock The Árcade Fire. Termina neste ano de 2008 a tour do álbum Neon Bible, foi o que anunciou Win Butler, vocalista da banda. Durante dois anos, foram 122 shows (incluindo 33 festivais) em 19 países. “The Arcade fire” ganhou vários prêmios em 2008, como o irlandês Meteor Music Awards de Melhor Álbum Internacional e o Juno Awards, que presenteia os artistas canadenses, como Melhor Álbum Alternativo do Ano para o Neon Bible. A banda usa diversos e estranhos instrumentos para compor sua música. Junto com guitarra, baixo e bateria estão violino, piano e pedaços de revista que são rasgadas para dar aquele efeito especial ao som. Com apenas cinco anos de jornada, já tocaram junto a renomados nomes do rock, como David Bowie e U2.
Paramore ganha espaço no cenário do rock e especialmente nos corações dos fãs do filme Twilight (Crepúsculo, como foi traduzido no Brasil). O hit Decode, dessa banda norte-americana, pertence à trilha sonora de Crepúsculo, primeiro livro da série de Stephenie Meyer que conta a história do amor entre a insegura adolescente Bella Swan e o inebriante vampiro Edward Cullen.

RODRIGO GONÇALVES

TOP 3 Bandas Nacionais
Torture Squad - destaque absoluto de 2008, os caras conquistaram a Europa e finalmente lançaram o aguardado Hellbound, sucessor do maravilhoso Pandemonium de 2003. Uma pena não ter conseguido comparecer em nenhum show dessa que atualmente é a melhor banda do Brasil.
Krisiun - lançou um ótimo disco e continua a levar destruição e caos aos quatro cantos do mundo. Atualmente um dos grandes nomes do Death Metal mundial, mas nesse ano foi superado pelo ótimo lançamento do Torture Squad e pelo fato de ter feito poucos shows no Brasil.
Claustrofobia - em 2008 tive pela primeira vez o prazer de ver essa ótima banda ao vivo, fizeram um show maravilhoso no Méier, Rio de Janeiro. Uma pena que não lançam material inédito há algum tempo, mas pelo menos se destacaram bastante ao vivo e excursionaram até para a Europa. Espero um ano ainda melhor em 2009 para esses caras.

TOP 3 Bandas Internacionais
Judas Priest - lançaram o primeiro disco conceitual de sua carreira, o maravilhoso Nostradamus. Foi alvo de muitas críticas por causa desse lançamento, muitos não captaram o que a banda queria passar com esse álbum conceitual e saíram criticando sem ao menos dar uma chance para o disco que é muito bom. Vale mencionar a ótima turnê que passou pelo Brasil em Novembro.
Journey – foram tempos conturbados para a banda, entre a saída de Steve Augueri e com a passagem de Jeff Scott Soto nos vocais. Demitiram Jeff, acharam Arnel Pineda através de vídeos de uma banda cover do Journey que o vocalista havia postado no youtube e deram a volta por cima com o maravilhoso cd duplo “Revelation” que foi lançado em 2008. Muito bom ver a volta de um dos grandes nomes, talvez o maior do AOR.
Queen - muita gente fechou o olho, tantos outros torceram o nariz, mas o fato é que o Queen está de volta à ativa com o ótimo vocalista Paul Rodgers e os caras soltaram um disco de inéditas pela primeira vez em 13 anos, o primeiro da história da banda sem o falecido Freddie Mercury. E não é que o disco é muito bom?

Destaques do ano
Meu destaque absoluto do ano em termos de show vai para o Queensryche pelo show de duas horas com um maravilhoso set list e da atuação soberba de todos os músicos (sobretudo do vocalista Geoff Tate) na frente de apenas 800 sortudos no Rio de Janeiro. Ainda no âmbito shows cito o histórico show do Queen de volta ao Rio de Janeiro após 23 anos e prestando uma linda homenagem a Freddie Mercury. E por último, ao Judas Priest, pela ótima mudança no set list e vitalidade que os fazem surpreender os fãs após quase quarenta anos de carreira.
Em termos de lançamentos em cd destaque absoluto para a maravilhosa releitura feita pelo Exodus do clássico Bonded By Blood que marcou a volta de Tom Hunting a bateria do grupo e o maravilhoso trabalho de guitarra da dupla Lee/Gary Holt. E também para o já citado lançamento do Journey.

ALINE CRISTINE

TOP 3 Bandas Nacionais
Sunseth Midnight
Claustrofobia
Tuatha de Dannan

TOP 3 Bandas Internacionais
Slayer
Within Temptation
Moonspell

Banda Revelação
Uma banda que me chamou bastante a atenção foi o Hydria (”opening act” do Within Temptation aqui em São Paulo e da Tarja no Rio). Eles tem um talento nato. A vocalista Rachel Schuler tem uma voz limpa e perfeita e conta com Marcelo Oliveira e Luana França (G), Márcio Klimberg (K), Turu Henrick (B) e Fabiano Martins (D). Os cariocas não deixam a desejar em nada em seu segundo ano de trabalho na cena metal, o CD de estréia intitulado “Mirror of Tears” surpreende com o excelente nível das composições. Eles recebem influências de diversas vertentes do metal, por isso não tem como definir seu estilo.

Destaques do ano
É… lá se foi 2008! E se for para colocar aqui tudo que foi destaque no ano que passou, ficaria pelo menos três dias seguidos escrevendo sem parar! Em relação a shows posso dizer que o melhor na minha opinião foi o do Within Temptation. Simples e perfeito. (O duro foi camelar até o Espaço Lux que fica em São Bernado do Campo, ABC paulista).Depois da longa espera de 11 anos desde o primeiro álbum e nenhuma passagem da banda pelo Brasil, o Within finalmente aterrizou em solo brasileiro para alegria dos fãs que como eu, não viam a hora de ver e ouvir Sharon e banda (quase completa, pois o marido e guitarrista estava cuidando da filha do casal) bem de pertinho. A apresentação que ocorreu no dia 13 de abril, deixou 3 mil pessoas hipnotizadas. A banda tocou para fãs de diversas regiões do país e o público cantou todas as músicas sem parar. O fato da banda ter trazido apenas um guitarrista não interferiu em nada na qualidade da apresentação, provando o quanto eles são competentes além de carismáticos. Espero que o Within Temptation retorne muitas vezes (para minha felicidade!).

January 4, 2009

Whitesnake: melhor agora do que em 2005?

Filed under: Bandas — André Luiz @ 1:05 am

por Rodrigo Gonçalves
Repórter/Fotografo - Equipe RJ
Contato:
towlie@metalrevolution.net

Em 2005, me lembro de ter escrito que na ocasião da apresentação conjunta do Whitesnake com o Judas Priest, quem realmente se destacou foi a banda de David Coverdale que, por sinal, deixou o Judas Priest em maus lençóis ao fazer um maravilhoso show de abertura. E isso tudo com menos de uma hora disponível para fazer seu show e com uma fila interminável de clássicos para escolher para formarem o repertório do mesmo. Em 2008 a banda saiu em turnê para divulgar seu mais novo disco de estúdio (o primeiro em 11 anos), Good To Be Bad, que será lançado no mês
que vem. Em março foram anunciadas várias apresentações em terras brasilis. Diante da ótima impressão deixada em 2005, uma questão tem ecoado freqüentemente na minha mente perturbada: O que esperar dos shows desse ano? Será que a banda irá conseguir superar as apresentações de 2005?
Vamos tentar responder essas questões, mas, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes. O fã mais desavisado ou o ouvinte ocasional podem não ter se dado conta, mas os últimos anos tem sido de trabalho intenso para David Coverdale e seus comparsas. Em dezembro de 2002, David decidiu que era hora da banda voltar à ativa e recrutou alguns renomados músicos para essa nova empreitada. Dentre esses músicos, destaco a dupla de guitarristas, Reb Beach e Doug Aldrich. Aliás, David parece ter encontrado nesse ultimo um parceiro musical como há muitos anos não tinha. Doug tem tudo para se tornar alguém tão importante como Adrian Vanderberg na história da banda.
Se em 2005 a banda tocou cerca de treze musicas (sendo dois solos) durante pouco menos de uma hora, dessa vez a banda está tocando cerca de dezoito musicas no dobro do tempo. Infelizmente os dispensáveis solos ainda continuam firmes e fortes no set na lista de musicas da apresentação. Em comparação ao set list que foi executado na noite de Oito de Setembro de 2005.
Em um breve comparativo com o set list executado em 2005, as duas unicas músicas que a banda está executando de diferente hoje em dia, são os clássicos “Fool For Your Loving” e “Ain’t No Love In The Heart of The City”. Só isso. Muito pouco para uma banda do porte do Whitesnake e que conta com um catalogo de sucessos de fazer inveja há muitas bandas com vários anos de estrada. Tudo bem que o David Coverdale já não é mais nenhum garoto, mas o cara ainda está em ótima forma e é perfeitamente capaz levar um set 100 minutos numa boa, sem qualquer tipo de comprometimento a sua perfomance.
Apesar de o disco novo ser muito bom a banda escolheu apenas três musicas para entrar em seu repertório, Best Years, Lay Down Your Love e All for Love. Best Years é claramente uma homenagem aos momentos que a banda tem vivido nos últimos anos, desde que David Coverdale decidiu que hora de fazer o nome Whitesnake brilhar novamente. Lay Down Your Love tem uma semelhança absurda com o hiper-ultra-mega hit “Still of The Night”. Tem até a repetição do vocal em estilo “Zeppeliano” do Coverdale. All For Love é uma daquelas musicas que você a escuta pela primeira vez, já sabe logo de cara que se trata de um clássico. Além de sair cantando imediatamente o seu refrão.
Falar de set list com uma banda como o Whitesnake é algo extremamente complicado dado o catalogo impressionante de sucessos e boas musicas que a banda possui. Pessoalmente eu acho que não existe um set list ideal para uma banda como essa. Aliás, tal coisa não existe para banda nenhuma. E numa nota mais pessoal ainda, devo dizer que tenho pensamentos e idéias bem especificas sobre com relação ao set list. A mais importante delas é que acho que a banda deveria voltar mais os olhos para suas raízes, tocar mais material dos quatro primeiros discos, da fase mais blues de sua história. Ou ao menos tentar mesclar de maneira mais efeticva esse material com os hits pós 1983 e as musicas do novo album. Como esses caras me deixam a maravilhosa balada “Summer Rain” de fora desse set list? Conheço pelo menos uma pessoa que adoraria ouvir essa musica ao vivo e que choraria alguns litros se essa musica fosse tocada no Brasil. Sem falar nas musicas do começo da carreira de David, quando ainda fazia parte do Deep Purple. Wath’s Going On Here e Soldier of Fortune são bons exemplos disso. Mas eu sei que essas duas ultimas são apenas devaneios de minha cabeça desocupada.
O fato é que apesar dos meus devaneios, rabugentices e restrições quanto ao set list, banda têm feito ótimos shows, acabou de gravar um album maravilhoso após um hiato de 10 anos (algo que o mais ardoroso dos fãs não esperava) e tem feito a alegria dos fãs por onde passa. O que mais podemos pedir de uma banda com 30 anos de estrada? São fatos como esse que, somados, me dão a esperança de que a banda ainda tem alguns brilhantes anos pela frente antes de encerrar as atividades de uma vez por todas. E dessa vez, de forma digna, diga-se de passagem.

Flametal - Flamenco Meets Metal

Filed under: Bandas — André Luiz @ 12:59 am

por Thiago Rahal
Agradecimentos por ajudar a construir o nome do website

Todo jornalista seja ele de qual área for deve por obrigação ter um pouco de curiosidade, pois sem ela como os tais iriam buscar novidades ou descobrir casos novos para contar ao grande público? Pois bem, eu como jornalista cultural ou como queiram musical, sempre saio por aí procurando bandas obscuras e novidades que aparecem pelo mundo e no Brasil. Alguns poderiam perguntar-se, mas como ele consegue essas bandas? A resposta é simples: comprando discos por indicações de amigos ou lojistas e até mesmo baixando músicas na Internet, sim eu baixo, mas depois compro e ajudo a divulgar, acho que nesse caso ocorre uma troca de favores, pois talvez sem essas minhas pesquisas pela rede, não teria encontrado esta banda que pra mim é uma das maiores revelações do Heavy Metal.
O grupo Flametal, vindouro dos Estados Unidos, mais precisamente da cidade de Berkeley chamou a atenção ao introduzir um estilo que estava meio esquecido na musica pesada, o Flamenco. Alguns grupos misturam elementos típicos de seus paises, como exemplos, as bandas Angra e Sepultura no Brasil, Avalanch e Mago de Oz na Espanha, Six Magics no Chile, entre outras. Mas, apesar destas bandas usarem desse artifício, o Flametal uma banda americana, realizou diversas pesquisas e decidiu encorporar este estilo originalmente espanhol. Capitaneado por Benjamin P. Woods (Flamenco Guitar, Electric Guitar, Cajon, Metal Vocals) e líder do Flametal, o experiente músico e com uma técnica impressionante no violão de 12 cordas, conseguiu juntar o que parecia impossível, Heavy Metal com Flamenco e ainda por cima, com vocais guturais. Com músicos de pouco renome, mas de grande técnica tais como, Angeline Saris (Baixo), Brian “Lazer” Spalding (Electric Guitar), Tomas “The Hammer” Perry (Drums) e dois membros que só se apresentam ao vivo, Fanny Ara (Claps, em português, palmas) e Mellisa Cruz (Claps, em português, palmas).
Em 2005, os americanos lançaram seu álbum de estréia sem nenhuma divulgação que merecesse destaque, mas The Elder recebeu ótimas criticas de algumas pessoas da imprensa e fez muito sucesso principalmente no Japão, conseguindo assim uma pequena turnê em terras nipônicas. Lançado de forma independente, a primeira prensagem de “The Elder”, contava com as seguintes músicas. Em ordem: 01 - The Elder/ 02 - Silencio, Escobilla/ 03 - Red Cobblestone/ 04 - Bruja Tortura/ 05 - P’alla Al Inferno Vas/ 06 - The Summoning/ 07 - Cuatro Caballeros e 08 - Journey Into Fear. Após este sucesso repentino no Japão e em alguns paises na Europa, além é claro nos Estados Unidos, a gravadora Powerslave Records gostou do projeto e lançou The Elder novamente no mercado, desta vez remasterizado e com algumas partes regravadas o disco contou com as seguintes faixas. Em ordem: 01 - Bruja Tortura/ 02 - Anda Jaleo/ 03 - The Elder/ 04 - Cuatro Caballeros (Instrumental)/ 05 - Silencio/escobilla (Instrumental)/ 06 - Red Cobblestone/ 07 - Into Fear (Instrumental)/ 08 - P’alla Al Infierno Vas/ 09 - The Summoning/ 10 - Uno Abajo (Instrumental)/ 11 - Tarantula (Instrumental)/ 12 - Skeleton Elder (Instrumental). O disco ainda ganhou dois vídeos clipes que circulam no Youtube e são eles: The Elder e Anda Jaleo.
Prestando atenção na sonoridade de The Elder, vemos uma banda com mais entusiasmo e querendo mostrar para o mundo o quão diferente e original ela é. Mesclando passagens no famoso violão de 12 cordas espanhol, com riffs pesados e às vezes com grandes influências de Judas Priest, Iron Maiden e bandas de Thrash Metal da Bay Area o Flametal criou algo único. Benjamin Woods não se segurou e cantou de forma diferente, um vocal gutural não muito técnico, mais gritado, criando assim uma sonoridade intricada e complicada de se escutar no começo de sua audição.
Agora em 2008, o grupo volta com um novo álbum. “Master of the Aire”, também com lançamento da Powerslave Records e desta vez, com bônus tracks somente ao mercado japonês, o Flametal mostrou um som maduro e com maior participação das influências espanholas. O disco contou com as seguintes faixas. Em ordem: 01 - Master of the Aire/ 02 - Seguiriyas/ 03 - Strange Rails/ 04 – Nightwalkers/ 05 - The Curse/ 06 – Istvan/ 07 - La Cuenta/ 08 - Left Hemisphere/ 09 – Peteneras/ 10 - The Swarm/ 11 - M.O.T.A. Reprise/ 12 – Yamato (Bonus Track)/ 13 - No Quarter (Bonus Track). Algumas músicas se destacam, dentre elas a versão para No Quarter do Led Zepelin, uma canção que se encaixou perfeitamente ao estilo Flamenco de ser. A canção “Nightwalkers” mostrou guitarras à Iron Maiden e se mostrou uma das mais cativantes do disco. Outros destaques vão para as músicas “Istvan”, “La Cuenta” e “Strange Rails”.
Em tempos de MP3 e divulgações via Internet, o Flametal liberou a audição de seus dois discos no site oficial. Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho desta banda, entre no web site www.flametal.com.
Se você conhece bandas que buscam sonoridades diferentes e/ou sons típicos de seus paises, favor entrar em contato comigo, pois acredito muito na originalidade e gostou de divulgar sempre que possível.

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